• Início
  • Notícias
  • “Sogrape assume a Segurança e Saúde no Trabalho como uma prioridade estratégica”
Notícias

“Sogrape assume a Segurança e Saúde no Trabalho como uma prioridade estratégica”

1.303

Ao longo de uma carreira internacional de 15 anos dedicada à Qualidade, Ambiente, Segurança Alimentar e Compliance, com passagem por empresas de referência como a Gategroup e a Danone, e experiências em cidades como Barcelona, Londres e Paris, Joana Domingues encontrou na Sogrape um novo desafio: liderar a Direcção de Qualidade, Ambiente e Segurança. Há cerca de dois anos à frente desta função, tem vindo a integrar a segurança, a saúde no trabalho e o respeito pelo ambiente como valores estratégicos da empresa, alinhando-os com a busca pela excelência que caracteriza a Sogrape. Nesta entrevista à Security Magazine, partilha as principais responsabilidades, desafios e metas da sua função, bem como a forma como a cultura de segurança é promovida junto das equipas e incorporada no sector vitivinícola, marcado por riscos específicos e pela forte sazonalidade das operações.

Security Magazine – Com é que foi o seu percurso profissional até chegar às atuais funções?
Joana Domingues – O meu percurso profissional tem sido sempre dedicado à área da Qualidade, Ambiente, Segurança Alimentar e Compliance, contando já com 15 anos de experiência em funções de responsabilidade nestas áreas. Desenvolvi uma carreira internacional, tendo passado por cidades como Barcelona, Londres e Paris, e integrado grupos de referência como a Gategroup e a Danone. Há cerca de dois anos, assumi a responsabilidade pela Direcção de Qualidade, Ambiente e Segurança na Sogrape. Este desafio tem-me permitido aprofundar o conhecimento do sector vitivinícola e liderar a integração da qualidade, ambiente e segurança como valores estratégicos da empresa, contribuindo para elevar os padrões de excelência da Sogrape e reforçar a sua posição como referência no sector.

Quais são as suas principais responsabilidades?
As minhas principais responsabilidades incluem a definição, implementação e monitorização da política de Saúde e Segurança no Trabalho (SST) da Sogrape, assegurando que a SST está integrada no sistema de gestão global da empresa. Coordeno a formação, acompanho indicadores de desempenho, promovo a cultura de segurança junto das equipas e garanto o cumprimento da legislação e das melhores práticas, sempre com o objectivo de proteger, desde logo, todos os colaboradores, assim como todos os stakeholders externos que nos visitam nas nossas instalações.

Como a Sogrape integra a segurança e saúde no trabalho (SST) na sua estratégia global?
A Sogrape assume a Segurança e Saúde no Trabalho como uma prioridade estratégica, integrando-a no seu sistema de gestão de qualidade, ambiente e segurança. Existe uma representação formal ao nível da Administração, com um administrador responsável pela área, e a SST é considerada transversal a todas as operações, estando presente em todos os processos e decisões relevantes da empresa.

Quais são as principais metas de segurança para este ano?
Este ano, as principais metas passam por garantir zero acidentes nas grandes obras em curso, no âmbito de um projecto estruturante que irá expandir e modernizar o pólo produtivo e logístico da Sogrape em Avintes, Vila Nova de Gaia. Passam ainda por melhorar continuamente os indicadores de sinistralidade e assegurar que as actividades de obra não colocam em risco os colaboradores das operações regulares. Paralelamente, mantemos o foco na sensibilização e formação, reconhecendo que a prevenção é um trabalho contínuo e fundamental.

Como é promovida a cultura de segurança entre as equipas?
A cultura de segurança é promovida de forma participativa, incentivando o envolvimento activo dos colaboradores. Realizamos inquéritos anuais de segurança, celebramos o Dia Mundial da Segurança com actividades de sensibilização e mantemos um contacto próximo e directo com as equipas, criando um ambiente onde todos se sentem à vontade para identificar riscos e sugerir melhorias.

Qual foi a mudança mais significativa que observou no comportamento dos colaboradores desde que assumiu o cargo?
Tenho assistido a uma crescente proactividade dos colaboradores na comunicação de riscos e sugestões de melhoria. Existe hoje uma maior abertura e participação, com as equipas a sentirem-se parte activa do processo de segurança, o que tem sido fundamental para a identificação precoce de potenciais riscos e para a melhoria contínua.

