A PowerShield actua no mercado da segurança privada, tem os alvarás A, B e C e está entre as principais empresas do sector em Portugal. No último ano, adquiriu a Imatrix e a carteira de clientes da Anthea e lançou novos serviços no mercado através da PWS. Em entrevista à Security Magazine, Paulo Lima, fundador e CEO da empresa, e Bruno Lima, board advisor, abordam os principais desafios do sector, olham para o futuro e avançam com as principais novidades e investimentos para 2025. Com uma média de crescimento de 10 milhões de euros por ano, para 2025, a empresa avança com as novas instalações na Maia, o lançamento do novo software próprio em Maio e a ampliação das instalações de Lisboa.
Security Magazine – O Paulo é fundador da PowerShield. Como é que as coisas se desenvolveram e chegaram até aqui?
Paulo Lima – Iniciei o meu percurso na segurança privada, em 1996, através da empresa Palanca Segurança. Em 2007, através de um fundo, foi constituída a Charon, e passei a integrar essa empresa nessa altura. A ideia inicial passou por criar uma empresa de capital português que conseguisse ombrear com as multinacionais Prosegur e Securitas, as quais dominavam o mercado da segurança privada em Portugal. No entanto, como éramos muitos sócios e, naturalmente, “muitas cabeças, muitas ideias”, o projecto não funcionou para mim. Chegámos a acordo e saí em 2013. Nesse mesmo ano, em Outubro, constituí a PowerShield.
A PowerShield está localizada em Lisboa, perto do Parque da Nações. Esta tem sido a sua casa desde então ou já houve mudanças?
Sim, temos estado sempre neste local. Hoje contamos com uma dimensão maior e estamos a investir substancialmente na ampliação das instalações.
10 anos que passaram depressa…
É verdade, parece que foi ontem. Recordo que começámos os nossos serviços de forma real em Outubro de 2014, com a Jerónimo Martins, cujos responsáveis confiaram em mim desde início.
Como avalia este percurso?
Nestes 10 anos, tendo em conta que existem mais de 80 empresas de segurança no país, a PowerShield cresceu acima do que seria suposto no mercado nacional. Em termos de ranking nacional, pelo que conseguimos apurar, é hoje a quinta ou sexta maior empresa de segurança em Portugal. Temos vindo a crescer em média cerca de 10 milhões de euros de facturação ao ano. O ano passado fechámos com cerca de 72 milhões de euros.
Entretanto, também foi criando e investindo noutras empresas?
Sim, fomos investindo noutras empresas que, de alguma forma, apoiassem e permitissem à PowerShield focar-se essencialmente naquilo que é a vigilância humana e tecnológica, através da central.
Nos dois últimos anos, fizeram alguns investimentos a esse nível, com a aquisição da Imatrix, por exemplo. O que vos levou a fazer essa aquisição?
A Imatrix era uma empresa familiar, presente no mercado há alguns anos, a operar sobretudo na zona de Sintra, dedicada à venda, instalação e fornecimento de sistemas. Neste momento, com esta aquisição, além de darmos uma dimensão maior à Imatrix, demos seguimento à nossa estratégia de diferenciação das nossas unidades de negócio.
No passado, na Charon, senti que quando uma empresa quer dedicar-se a tudo, acaba por não fazer nada muito bem e por canibalizar-se a ela própria, pois a vigilância humana acaba por argumentar que a segurança electrónica não funciona e vice-versa.
Desta forma, com esta estratégia, as nossas actividades ficam compartimentadas. Claro que há mais investimento da nossa parte pois temos recursos em duplicado nas duas empresas, mas consideramos que, desta forma, conseguimos prestar um melhor serviço o que, a longo prazo, irá reflectir-se no número de clientes, margem e negócio. É uma aposta que tem estado a correr bem.
Quem são os vossos grandes clientes?
80% da nossa facturação está no sector privado, nomeadamente na indústria e hotelaria. O retalho representa 50% deste valor. O cliente público representa cerca de 20% da nossa facturação.
A escassez de recursos humanos nesta área é uma preocupação?
Neste caminho que percorremos, e em conversa com os nossos clientes, constatámos que esse é um problema transversal que afecta as empresas de segurança privada de vigilância física ou humana. Além disso, nota-se uma diminuição da qualidade dos recursos humanos que existem. Por outro lado, não digo que as pessoas ganham bem, mas o custo do trabalho tem vindo a aumentar bastante. Esta realidade faz com que os clientes que necessitam de vigilância procurem outras soluções que não sejam a vigilância humana.
