A 5.ª edição da Onboard Safety Conference decorreu no Instituto Politécnico de Viana do Castelo, resultando de uma parceria estratégica orientada para aproveitar a forte ligação da instituição de ensino ao mar, à economia azul, à indústria naval e à defesa. A Security Magazine acompanhou o evento.
Pedro Soreto, Business Developer na Ertecna (empresa à qual se juntou em 2024) tem formação em Engenharia de Automação, Controlo e Instrumentação e experiência no sector industrial e, em declarações à Security Magazine, explicou ainda que a decisão de “rumar a Norte” nesta 5.ª edição assentou na parceria com o Politécnico de Viana do Castelo para potenciar a ligação académica ao mar e à defesa, frisando que a marca Everlux Maritime e o debate sobre o offshore wind floating procuram impulsionar oportunidades de negócio e a independência energética ibérica e europeia.

O evento, co-organizado pela Everlux Maritime e a Cedros, assumiu-se como um espaço central de partilha de conhecimento técnico e de promoção de oportunidades de negócio entre especialistas, empresas e entidades do sector marítimo e portuário.
No âmbito da resiliência e governação portuária, as discussões vincaram a necessidade de dotar os portos de infra-estruturas robustas, alternativas operacionais e redundância para resistir a perturbações e assegurar a continuidade das operações. Foi sublinhada a importância da coordenação entre administrações portuárias, operadores, autoridades e restante cadeia logística, reforçando a resiliência para proteger a economia, criar confiança nos investidores e valorizar a posição atlântica de Portugal no quadro da estratégia Portos 5+ e da Estratégia Nacional para o Mar.
Em matéria de descarbonização e transição energética, debateu-se a promoção de corredores verdes marítimos, a introdução de combustíveis limpos , como a amónia, hidrogénio e metanol, e o papel dos portos no apoio às energias renováveis oceânicas, como o eólico offshore. Destacou-se igualmente a entrada em vigor da Área de Controlo de Emissões do Atlântico Norte (ECA) em Setembro de 2027 para a protecção da qualidade do ar, bem como os elevados custos de investimento associados à infraestrutura de Onshore Power Supply (OPS) para o abastecimento eléctrico de navios no cais.
As dinâmicas geopolíticas e a reconfiguração das rotas marítimas ocuparam também lugar de destaque, analisando-se como conflitos em pontos de estrangulamento críticos (como o Estreito de Ormuz e o Canal de Suez) têm forçado os navios a contornar o Cabo da Boa Esperança, inflaccionando custos operacionais e aumentando os riscos de pirataria.
Paralelamente, o de gelo do Ártico está a transformar a abertura de rotas setentrionais numa realidade operacional que encurta viagens e reestrutura os fluxos globais a favor da fachada Atlântica. No entanto, foram assinalados os riscos de assimetrias competitivas decorrentes do sistema europeu de licenças de emissão de carbono (ETS), que penaliza os portos da UE e nacionais (como Sines e Leixões) ao incentivar as companhias de navegação a realizar transbordos em portos do Norte de África, como Tanger Med, para contornar as taxas comunitárias.
No plano da tecnologia e segurança a bordo, foram apresentadas soluções inovadoras de protecção contra incêndios, tais como módulos de manutenção preditiva (E-Predict) fundados em inteligência artificial para detectar falhas eléctricas antes que ocorram, detectores com sensores de monóxido de carbono e sistemas de extinção por névoa de água de baixa pressão (water mist). Na vertente da digitalização e regulamentação naval, abordaram-se os processos de aprovação em modelos 3D através do formato neutro OCX (Open Class Exchange), os avanços no código MASS da IMO para navios autónomos e a aplicação obrigatória das directivas unificadas da IACS (E26 e E27) relativas à cibersegurança na arquitectura dos sistemas de tecnologia operacional (OT) e dos equipamentos a bordo.
Adicionalmente, defendeu-se a criação de uma estratégia industrial marítima europeia que salvaguarde a capacidade crítica de construção e reparação naval no continente, garantindo a autonomia estratégica e a sinergia entre os setores comercial e de defesa.









