A entrega dos Prémios de Segurança da Security Magazine decorreu na passada semana, no Corinthia Lisbon. O evento premiou e distinguiu todos aqueles que participaram na quarta edição desta iniciativa anual.
Na sessão de abertura, Rita Sousa, directora editorial da Security Magazine, destacou o percurso e a importância desta publicação para o sector e para os seus profissionais. “Todos conhecemos os desafios que os profissionais de segurança têm no dia-a-dia na implementação de melhores práticas e criação de uma verdadeira cultura de segurança nas suas organizações. É também por isso que estes Prémios se revestem de extrema importância. Queremos que esta distinção também seja útil para que, internamente, o board e restantes colaboradores entendam a importância do investimento em segurança e que percebam que o seu esforço é valorizado e reconhecido. Este é um prémio para a segurança, para as equipas, para as lideranças e organizações que, diariamente, se esforçam por manter seguras as suas pessoas, bens e negócios”.
Nesta edição, foram atribuídos os Prémios nas categorias de Inovação, Cybersecurity Awareness, Segurança Corporativa, Segurança Corporativa – Eventos, Segurança no Trabalho, Segurança Electrónica e Inovação. Além disso, foram ainda reconhecidas duas empresas pelas redacção da Security Magazine e atribuído um prémio Carreira e uma Menção Honrosa. A edição deste ano contou com a participação de 26 candidaturas de 25 empresas/entidades e com uma votação dos leitores de 5067 votos, o que constitui um crescimento face à edição de 2024.
César Silva, director-geral do Corinthia Lisboa, deu as boas-vindas aos presentes e felicitou a organização pelos Prémios de Segurança, um evento que celebra a excelência no sector da segurança, vital para as organizações e sociedade. “No Corinthia LIsbon valorizamos uma cultura de segurança integrada – liderada por Marcos Alexandre – com colaboradores empenhados na protecção de de bens e pessoas. O nosso departamento de segurança garante um ambiente seguro, acompanhando as mudanças diárias com proactividade”, disse.
A cerimónia teve início com a entrega do Prémio Carreira ao contra-almirante António Gameiro Marques que, no passado dia 31 de Maio, cessou as suas funções como director-geral do Gabinete Nacional de Segurança. Com um percurso longo ao serviço da defesa e da segurança, António Gameiro Marques passou pela Marinha, prestou serviço em vários navios da Armada, esteve envolvido na equipa de projecto dos sistemas de combate das fragatas da classe Vasco da Gama, foi conselheiro militar de Marinha do Embaixador de Portugal junto da Aliança Atlântica em Bruxelas, foi CIO da Marinha, Secretário-geral adjunto do Ministério da Defesa Nacional e desde 2016 director-geral do GNS.
“Estava sentado no meu gabinete quando vejo o mail a entrar e, como profissional desta área pensei: é phishing”, brincou António Gameiro Marques durante a entrega. O responsável agradeceu o reconhecimento, destancando que “apesar de já não ser director-geral do GNS e ser um jovem reformado, continuarei activo. Naquilo em que acredito ser a segurança das organizações e enquanto tiver capacidade cognitiva para ser útil à sociedade contem comigo”.
A Menção Honrosa foi atribuída ao Laboratório Digital Forense da Polícia Judiciária, inaugurado em Outubro de 2024, como sendo parte do processo de transformação em curso na PJ e na aposta de uma visão mais digital. Neste laboratório foram investidos quase 7 milhões de euros, contando com uma equipa de mais de 60 especialistas da polícia científica. Aqui são realizadas análise de evidências, peritagem e extracção de dados dos equipamentos em análise. Há ainda espaço dedicado à automação digital para perícias forenses balísticas. O prémio foi recebido pelo Director Nacional Adjunto da PJ, Carlos Farinha. “Com a transformação digital, os desafios são todos novos e diferentes, e independentemente de caminharmos num plano digital de IA, não nos esquecemos das pessoas e não ignoramos que aquilo que fazemos é com, por e para as pessoas”, disse. “A estratégia que temos vindo a seguir ao nível da ciência forense insere-se numa estratégia europeia que, se alcançar o que pretende, em 2030, terá o reconhecimento amplo e recíproco de todos os países comunitários nesta actividade pericial e de apoio à investigação criminal. Não nos basta sermos inteligentes, tecnológicos e científicos, mas temos de ser processualmente válidos e esse é um desafio adicional”.