Face a esta situação, também tivemos de pensar em formas de continuarmos a existir e expandir a nossa operação. Nesse sentido, apostámos numa central, onde conseguimos dedicar uma sala a cada cliente, com operadores próprios. No entanto, continuávamos a estar dependentes do factor humano e da sua qualidade profissional para conseguirmos detectar furtos e roubos, – a nossa principal função.
Constatámos que a nível global não havia um software que conseguisse detectar furtos e roubos em tempo real pelo comportamento das pessoas ao executarem essas actividades. Nesse sentido, neste último ano e meio, fizemos um investimento brutal no desenvolvimento de um software nosso, o qual está em testes reais e que esperamos que a partir de Maio deste ano possamos ter a trabalhar a mais de 70%.

Relativamente este projecto, quais são as suas grandes mais-valias?
O Power Vision, assim denominado, é focado no shoplifting e irá revolucionar aquilo que se faz actualmente no mercado. Estamos neste momento numa fase de testes. Neste momento, 22 segundos depois de uma pessoa entrar num local, já conseguimos aferir, pelo seu comportamento, com 98% de veracidade se essa pessoa irá efectuar um furto ou não. É algo completamente diferente do que estamos habituados.
Se tivermos um operador a olhar para 30 ou 40 câmaras, é humanamente impossível controlar tudo. Se tivermos 10.000 câmaras ligadas a um sistema com alertas sobre determinada situação, o trabalho desse operador fica muito mais facilitado. Este sistema é altamente disruptivo, funciona 24/7 e elimina as dúvidas que possam existir em determinadas situações.
O software já está 100% desenvolvido?
Algumas partes ainda não estão desenvolvidas. Estamos neste momento com apenas um cliente a fazer esse desenvolvimento, através da alimentação da sua Inteligência Artificial com as suas imagens. Esse software tem de aprender sobre o que são casos reais e não reais.
Este software tem também a componente da prevenção da violência, ou seja, se duas pessoas estiverem a argumentar uma com a outra, fornece com 10 segundos de antecipação um alerta sobre a probabilidade de uma pessoa agredir a outra. Se nestes 10 segundos tivermos cinco ou seis de latência, o tempo que demoramos a actuar seria demasiado. Nesse sentido, temos estado a combater essa latência. Fizemos um acordo com a Nvidia, uma das maiores empresas do mundo em termos de processadores e placas, entre outros, e estamos com ela a desenvolver uma box que será colocada em todos os locais dos nossos clientes para diminuir a latência na transmissão da imagem. Não iremos, nos próximos 10 anos, conseguir uma transmissão em tempo real, mas conseguimos uma diferença de 1,5 segundos, o que é muito bom.
Bruno Lima – Estamos a ser um pouco conservadores pois é algo novo para nós e ainda estamos a tentar perceber o seu impacto. Em meados no ano, teremos a percepção do real impacto que esta solução terá no mercado. Será um negócio completamente novo e iremos fracturar as concepções e ideias existentes.
Paulo Lima – Se este software funcionar a 50% daquilo que temos previsto, será algo nunca visto e que não existe no mercado. Poderá fazer com que a questão da segurança no retalho e centros comerciais mude drasticamente.
E quando começará a ser comercializado?
A partir de Setembro/Outubro deverá começar a ser comercializado. O software será agregado ao nosso serviço da central e terá um custo mensal e não será comercializado pelo número de câmaras ligadas. Pretendemos depois começar a sua comercialização para fora de Portugal e alargá-lo a outros sectores, além do retalho.
Além do software, que outras novidades tecnológicas estão a preparar?
Estamos atentos a outras situações relacionadas com os operadores de telecomunicações. A falha de um operador de operações, para nós, é crítica. Com as ligações que temos dos alarmes e CCTV, se ficarmos “cegos”, deixamos de conseguir operar. O cliente atribui-nos essa responsabilidade e nós atribuímos a responsabilidade ao operador. Mas, efectivamente, esse é um grande desafio que este ano vamos tentar colmatar.
Através de um sistema redundante?
