A IT’Simple é uma startup sediada em Braga dedicada ao desenvolvimento de tecnologia própria e a serviços especializados em cibersegurança, gestão de risco, conformidade e formação. Criada com o objectivo de simplificar a gestão da cibersegurança e aumentar a autonomia das organizações sobre os seus sistemas e informação, a empresa está actualmente a desenvolver duas plataformas: ARX e VERA.
Nuno Ferreira, cofundador da IT’Simple, trabalha em Tecnologias de Informação há mais de 20 anos, em Portugal e no estrangeiro, nas áreas de infraestruturas, operações de IT, administração de sistemas e segurança da informação. A sua formação inclui entidades como o CNCS, Cisco, Microsoft e EC-Council, frequentando actualmente um MSc in Cybersecurity with Artificial Intelligence, no Reino Unido.
“Dessa experiência resultou uma visão prática da cibersegurança: não como um conjunto de ferramentas isoladas, mas como parte integrante da estratégia, da gestão de risco e das operações de qualquer organização”, explica Nuno Ferreira.
Simplificar a cibersegurança
A IT’Simple nasceu, segundo o responsável, de uma constatação sobre a forma como muitas organizações gerem actualmente a segurança. “Apesar da evolução tecnológica, a cibersegurança continua excessivamente complexa, fragmentada e distante das necessidades operacionais das organizações”, afirma.
A empresa identifica situações em que as organizações recorrem a várias soluções de segurança que funcionam de forma independente, gerando grandes volumes de alertas e exigindo recursos especializados para transformar a informação disponível em decisões.
É neste contexto que a IT’Simple definiu três princípios para o desenvolvimento da sua tecnologia: simplicidade operacional, soberania tecnológica e segurança efectiva.
ARX e VERA
As duas plataformas desenvolvidas pela empresa respondem a áreas distintas, mas complementares. A ARX está orientada para a segurança operacional integrada, enquanto a VERA se centra na conformidade contínua e verificável.
A ARX consolida capacidades habitualmente dispersas por soluções de EDR, NDR e SIEM, reunindo numa única visão funcionalidades de monitorização, detecção, investigação, gestão de vulnerabilidades e resposta automatizada.
Uma das funcionalidades destacadas por Nuno Ferreira é a correlação entre eventos, vulnerabilidades e activos. “A organização percebe não só que existe uma vulnerabilidade, mas como esta pode ser explorada para chegar a sistemas críticos”, explica.
Já o VERA foi desenvolvido tendo por base a legislação portuguesa, incluindo a transposição da NIS2 e o enquadramento nacional de cibersegurança. A plataforma permite estruturar requisitos, atribuir responsabilidades, acompanhar a implementação de controlos e organizar evidências.
A integração entre as duas plataformas pretende reduzir o esforço manual associado à demonstração da conformidade. A informação produzida pelo ARX, nomeadamente no âmbito da protecção, monitorização e resposta a incidentes, pode alimentar directamente a recolha e validação de evidências no VERA. “Em termos simples: detectar, agir e demonstrar”, resume Nuno Ferreira.
Soberania dos dados
A soberania tecnológica constitui outro dos princípios da IT’Simple. Tanto o ARX como o VERA foram concebidos para funcionar no ambiente do próprio cliente, incluindo os componentes de inteligência artificial.
“A informação sensível permanece sob controlo da organização, sem recurso a serviços externos de IA nem transferência de dados para terceiros”, explica.
A abordagem é dirigida particularmente a organizações que trabalham com informação crítica ou que estão sujeitas a obrigações regulamentares específicas.
Uma startup de quatro pessoas
A IT’Simple tem actualmente uma equipa de quatro pessoas e conta com o apoio da Cloudfence, com operação em Portugal, Brasil e América Latina nas vertentes comercial e de desenvolvimento.
O ARX e o VERA encontram-se ainda em fase de desenvolvimento e evolução. A empresa tem uma implementação do ARX em fase final numa empresa irlandesa e mantém pilotos de ambas as plataformas em curso.
O trabalho está actualmente concentrado no aperfeiçoamento técnico, na validação dos mecanismos de segurança e na adaptação das soluções a diferentes contextos empresariais e regulamentares.
“Ser uma estrutura pequena permite-nos manter uma abordagem ágil, próxima dos clientes e orientada para problemas concretos”, afirma Nuno Ferreira. O responsável sublinha, contudo, que a tecnologia é apenas uma parte do processo de implementação da segurança. “Sabemos por experiência que implementar segurança não depende só da tecnologia: depende dos processos, dos recursos e da forma como se integra nas operações e nos objectivos de negócio.”
Tecnologia desenvolvida em Portugal
Para o futuro, a IT’Simple pretende desenvolver um conjunto de soluções que permita às organizações manter maior controlo sobre a sua segurança, os seus dados e a sua conformidade.
Nuno Ferreira considera que a inteligência artificial terá um papel relevante na evolução da cibersegurança, nomeadamente na detecção de ameaças, automatização da análise e resposta e apoio à decisão das equipas de segurança. “Acredito que Portugal tem o conhecimento e o talento para desenvolver tecnologia de cibersegurança competitiva”, afirma.
A ambição da empresa passa por criar soluções nacionais com identidade própria, capazes de responder ao mercado português e a necessidades internacionais. “Para nós, soberania tecnológica não é apenas onde estão os dados: é a capacidade de uma organização compreender, controlar e decidir sobre a tecnologia de que depende.”