Na categoria de Cybersecurity Awareness foram distinguidos os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), com o projecto sobre a sensibilização e formação de profissionais na área da saúde, tendo o prémio sido recebido por Luís Miguel Ferreira, vogal do Conselho de Administração, e Jéssica Domingues, coordenadora da unidade de cibersegurança. Segundo Luís Miguel Ferreira, “o SPMS tem feito um grande investimento em infra-estruturas e soluções e processos internos, mas também na sensibilização de toda a comunidade do ecossistema da saúde”. Como apontou, “as pessoas são o elo mais fraco neste processo e, por isso, se tivermos a casa muito blindada, com muitas soluções informáticas, em termos de hardware e software e processos muito robustos, mas se não tivermos a comunidade e colaboradores bem sensibilizados para este tema, teremos as portas abertas para que as coisas corram mal. Obviamente que isto se faz com uma equipa muito focada e, neste sentido, realço o trabalho extraordinário desenvolvido pela Jéssica Domingues, o qual tem dado frutos. Fomos recentemente brindados com o selo de maturidade na área da cibersegurança, o qual também é fruto do trabalho desenvolvido nos últimos tempos e o esforço feito nesta matéria, nomeadamente ao nível da abordagem dos colaboradores nesta questão”.
O prémio de melhor projecto de segurança electrónica foi atribuído à EY com o sistema de monitorização e controlo de riscos, tendo sido recebido por André Rocha Alves, Physical Security Manager – Portuguese Cluster da empresa. “Uma consultora auditora estar a concorrer a um prémio de segurança física não é muito normal. Quando concorremos não estava muito esperançado relativamente à vitória. Este projecto, que fizemos em Portugal, e estamos a realizar para os restantes países, teve o apoio da Prosegur, Axis e Genetec naquilo que foi concluído para o projecto dos escritórios de Lisboa e Viseu e que teremos no Porto, Angola, Moçambique e Cabo Verde – que passa pelo controlo de todos os países da nossa região através da Europa e estender o projecto para o resto do mundo”.
Ao nível do projecto de Inovação, foram, este ano, atribuídos três prémios – Processos, Produto e Software. Na categoria de Processos, foi distinguida a Águas do Norte com o projecto de risk management após baseline de comunicação IT e OT, tendo sido entregue a Frederico Lopes, Director de Tecnologias de Informação e Inovação – Coordenador de Investigação, Desenvolvimento e Inovação, e Rui Braga, responsável de Tecnologias de Informação e Inovação – Infraestruturas de Processamento / Segurança da Informação e Cibersegurança. Frederico Lopes destacou a importância deste prémio. “A visão que temos da cibersegurança é holística e integrada daquilo que é o IT e o OT. É importante garantir a segurança de um parque operacional que conta com mais de 200.000 activos ligados em rede e que garante que chegue água segura às nossas torneiras. É um projecto muito desafiante. Ter esta ambição de criar uma única visão de cibersegurança na nossa organização – de consolidar e unificar processos – tem sido um trabalho muito interessante e desafiador, apenas possível graças a equipas e parceiros bastante empenhados”.




A categoria de Inovação – Produto foi vencida pela Ertecna com o projecto Masterlux – – a inovação em iluminação e sinalização de segurança, recebido por Daniel Fernandes. “Represento uma equipa multidisciplinar de mais de 20 profissionais de uma marca portuguesa, com desenvolvimento e engenharia portuguesa e patenteada. Foi considerada pelo IPQ como inovação do estado da arte, o que significa que inventámos equipamentos de iluminação e sinalização de segurança”, destacou o responsável durante a cerimónia.
A categoria de Inovação – Software foi vencida pela PowerShield com o projecto Powervision – o futuro da vigilância. O prémio foi recebido por Paulo Ribeiro de Lima, CEO, e Bruno de Lima, board advisor da empresa. “Somos uma empresa que nasceu com a vigilância humana mas com o passar do tempo vimos que tínhamos de fazer face a uma questão que, infelizmente, existe cada vez mais na nossa sociedade associada aos furtos e roubos na grande distribuição. Naturalmente, não é um vigilante que consegue controlar a loja no seu todo. Nesse sentido, procuramos um software com IA que nos permitisse fazer esse trabalho de forma automatizada e assertiva. Encontrámos em Portugal uma empresa que desenvolvesse connosco este software, inovador a nível mundial. Estamos a ter resultados espectaculares, acima das nossas expectativas, e brevemente conseguiremos também exportar este produto. Esperamos com isto também melhorar a qualidade da nossa prestação de serviços”, referiu Paulo Ribeiro de Lima.
A categoria de Segurança Corporativa foi vencida pela Auchan Retail Portugal com um projecto relacionado com a estrutura e função da análise de informações de segurança. O prémio foi recebido por Luís Fonseca, Responsável pelo Cumprimento Normativo e Coordenador de Segurança Económica, e Madalena Duarte. O responsável agradeceu à equipa, como parte fundamental deste projecto, o qual permite diversificar o papel que a segurança tem nas organizações e à Auchan por “acreditar no investimento na área da segurança, acreditar nela e proporcionar e facilitar todo o desenvolvimento das actividades”.