Nós já temos essa redundância, mas como os operadores utilizam todos os mesmos caminhos, esse sistema de redundância acaba por não existir, até porque os IPs não transitam entre operadores. Por isso, estamos a pensar fazer um investimento nessa vertente, de forma a criarmos um sistema de backup alternativo por ligação satélite. Há alguma ofertas, nomeadamente ao nível do serviço da Starlink, o qual ainda está muito voltado para a área residencial e não tanto para a indústria, mas que acabará por dar esse passo. É por aí que iremos nesta questão tecnológica, de forma a colmatarmos esse grande risco que temos.
Prevê abandonar, a segurança física ou complementar as duas áreas – a parte física e tecnológica?
Não prevejo abandonar a segurança física, até porque foi onde nasci, ou seja, fiz um percurso como militar e, quando entrei na segurança privada, foi na vigilância humana onde cresci e fiz vida.
Naturalmente, não pretendemos abandonar a segurança física. No entanto, percebemos que à medida que os anos passam, a segurança física tende a diminuir. Primeiro porque não há pessoas para trabalhar e, segundo, porque o custo do trabalho é cada vez mais elevado. Além disso, os clientes não têm orçamentos para continuar a investir. Se pensarmos no passado, um vigilante antigamente fazia tudo. Hoje, naturalmente, os vigilantes estão cada vez mais especializados.
Há, no entanto, alguns profissionais que defendem que o vigilante deva ter outras funções, além da vigilância, no futuro.
Em alguns países nórdicos, os vigilantes, dentro da sua função, só exercem 20% da actividade de vigilância. Se falarmos de um supermercado, fazem caixa, reposição, entre outras coisas. Em Portugal, ainda não estamos nessa fase.
Portugal, como país que teve algumas colónias, conta com algumas pessoas que vêm desses países, devido à facilidade da língua. Actualmente, o mercado ainda vai tendo essa mão-de-obra, mas no futuro não sei. No entanto, se continuar assim, não terá.
No fundo, é uma dificuldade transversal que vários sectores enfrentam.
Sim, penso que é transversal a vários sectores da economia, não só na segurança privada. No entanto, aqui é mais notório porque não temos outra matéria que não sejam pessoas. Foi por isso que decidimos enveredar por este caminho do investimento tecnológico.
Em termos de investimentos, além da Imatrix e da carteira de clientes da Anthea, que outros investimentos foram realizados?
Reforçamos a aposta na nossa empresa PWS e incrementámos os serviços prestados com o serviço de inventários. Havia no mercado nacional uma oportunidade de crescimento nessa área pois as empresas, cada vez mais, externalizam esse serviço, o qual estava praticamente entregue a apenas uma empresa a nível nacional.
Na PWS desenvolvemos outro tipo de softwares. Devido à necessidade interna, nomeadamente no que diz respeito à gestão das escalas dos vigilantes, desenvolvemos um ERP próprio. Os softwares existentes no mercado são muito fechados e qualquer desenvolvimento necessário é muito dispendioso e demorado, sendo que com o nosso nível de crescimento, não podemos estar dependentes de terceiros, por isso, criámos a PWS.
Olhando para a PowerShield, a sua actividade divide-se em duas grandes áreas, correcto?
Sim, a PowerShield conta com a área de vigilância humana e a central, ou seja, aquilo a que chamamos Security Operation Center, onde temos as ligações de alarme e CCTV, entre outros. A Imatrix está focada na venda, instalação e manutenção de equipamentos de segurança, da pequena residência até à indústria. Já a PWS está presente na área de informática e inventários.
Quantas pessoas trabalham actualmente na PowerShield?
Contamos com cerca de 4000 vigilantes a nível nacional. Os meus quase 30 anos de experiência no mercado, tem-nos permitido paulatinamente e de forma assertiva crescer e contratar as pessoas certas. Ao nível do backoffice contamos com cerca de 60 pessoas em todo o país.
Além das vossas infra-estruturas em Lisboa, contam com mais instalações em Portugal?
Estamos também na Maia, onde adquirimos agora duas novas instalações, que se encontram em fase de obra. Estas instalações no Norte irão permitir-nos ter no mesmo local a Imatrix e a PowerShield. Além disso, contamos com instalações no Funchal (Madeira) e em Ferreiras, perto de Albufeira (Algarve).

Estão neste momento também a ampliar as instalações de Lisboa. Que projecto é este?
Bruno Lima – Devido ao projecto da central e de termos uma sala dedicada a cada cliente, assim como ao nosso crescimento, decidimos ampliar as instalações de Lisboa em mais 720m2. No final de Fevereiro passaremos a contar com um total de 2100m2 em Lisboa.
