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Retalho cria 21.900 empregos em cinco anos e atinge investimento recorde anual de 40,9 milhões de euros em formação

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A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) apresentou ontem o estudo “O Valor das Nossas Pessoas”, desenvolvido em parceria com a consultora Forvis Mazars. O documento traça o retracto de um sector resiliente, inclusivo e altamente focado na qualificação, que se consolida como um dos principais motores económicos e sociais do país.

O encontro, que reuniu líderes e especialistas de Recursos Humanos de diversas empresas do ramo alimentar e não alimentar, evidenciou a capacidade de adaptação da Distribuição às novas exigências do mercado de trabalho, num contexto marcado, sobretudo, pela transformação digital. A sessão de abertura contou com as boas-vindas do Director-geral da APED, Gonçalo Lobo Xavier e a intervenção de Luís Pais Antunes, Presidente do Conselho Económico e Social (CES), seguida da apresentação do estudo por Pedro Mendes Silva, Head of Consulting da Forvis Mazars Portugal, e pela jornalista Rosa de Oliveira Pinto.

O estudo revela que o sector do retalho alimentar e não alimentar continua a ser um pilar de estabilidade e criação de riqueza em Portugal. As empresas associadas da APED empregam hoje mais de 155 mil colaboradores, tendo sido responsáveis pela criação de 21.900 novos postos de trabalho entre 2020 e 2025.

Entre as principais conclusões, destacam-se os seguintes indicadores de excelência:

· Estabilidade Laboral: 85% dos colaboradores das empresas associadas possuem contrato sem termo, um valor significativamente superior à média nacional (71%).

· Investimento em Talento: O investimento em formação cresceu 66% nos últimos cinco anos, atingindo os 40,9 milhões de euros em 2025. Em média, cada colaborador recebeu 45 horas de formação.

· Liderança Feminina: O setor regista uma forte presença feminina em cargos de decisão, com 53% das posições de chefia ocupadas por mulheres.

· Equidade Salarial: O gender pay gap ajustado nas empresas da APED situa-se nos 2,7%, um valor substancialmente inferior à média nacional (10,8%).

· Motor da Diversidade e Emprego Jovem: O sector é a principal porta de entrada no mercado de trabalho, com os jovens até aos 24 anos a representarem 17% da força de trabalho (face aos 6% nacionais). A diversidade é também uma realidade, contando-se 62 nacionalidades diferentes entre as equipas.

Para reflectir sobre estas dinâmicas e sobre o futuro do sector, o evento contou com dois painéis de debate. O primeiro, “Retalho, que presente e que futuro?”, moderado por Rosa de Oliveira Pinto, reuniu Fernanda Correia (HR Leader da Norauto Portugal), Francisco de Almeida (Chief People Officer da Jerónimo Martins), Mafalda Lobo Xavier (Area Leader Employer Brand & HR da Sonae MC) e Sandrine Teixeira (Administradora de Recursos Humanos do Lidl Portugal).

O debate ficou marcado pela ideia de que a construção de uma marca empregadora forte é um desafio contínuo, que exige capacidade de adaptação às diferentes gerações, culturas e nacionalidades que integram as organizações. A par das transformações do sector, destacou-se a importância de uma comunicação interna eficaz para promover a integração e o sentimento de pertença das equipas, bem como a necessidade de o sector continuar a criar condições para atrair, envolver e reter talento.

O segundo momento, dedicado aos Casos de Sucesso em “Diversidade, Equidade e Inclusão”, contou com a moderação de Gonçalo Lobo Xavier e a participação de Catarina Rosado (Directora de Comunicação e Experiência Colaborador da Auchan Retail Portugal), Joaquim Almeida (Director de Recursos Humanos da FNAC Darty Portugal), Susana Silva (Diretora de Pessoas do El Corte Inglés Portugal) e Vanessa Neves (Directora de Recursos Humanos da Perfumes & Companhia).

O painel partiu de experiências concretas para mostrar que a diversidade e a inclusão são mais do que uma dimensão estratégica: são um caminho, com desafios, mas também com benefícios para as organizações e para as suas pessoas. A formação e a literacia assumem, neste processo, um papel essencial na desconstrução de preconceitos e no reconhecimento do potencial de cada pessoa para além de ideias preconcebidas. Foi também destacada a importância da dimensão humana, nomeadamente da empatia e da inteligência emocional, competências que a tecnologia não substitui, devendo antes ser utilizada como uma ferramenta de apoio. Num contexto de transformação e de desafios crescentes, a tolerância foi ainda apontada como um valor fundamental para construir ambientes de trabalho mais inclusivos, diversos e preparados para o futuro.

A agenda integrou, ainda, uma reflexão provocatória sobre o impacto tecnológico com a keynote “A armadilha da IA: O futuro do trabalho no retalho”, conduzida por Tiago Forjaz, Managing Partner da The Epic Talent Society.

O Diretor-Geral da APED, Gonçalo Lobo Xavier, destacou na sessão de boas-vindas o compromisso inequívoco do setor para com as suas equipas: “O valor das nossas pessoas não é retórica, é algo que nos define. Hoje vivemos desafios intensos, desde a transformação digital e aceleração da Inteligência Artificial à complexa revolução demográfica. No entanto, os números provam que o nosso compromisso é real: 85% dos nossos colaboradores têm vínculos estáveis, sem termo, e investimos como nunca na sua capacitação. Temos a firme convicção de que a tecnologia deve estar ao serviço das pessoas, capacitando-as e acrescentando valor ao seu trabalho, e não o inverso.”

No encerramento do evento, o Presidente da APED, José António Nogueira de Brito, sublinhou a natureza humana do negócio retalhista: “O Retalho exige escala, planeamento e adaptação, mas é, na sua essência, um negócio de pessoas para pessoas. Os resultados deste estudo espelham bem o papel da Distribuição como um verdadeiro elevador social na economia portuguesa. Somos, sem dúvida, um setor inclusivo que acolhe diferentes gerações, origens e capacidades. A qualificação tecnológica é fundamental e o nosso investimento prova-o, mas a tecnologia jamais substituirá a competência humana, a proximidade, o aconselhamento e a empatia que caracterizam o nosso serviço. O retalho tem futuro, e esse futuro é indiscutivelmente humano.”

A APED reafirma, assim, que a competitividade, a inovação e o sucesso futuro do setor estão intrinsecamente ligados à valorização, diversidade e contínuo desenvolvimento das suas Pessoas, pilares fundamentais da estratégia do Retalho em Portugal para os próximos anos.

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