A categoria de Segurança Corporativa – Eventos, cujos candidatos foram propostos pela Security Magazine, foi vencida pela organização do Rock in Rio – Lisboa. O prémio foi recebido por Anna Pinheiro, directora de operações do RIR, que se fez acompanhar pelo seu parceiro na área da segurança Luís Baptista, director-geral de vigilância da Prosegur. “No Rock in Rio, somos 15.000 credenciados e na parte da segurança fazemos muito planeamento regular desde 2006 com a Prosegur. Nenhum evento é igual a outro. No ano passado, por exemplo, fomos para o parque Tejo o que nos obrigou a refazer todo o planeamento do zero. Passamos a parte da segurança para um evento familiar, que permite que as pessoas possam ir e saibam que serão bem cuidadas e a revista será bem feita. É uma honra receber este reconhecimento e gostaria que todos os eventos em Portugal tivessem essa atenção. O trabalho da segurança e das equipas de operações é muito notado quando falta e também por isso o trabalho de todos nós aqui, hoje, é muito importante”. Luís Baptista destacou que “esta é uma parceria de 20 anos mas que todos os anos é reinventada e todos os anos aprendemos mutuamente no sentido de ultrapassarmos alguns desafios juntos. As pessoas aqui são o elo mais forte e sem elas não seria possível com o empenho de todos e a vontade de ultrapassar este desafio”.




Na categoria de Segurança no Trabalho foi distinguida a Joaquim Chaves Saúde, com um projecto focado nas iniciativas integradas para a segurança, saúde e bem-estar dos colaboradores, cujo prémio foi recebido por Hugo Neves e Pedro Medeiros. “A JCS agradece a todos os seus colaboradores e administração pelo apoio nas iniciativas desenvolvidas internamente relacionadas com a saúde e bem-estar dos seus colaboradores”, destacou Hugo Neves. O responsável disse que no âmbito das análises clínicas da Medicina do Trabalho a empresa disponibiliza esses serviços a todas as empresas candidatas e leitores da Security Magazine (mais informações através do email [email protected], indicando a referência “Security Magazine – JCS”).
Por fim, a Security Magazine decidiu conceder dois certificados de reconhecimento. Em primeiro lugar, ao projecto desenvolvido pelo LIDL Portugal – o POSH. Um projecto iniciado em Portugal ao nível da área de segurança e saúde no trabalho, que envolve vários departamentos da organização, e que já está hoje a ser replicado noutros países. O certificado foi recebido por Elias von Humboldt – Director do departamento de Segurança no Trabalho & Gestor Internacional do Projecto POSH, e Miguel Almeida – Engenheiro Informático & gestor responsável pela equipa de desenvolvimento da plataforma. “Estamos a levar este projecto para outros países e está a ser uma aventura incrível. Estamos com o projecto neste momento em 10 países, num universo de 75 países e mais de 12.000 lojas na Europa e EUA.
Essencialmente, fizemos a área de SST medível numa perspectiva holística, ou seja, quantificamos a segurança no trabalho de forma global – em cada departamento e geografia”. Em Portugal a empresa já registou uma redução de 25% nos acidentes de trabalho com este projecto.
O segundo reconhecimento foi atribuído à Zagope, uma empresa fundada em 1967, com actividade na área da construção e engenharia, com operações na Europa, África e Ásia. Esta distinção está relacionada com o trabalho desenvolvido na área de segurança no trabalho por considerarmos esta uma área de extrema preocupação no que diz respeita à segurança dos seus colaboradores. O prémio foi recebido por Mónica Pereira, com responsabilidade pela qualidade, segurança e ambiente da Zagope. “Somos uma empresa de construção civil, uma área muito complexa no que respeita a acidentes, risco e exposição dos trabalhadores a situações perigosas. Neste sentido, temos desenvolvido programas de sensibilização e motivacionais dos trabalhadores, para que possam estar alertas para este tipo de situações”.
Todos os restantes participantes receberam os certificados de participação pela selecção e participação nesta edição.
Leia a edição especial bimestral e veja a reportagem fotográfica do evento. As candidaturas aos Prémios de Segurança 2026 irão abrir em Janeiro de 2026. Mantenha-se atento. Subscreva a newsletter da Security Magazine para obter informações actualizadas.
A Security Magazine agradece a participação de todos os candidatos deste ano e felicita os vencedores pelos projectos desenvolvidos, assim como agradece ao hotel Corinthia Lisbon pela parceria e colaboração nesta iniciativa.
Participante: PRIO, Câmara Municipal de Cascais, Silva & Vinha, MA Automotive Portugal, Zagope, Inspiring Valley, PowerShield, Escola Profissional de Campanhã, Lidl & Companhia, Lisnave, Ertecna, Bragalux, SIBS Gest, EST, Joaquim Chaves Saúde, Nanta Portugal, VisionWare, Ernst & Young, Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, Águas do Norte, Neurónio Inédito, Indústrias e Comércio de Calçado, Auchan Retail Portugal e Exactusensu