Investiram no reforço da frota automóvel afecta à vossa actividade?
A nossa frota cresceu de uma forma incrível. Neste momento, temos mais de 200 veículos.
Quais são os maiores desafios que vê no futuro do sector?
Paulo Lima – A falta de recursos no mercado e o tempo que passa entre uma fiscalização realizada e a efectivação de qualquer tipo de consequência.
Durante muitos anos, a PowerShield não concorria a concursos públicos. No entanto, percebemos que para crescermos restava-nos seguir esse caminho.
O estado continua a ser o grande cliente da segurança privada?
Sim, no ano passado o Estado representou 70% da segurança privada física em Portugal, o que é uma fatia enorme do mercado.
No entanto, também aí surgem desafios?
É muito difícil perceber como é que, com os preços praticados nos concursos públicos, as empresas conseguem fazer face ao vencimento dos vigilantes, – já nem falo da questão dos impostos ou da margem, pois esta é uma miragem. Isso é um grande desafio para o sector.
Se 10, 15 ou 30 empresas têm esse tipo de práticas, a mossa é muito grande. O cliente não percebe a razão de uma empresa ir a concurso com uma diferença de quase 20% no preço em relação a outra e considera que esses 20% são margem. No entanto, na maior parte das vezes (para não dizer em todas), se atentarmos para as contas das 10 maiores empresas em Portugal não encontramos nenhuma com margem líquida acima dos 4%. Quando assim é, não se entende como é que as outras empresas conseguem apresentar preços, por vezes, com 20% de diferença.
Este é um tema recorrente, apontado pelo sector. O que poderia ser feito nesse sentido?
Em 1996, quando pedimos o alvará para a Palanca Segurança, estivemos quase um ano a aguardar. As autoridades competentes foram, – e acho muito bem -, perceber quem éramos e se tínhamos capacidade financeira para levar o negócio para a frente, entre outras coisas. Hoje, basta ter uma garantia bancária e um apartamento e é possível abrir uma empresa de segurança. Um administrador de uma empresa de segurança pode ter qualquer nacionalidade, mas, por exemplo, alguns administradores de empresas de segurança não podem ser vigilantes, o que é contraditório. Leva-me a crer que o Estado, numa matéria tão sensível como é a segurança, preocupa-se mais em receber o valor do alvará do que com qualquer outra coisa. Não digo que devemos ter um número único de licenças, mas, para um mercado de 10 milhões de pessoas, termos cerca de 80 empresas de segurança, leva a que a concorrência seja enorme e que as empresas sejam inventivas para conseguir sobreviver. Além disso, existem empresas em Processo Especial de Revitalização (PER) que continuam a ser contratadas e a praticar preços que ninguém entende. Enquanto assim for, o mercado vai-se degradando dia após dia.
O Estado tem uma palavra a dizer sobre isso?
Este sector representa, no máximo, umas 45.000 pessoas. Para o Estado, porventura, não tem o peso que deveria ter. Temos consciência que o Estado possa ter outras prioridades que não seja a segurança privada.
É diferente, face a outros países onde, de alguma forma, a segurança privada anda de mãos dadas com as forças de segurança, como em Espanha, por exemplo?
Aqui as coisas funcionam um pouco ao contrário. A entidade que nos fiscaliza, a PSP, é também quem nos faz concorrência. Isto porque também ela não tem orçamento e, para poder pagar um pouco mais aos agentes, tem de fazer gratificados, os quais concorrem com a vigilância privada. Não faz muito sentido uma entidade fiscalizadora da segurança privada ser, ao mesmo tempo, sua concorrente.
Estes são alguns problemas que vamos tendo. Além disso, todos os anos, a legislação é mais castradora das empresas de segurança pois cria situações e exigências a cada ano. Por exemplo, um vigilante com um curso de formação de um mês e meio de duração fica mais um mês e meio a aguardar pelo cartão profissional. Como é que este vigilante fica três meses sem trabalhar? Quem paga a esse vigilante? Além do facto de não poder faltar uma única vez durante o curso, o que não acontece nem numa faculdade. Na minha perspectiva, são leis bastante restritivas e que não nos permitem crescer enquanto sector.
Sente que existe uma necessidade de o Estado se posicionar, olhar efectivamente para o sector, reunir-se com os seus players e discutir estas preocupações?
