Cibersegurança: Kaspersky apresenta novidades ao mercado ibérico

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A nova actualização do Kaspersky Security Cloud (KSC) foi apresentada, ontem, em Madrid, num evento exclusivo para a imprensa. Além das novidades para 2020, a multinacional de cibersegurança focou o evento “Save the Date” na importância da privacidade e valor dos dados.

O KSC é um serviço que protege vários dispositivos e disponibiliza diversas ferramentas de controlo de segurança através de uma única conta.  A empresa assegura que o novo KSC “reduz o risco de violação da privacidade dos utilizadores, alertando-os para as autorizações solicitadas por apps em dispositivos Android – como contactos, localização e câmara)”, notificando-os sobre tentativas de phishing escondidas em links encurtados de acesso a websites.

Pablo Alonso, retail sales manager da Kaspersky

Durante a apresentação, Pablo Alonso, retail sales manager da Kaspersky, explicou que hoje o foco da empresa é a protecção do utilizador. Neste sentido, o novo KSC assume-se como um centro de segurança “adaptado ao próprio utilizador que dá conselhos de segurança, totalmente personalizados, protege apenas quando é necessário e dá mensagens de alerta”. O novo KSC dedica-se também ao controlo de permissões ao nível da gestão das aplicações, permissões por tipo e permissões por aplicação. “O interessante é que podemos informar o utilizador sobre aplicações que têm permissões potencialmente perigosos”, disse.

A empresa disponibiliza três edições do KSC – free (versão alargada do Kaspersky Free que suporta o Windows e dispositivos móveis), personal e family. Cada uma destas edições inclui diferentes aplicações, ferramentas e tecnologias.

Além da actualização deste serviço, a empresa “melhorou a interface e as funcionalidades-chave do Kaspersky Anti-virus, do Kaspersky Internet Security e do Kaspersky Total Security”, com o objectivo de “melhorar a sua performance geral, sistema de notificações e experiência dos utilizadores com o serviço”.

Em simultâneo, a empresa simplificou o modo como as credenciais e informações de contas são partilhadas entre vários produtos da marca. “Graças às melhorias mais recentes, os clientes que já utilizam algum dos softwares da Kaspersky não necessitam de introduzir novamente as suas credenciais, sempre que instalam um novo produto” e “podem gerir os vários produtos através de uma única plataforma, a My Kaspersky”.

Privacidade digital: o verdadeiro valor

Fundada em 1997, a Kaspersky tem hoje mais de 400 milhões de utilizadores em todo o mundo e cerca de 270.000 clientes corporativos. A empresa foca a sua actuação na segurança e proteção de empresas, infra-estruturas, governos e consumidores a nível global, sendo que do seu portfolio encontram-se serviços de protecção de endpoint e outros, os quais visam o combate a ameaças digitais, cada vez mais crescentes e elaboradas.

A propósito das ciberameaças, um relatório da empresa revela dados importantes sobre o cenário digital mundial:

– 93% dos consumidores estão online várias vezes por dia

– ¼ (26%) das pessoas já viu os seus dados pessoais serem acedidos por alguém sem o seu consentimento

– 31% de pessoas entre os 16 e 24 anos já viu os seus dados pessoais serem acedidos por terceiros sem consentimento

– 21% dos inquiridos no estudo perdeu dinheiro

– 25% passou a ser incomodado por spam e anúncios indesejados

– Apenas 62% das passwords dos utilizadores protegem os seus dispositivos

– 35% verifica regularmente e altera definições de privacidade dos dispositivos, serviços e apps

– 25% dos utilizadores tapa as webcams

– 1 em cada cinco homens encriptam dados contra 1 em cada 10 mulheres

 

Quanto valem os nossos dados?

No arranque do evento na capital espanhola, Dani Creus, senior researcher da Kaspersky, analisou de perto a economia do cibercrime e os preços praticados no mercado negro. Como destacou, “todos consideramos que a privacidade é um direito inalienável mas parece que cada vez nos protegemos menos”.

Dani Creus, senior researcher da Kaspersky

Para o especialista, o argumento de que “não temos nada a esconder” é “muito perigoso”, até porque, tudo o que existe dentro de um computador pode ter um valor no mercado negro. E desengane-se quem considera que a informação roubada está disponível apenas na dark web. “Uma das palavras que melhor definem o cibercrime é a disponibilidade”, justificou, referindo que todos os elementos estão disponíveis na internet “normal”.

Dani Creus foi mais longe nas suas afirmações e mostrou vários exemplos de marketplaces, extremamente organizados, cujo propósito é a venda de credenciais, senhas de contas de redes sociais ou email, cartões bancários, contas de jogos, passaportes, cartões de cidadão ou selfies, entre outros, de vários países, inclusive de Portugal.

No final da sua demonstração, o especialista da equipa de investigação da Kaspersky alertou ainda para a mudança de paradigma, sendo que o foco da empresa deixou de ser a protecção do dispositivo para passar a ser a protecção do utilizador, consoante o tipo de dispositivo que possui. Além disso, destacou os novos vectores de ataque, nomeadamente ao nível do acesso a redes wi-fi não protegidas. Para o responsável, ficou claro que é importante desconfiar de qualquer mensagem suspeita, apostar em camadas extra de protecção, nomeadamente através da autenticação dupla, e evitar a replicação de passwords para diferentes canais ou plataformas.

 

A Security Magazine viajou a Madrid a convite da Kaspersky.