A coordenadora do departamento de qualidade, ambiente e segurança da Veolia Portugal, Tânia Lopes, falou sobre os processos preventivos adoptados pela empresa durante uma conferência em Lisboa, organizada pela PrevenControl.
A Veolia tem competências na área da água, resíduos e energia, tendo uma grande dispersão geográfica estando com equipas em mais de 90 contratos e contando com centenas de colaboradores. Para chegar a todas as pessoas, a empresa começou a trabalhar em cinco pilares desde a gestão de topo até ao chefe de turno: ser um exemplo; compromisso; presença nos locais; mindset comum e impacto.
Tânia Lopes destacou a importância da comunicação nas interacções ao nível da segurança. “Estamos a melhorar ao nível da comunicação mas na maioria dos locais ainda temos um tipo de comunicação para a segurança que não cria impacto”, notou. Ao nível da melhoria da comunicação ideal, a empresa procura ter uma comunicação simples, gráfica e que chegue às pessoas.
Até 2019, a Veolia apostava numa segurança tradicional. No entanto, a partir desse ano arrancou com o programa VIVER e começou a trabalhar toda a parte comportamental. Já em 2023 iniciou a implementação da cultura justa e, no último ano, começou a alterar o tipo de comunicação, baseada numa maior participação das pessoas, com reuniões mensais com participação das chefias. A responsável diz que foi alterado o discurso, o qual passou a estar focado nas pessoas e em realidades concretas; e foram desenvolvidas outras formas de comunicação, como newsletters.
Além destas iniciativas, a empresa apostou na formação e desenvolvimento – nomeadamente, através da realização das conversas sobre segurança e visitas de segurança.
Como apontou, a Veolia tem uma abrangência grande, tendo identificado 10 actividades de risco elevado, tendo definido 13 regras que salvam vidas. Para a empresa o risco mais crítico é o da circulação para a qual a empresa definiu três regras.
A empresa procura que cada colaborador seja um gestor de riscos, faça um self assessment de cada vez que inicia um trabalho no local e que possa usar o conceito de stop work authority, assim como o de copy and adapt. Relativamente ao último conceito, a responsável destacou que a empresa copia e adapta práticas que se mostram um sucesso noutras geografias onde a organização está presente. “Não vou ter tempo de ver todos os erros existentes, mas se aprender com o erro dos outros, fico mais preparada”, disse.
Tânia Lopes destacou ainda a existência de três tipos de requisitos dentro da organização – P1 (requisitos que podem provocar acidentes permanentes ou mortais); P2 (que podem provocar acidentes com paragem); P3 (que podem provocar ou não).
Ao nível do grupo, existe um contrato de acções preventivas que são cumpridas, sendo que se não forem cumpridas há consequências ao nível do bónus dos trabalhadores em toda a estrutura.
Neste momento, destacou que os próximos passos da empresa passam por continuar a capacitar as pessoas a dizerem não, implementar a cultura justa; valorizar positiva e negativamente quem deve ser valorizado. Quanto à percepção do risco, salientou que existe uma alta tolerância ao risco na empresa e é importante as pessoas perceberem isso. “Temos de ser um grupo unido”. Como concluiu, “a segurança não é uma coisa da chefia, mas sim de todos nós. Só chegamos aos zero acidentes se tivermos todas as pessoas numa cultura interdependente.
Foto: PrevenControl