Sem dúvida nenhuma. Devia haver reuniões semestrais, com as associações do sector, polícias e empresas para abordarem estas questões. Nós somos uma actividade que é ajudante de tudo o que concerne à segurança.
Bruno Lima – Nos últimos tempos também temos presenciado um incremento da violência e falta de segurança e é importante que esta matéria esteja, cada vez mais, na ordem do dia.
Enquanto profissionais do sector, consideram que a existe um aumento da falta de segurança no país?
Paulo Lima – A PowerShield é muito forte na segurança em centros comerciais, é um dos nossos maiores grupos de actividade, e todos os dias notamos um aumento de furtos, roubos e violência praticada durante esses actos. Por outro lado, não vimos, de forma nenhuma, as polícias a conseguirem responder, porque também têm falta de pessoas e equipamentos. Isto é uma bola de neve.
Com 30 anos de experiência, nota uma grande diferença, face ao que acontecia anteriormente?
Sim, muito grande mesmo.
Mas a que nível?
Na agressividade e forma como os roubos são feitos. Nota-se também uma alteração do perfil das pessoas que praticam esses furtos e das formas de actuação, completamente diferentes das que estávamos habituados. Portanto, a segurança em Portugal tem de atender a estas coisas e desenvolver-se, caso contrário não conseguirá acompanhar esta evolução.
Face ao que se vive no mundo, a nível global, como olham para a evolução da segurança privada em Portugal?
Se por um lado, o nosso país tem muita vontade de criar legislação, regras e obrigações, por outro, é pouco prático, ou seja, leva imenso tempo a transpor a legislação do papel para a realidade. Com o aumento da violência e dos roubos, especialmente nas grandes cidades, teremos rapidamente de alterar esta realidade. Futuramente, terá de haver mais investimento na videovigilância das cidades, o RGPD terá de ser alterado para algo menos restritivo e as empresas terão de adaptar-se a este nível tecnológico de segurança.
Bruno Lima – Creio que neste ramo, só quando algo realmente acontece é que começamos a pensar sobre isso. Creio que a segurança tem de ser pensada no sentido da prevenção e não na reacção e no acto da ocorrência.
Ao longo desta entrevista, foi abordado diversas vezes a escassez de recursos humanos. O que a PowerShield tem feito no sentido de colmatar essa carência e também no sentido de formar novas pessoas?
Bruno Lima – Muitas vezes sentimos que, além da falta de escassez de recursos humanos, a própria qualidade do serviço entregue ao cliente tem vindo a decrescer nos últimos anos. Por isso, tivemos urgência para criar o nosso próprio de centro de formação. Este permite-nos, por um lado, colmatar a escassez transversal a todo o mercado e, por outro, passar a nossa cultura, valores e necessidades de serviço aos vigilantes. Além disso, temos promovido campanhas nas redes sociais e formações junto com outras autoridades e instituições para promover a imagem da segurança. Uma das nossas grandes preocupações é a de conseguir atrair pessoas para esta área. Paralelamente, criámos a aplicação do colaborador Shield que nos permite comunicar e transmitir as nossas mensagens internas aos nossos 4000 colaboradores.
Quantas pessoas formaram desde a criação do centro?
Apostámos neste centro há cerca de ano e meio e, desde então, já formámos mais de 200 pessoas. Aqui temos a renovação e também a formação inicial, assim como as especialidades de ARD e ARE, entre outras.
Após a frequência nesse curso, o vigilante passa a integrar a vossa estrutura?
Paulo Lima – Durante o curso podemos identificar alguns perfis que mais se enquadram e adequam às nossas necessidades e integrar essas pessoas. Temos como política que, para o vigilante que faz o curso de formação inicial connosco e fica na PowerShield, o curso não terá custos.
Por onde passa o vosso crescimento este ano?
O ano passado correu bastante bem. Este ano, porventura, não conseguiremos acompanhar, em termos de dimensão, aquilo que nos aconteceu o ano passado em termos de crescimento, isto porque crescemos 19 milhões de euros num ano.
Este ano, iremos focar-nos na questão do software, nas comunicações e no crescimento natural puxado pelo reconhecimento da marca. Sinto que o mercado já começa a identificar a PowerShield como uma empresa de referência. Este ano queremos estabilizar a nossa operação e focar-nos fortemente no nosso novo software.









