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Exército desenvolve rede móvel táctica 4G/5G para operar quando as redes civis falham

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Nova capacidade, desenvolvida em parceria com a MEO, permite criar “bolhas tácticas” de comunicações independentes das redes móveis comerciais. O sistema assegura voz, dados, vídeo e geolocalização e poderá ser utilizado tanto em operações militares como em situações de emergência e catástrofe.

O Exército Português está a desenvolver uma capacidade própria de comunicações móveis tácticas baseada em tecnologia 4G/5G, destinada a assegurar conectividade em cenários onde as redes móveis comerciais estejam indisponíveis ou degradadas.

A nova Rede Móvel Táctica 4G/5G foi demonstrada no Campo Militar de Santa Margarida, no âmbito do ARTEX26/HEDI OPEX26-1, num cenário simulado de tempestade severa com falhas de energia e indisponibilidade das redes móveis públicas.

A solução permite criar uma denominada “Bolha Táctica 4G/5G”, assegurando comunicações de voz, dados, vídeo e geolocalização entre um centro de operações e as equipas no terreno. A tecnologia foi desenvolvida em parceria com a MEO e assenta em concepção e engenharia nacionais.

A característica mais relevante da solução é a possibilidade de funcionar de forma autónoma das redes comerciais. Desta forma, o Exército poderá manter uma infraestrutura de comunicações em zonas onde a rede pública esteja indisponível, degradada ou não ofereça as condições necessárias para uma operação.

Duas configurações para utilização no terreno

A capacidade está concebida para utilização em diferentes cenários operacionais, através de equipamentos transportáveis e de uma solução instalada em atrelado.

A configuração transportável permite uma instalação rápida no terreno, enquanto a versão montada em atrelado dispõe de gerador próprio, aumentando a autonomia do sistema.

A solução pode ainda recorrer a comunicações por satélite para estabelecer ligação ao exterior e a outros sistemas quando necessário.

O conceito permite, assim, criar áreas localizadas de cobertura, em vez de depender exclusivamente da infraestrutura de telecomunicações existente no território.

O Exército admite igualmente a possibilidade de, no futuro, interligar várias destas “bolhas” de cobertura, aumentando a área abrangida pela capacidade.

Tecnologia com aplicação militar e civil

Embora desenvolvida para responder a necessidades militares, a tecnologia tem uma componente de utilização dual. O Exército aponta particularmente para a utilização da rede no Apoio Militar de Emergência, em situações de catástrofe ou outras ocorrências que afectem as infraestruturas de comunicações civis.

O conceito ganha relevância em cenários de emergência em que uma combinação de falhas de energia, danos nas infraestruturas e saturação ou indisponibilidade das redes públicas possa comprometer as comunicações das entidades de resposta.

Foi precisamente este tipo de cenário que esteve na base da demonstração realizada em Santa Margarida. O exercício ARTEX26 integra este ano a campanha europeia HEDI-OPEX 2026, promovida pela Agência Europeia de Defesa em conjunto com o Exército Português, dedicada à experimentação de novas tecnologias de Defesa em condições operacionais.

Uma capacidade que resulta de vários projectos 5G

A nova rede móvel táctica surge num contexto mais amplo de investimento do Exército em tecnologia 5G.

Um dos projectos, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, é o “Segurança de Unidades Militares com o 5G”. Com um financiamento não reembolsável de 148 mil euros, o projecto foi concebido para interligar sensores, câmaras, drones e veículos não tripulados através de uma rede 5G, utilizando algoritmos de aprendizagem automática para analisar possíveis ameaças em tempo real. O projecto teve início em Outubro de 2024 e foi concluído em Junho de 2026.

Neste âmbito, o Exército avançou também com a implementação de células 5G destinadas a suportar a segurança física das unidades militares. Documentos de contratação pública mostram a aquisição de bens e serviços para a implementação do projecto “Segurança de Unidades Militares com o 5G”, incluindo comunicações 4G/5G.

A lógica é diferente da Rede Móvel Táctica: enquanto esta última procura garantir comunicações autónomas e transportáveis para utilização no terreno, o projecto de segurança das unidades utiliza o 5G como infraestrutura de conectividade para integrar diferentes sistemas de vigilância e segurança.

Comunicações como capacidade operacional

A evolução destes projectos mostra uma utilização do 5G que ultrapassa a simples disponibilização de conectividade.

No caso da Rede Móvel Táctica, a tecnologia passa a constituir uma capacidade operacional que pode ser instalada onde é necessária e funcionar independentemente das redes comerciais. No projecto de segurança das unidades, o 5G funciona como elemento de ligação entre sensores, sistemas de videovigilância e plataformas autónomas.

A combinação das duas abordagens permite ao Exército explorar o 5G em diferentes níveis: desde a segurança das instalações até às comunicações no terreno e ao apoio a operações de emergência.

A demonstração de Santa Margarida surge, assim, como uma etapa na transformação das capacidades de comunicações tácticas do Exército, num momento em que a resiliência das infraestruturas críticas e das redes de comunicação assume também importância em cenários de crise.

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