Quais são os riscos mais críticos na produção e logística de vinhos e como são mitigados?
Os riscos mais críticos nas vinhas e adegas abrangem trabalhos em espaços confinados, utilização de equipamentos pesados como tractores, exposição a produtos químicos e fitossanitários, trabalho em terrenos inclinados e em altura, exposição ao calor e à radiação solar, bem como desafios associados à sazonalidade das operações e à integração de trabalhadores temporários. Nas unidades industriais de engarrafamento os principais riscos estão associados ao trabalho com máquinas em movimento como linhas de enchimento e empilhadores, cortes e lesões com garrafas e vidros, e movimentação manual de cargas.
A mitigação destes riscos é assegurada através de formação contínua e específica, uso rigoroso de equipamentos de protecção individual, a manutenção preventiva e protecção das partes móveis dos equipamentos, da restrição de acesso e sinalização adequada das áreas de risco, monitorização de gases em espaços confinados, descarte seguro de vidros, aplicação de princípios de ergonomia, pausas regulares e rotação de tarefas, além do acompanhamento próximo das equipas, especialmente em períodos de maior actividade.

Como a sazonalidade (vindimas) influencia o plano de segurança?
A vindima traz desafios específicos, como o aumento do número de colaboradores temporários e a descentralização das operações. Nessa altura, intensificamos a formação, reforçamos a presença das equipas de SST nas adegas e adaptamos os planos de segurança ao volume e à especificidade das actividades, garantindo que todos, mesmo os temporários, estão devidamente preparados.

Há riscos específicos relacionados com produtos químicos utilizados na vinificação?
Os riscos associados aos produtos químicos utilizados na vinificação são semelhantes aos de outros contextos industriais. A mitigação passa pelo uso adequado de EPIs, formação contínua e procedimentos rigorosos de manuseamento e armazenamento.

Que tipos de formação em SST são obrigatórios para novos colaboradores e subcontratados?
Todos os novos colaboradores, incluindo subcontratados, recebem formação geral de segurança no primeiro dia, abrangendo regras de acesso, circulação e utilização de EPIs. Posteriormente, têm formação específica no posto de trabalho e, anualmente, participam em acções de actualização, adaptadas às funções desempenhadas.

Como garantem que colaboradores temporários nas vindimas recebem a mesma preparação que os permanentes?
Garantimos que todos os temporários recebem a mesma formação inicial que os permanentes, com acções presenciais nas adegas e apoio de consultores externos para cobrir todas as localizações. O acompanhamento é reforçado durante a vindima, dada a menor experiência destes colaboradores.

Que ferramentas ou tecnologias digitais a Sogrape usa para monitorizar segurança e incidentes?
Utilizamos dashboards Power BI para análise e monitorização de incidentes, automação de registos e análise de tendências, o que nos permite antecipar riscos e actuar preventivamente.

Já utilizam IoT ou sensores para prevenir acidentes no campo ou nas adegas?
Sim, utilizamos sensores para detectar gases e ausência de oxigénio em espaços confinados, bem como sensores de incêndio e alarmes visuais, que impedem o acesso a áreas de risco e aumentam a segurança dos colaboradores.

Que indicadores-chave (KPIs) utilizam para medir desempenho em segurança?
Os principais KPIs são os índices de frequência e gravidade de acidentes, bem como a análise de incidentes de acordo com a Pirâmide de Bird, que nos permite monitorizar desde quase acidentes até situações com baixa, promovendo uma abordagem preventiva e de melhoria contínua.

Qual foi o maior desafio que já enfrentou como Safety Manager na Sogrape?
O maior desafio tem sido gerir, em simultâneo, uma grande obra estrutural no âmbito do projecto de expansão e modernização da instalação de Avintes e a operação normal da empresa, avaliando riscos cruzados e adaptando medidas preventivas em tempo real para garantir a segurança de todos os envolvidos.

Se pudesse implementar uma mudança imediata, qual seria?
Apostaria numa transformação cultural para aumentar a adesão e o entendimento da importância da segurança, reforçaria a sinalização visual nas instalações e integraria elementos de alta visibilidade no fardamento, tornando a segurança ainda mais visível e intuitiva para todos.

Notícias relacionadas