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A Segurança Privada Ficou Mais Pobre: Homenagem a António Vitorino

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Por Manuel Sacramento, profissional de segurança

O setor da segurança privada perdeu uma das suas vozes mais lúcidas, empenhadas e respeitadas. António Vitorino, vigilante ao serviço da empresa SECURITAS, profundo conhecedor do direito laboral e incansável defensor da dignidade profissional dos vigilantes, partiu, deixando um vazio irreparável entre aqueles que, ao longo de vários anos, beneficiaram do seu saber, da sua dedicação e da sua integridade.

Licenciado em Estudos de Segurança pela Universidade Lusófona e, mais recentemente, estudante de Direito, António Vitorino destacou-se pelo rigor com que abordava as questões laborais e jurídicas no contexto da segurança privada. O seu domínio da legislação, aliado a um conhecimento aprofundado da contratação coletiva do setor, tornava-o uma referência incontornável entre os profissionais. As suas respostas e orientações nunca se baseavam em meras suposições ou juízos apressados, mas sim numa leitura criteriosa e fundamentada da lei. Esta postura rigorosa, aliada a um espírito combativo e ao mesmo tempo ponderado, granjeou-lhe o respeito de colegas, representantes sindicais e até de alguns decisores políticos.

No exercício da sua atividade sindical, como membro ativo do Sindicato SUSP, marcou presença em múltiplas reuniões na Assembleia da República, onde defendeu com firmeza os direitos dos trabalhadores do setor. Com habilidade no diálogo e clareza nos argumentos, António Vitorino soube representar com elevação a causa dos vigilantes, intervindo junto de deputados de diversas forças políticas e contribuindo para colocar o problema da segurança privada na agenda pública.

Mas para além do militante e do profissional exemplar, António Vitorino era também um homem de gosto e equilíbrio. Apreciador da boa gastronomia e dos pequenos prazeres da vida.

Importa ainda recordar que António Vitorino nutria particular estima pelo período em que cumpriu serviço militar, experiência que reconhecia como estruturante do seu caráter e da sua visão do mundo. Para ele, a disciplina, o respeito hierárquico e o sentido de missão que caracterizam a instituição militar constituíam valores que, em certa medida, deveriam inspirar o setor da segurança privada. Não no sentido de uma militarização acrítica da profissão, mas antes na convicção de que uma certa disciplina organizacional, aliada à valorização das competências dos profissionais, é essencial para a credibilização e dignificação do setor. A sua reflexão sobre esta matéria, sempre serena e ponderada, deixava transparecer um desejo genuíno de contribuir para a construção de uma segurança privada mais profissional, mais coesa e mais respeitada socialmente.

A sua morte empobrece profundamente o universo da segurança privada. Perde-se uma voz esclarecida, firme e generosa. Perde-se um cidadão que, com humildade e tenacidade, fez da sua vida uma causa pública. Que o seu exemplo inspire outros a continuar a luta pela dignidade, pelo reconhecimento e pela valorização de todos os profissionais que zelam, muitas vezes de forma invisível, pela segurança de todos nós.

António Vitorino, descansa em paz.
A tua luta não será esquecida.

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