Cibersegurança: internet criou um “novo faroeste”

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Há uma revolução “silenciosa” em áreas não regulamentadas da internet que está a levar ao surgimento de um novo sector privado de segurança, indica um recente estudo da Universidade de Portsmouth. Como indica, “no vácuo na internet, há empresas de segurança privada a prosperarem neste novo faroeste”.

É um assunto frequentemente descrito como “o novo faroeste”, onde os criminosos encontram novas oportunidades online. O estudo mostra como alguns indivíduos e organizações estão a fazer cumprir a lei com as próprias mãos para se protegerem.

O estudo, publicado no Journal of Contemporary Criminal Justice, investiga o impacto da mudança tecnológica e descobriu que essas empresas privadas de segurança operavam em lugares onde os Governos falharam como regulador.

O professor Mark Button, director e fundador do Centro de Estudos de Luta Antifraude do Instituto de Estudos de Justiça Criminal da Universidade de Portsmouth, descreve o fenómeno como “uma segunda revolução silenciosa” que causou o surgimento de um novo sector de segurança e que carece de políticas urgentes para responder rapidamente ao seu surgimento e a regulá-lo”.

O mesmo professor alerta que: “Está na altura de os pesquisadores começarem a entender melhor essas novas formas de “policiamento” privado. E, onde as evidências suportam esta realidade, desenvolver novas ideias políticas para uma melhor regulamentação para estas actividades que crescem cada vez mais. A tecnologia está a mover-se rapidamente e o “policiamento” necessita de acompanha-la”.

O estudo aponta que a forma como a maioria das pessoas compra, joga, usa os bancos e até mesmo se relaciona é muito diferente de há 20 anos – sendo que há muitas empresas a oferecerem serviços nessas áreas. Esta mudança levou a uma mudança também nos padrões do crime. Um estudo no Reino Unido mostrou que a fraude e o uso indevido de computadores relacionado com ofensas duplicou de 5,8 milhões em Junho de 2017 para 10,7 milhões em Setembro de 2018.

O crescimento do crime na internet embora não é surpreendente, especialmente se tivermos em consideração o rápido aumento do uso da internet. Em 2016, o número de adultos que usava internet no Reino Unido era de 36%. Em 2018, o número aumentou para 86%.

Muitas organizações procuram proteger-se do crescente problema do ciber crime adquirindo serviços e criando novas funções nas suas estruturas.

Como refere, “as necessidades das organizações e indivíduos para lidarem com os crescentes problemas de cibersegurança geraram o surgimento de uma grande variedade de novas empresas a oferecer esses serviços, bem como algumas empresas de segurança tradicionais que se transferem para essa área de negócio”.

O estudo aponta que este é um sector novo e em expansão e muito dinâmico, respondendo à medida que a própria tecnologia evolui e as ameaças mudam. Como afirma, está a crescer rapidamente em todo o mundo. Em 2017, a “Markets & Markets” estimou que o mercado global de cibersegurança valeria cerca de 137,85 mil milhões de dólares. Prevê-se que venha a valer 231,94 mil milhões em 2022.

As mudanças tecnológicas alimentaram as novas oportunidades para algumas pessoas a título individual participarem voluntariamente neste “policiamento”.

A internet criou um espaço para indivíduos que têm tempo e capacidades para realizar as suas próprias investigações. Existem alguns casos positivos em que criminosos foram levados até à justição devido a investigações de pessoas comuns. No entanto, de uma forma mais controversa, essa situação facilitou o surgimento de uma nova forma de vigilância. A forma mais controversa, de acordo com o documento, é aquilo a que se chama de “caçadores de pedófilos”.

 

O estudo deixa algumas sugestões para ajudar a corrigir esta situação:

  • mapear as actividades e a extensão da nova segurança privada e policiamento privado
  • identificar áreas de maior preocupação em termos de respostas regulatórias e de governança, com particular foco nas novas funções que possam exigir licenciamento
  • Explorar a adequação das estruturas regulatórias e de governança existentes para desempenhar essas funções sempre que necessário
  • Identificar novos modelos de regulação e governança onde as estruturas existentes não são consideradas apropriadas

O estudo concluiu que uma prioridade para os legisladores deve ser a análise mais aprofundada e focada dessas novas actividades, de forma a avaliar se os mecanismos reguladores e de governança actuais funcionam e se as novas estruturas devem ser criadas para lidar com esses mecanismos.