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GPIAAF divulgou relatório preliminar sobre acidente do elevador da Glória

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O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) divulgou um relatório preliminar sobre o acidente do Elevador da Glória, em Lisboa, que deixou o país em alerta quanto à segurança dos transportes históricos.

Segundo o documento, o cabo que se rompeu não estava certificado para transporte de passageiros, levantando questões sobre os procedimentos de aquisição e manutenção adoptados pela operadora Carris. Apesar da ausência de certificação, o relatório sublinha que ainda não é possível determinar se esta foi a causa exclusiva do acidente.

O estudo destaca, ainda, lacunas nos processos de manutenção e inspecção, sugerindo a necessidade de uma revisão urgente das normas de segurança aplicáveis a infraestruturas históricas que transportam passageiros.

Especialistas indicam que a situação evidencia a importância de rigor na manutenção preventiva e certificação de equipamentos, sobretudo em transportes turísticos e de uso intenso, onde falhas podem ter consequências graves.

O GPIAAF continuará a investigar e deverá publicar um relatório final com recomendações detalhadas para evitar que incidentes semelhantes voltem a ocorrer.

Sobre o cabo:

O cabo rompeu junto à pinha de fixação após 337 dias de uso; o mecanismo exato da falha ainda está a ser investigado. O cabo instalado não cumpria especificações técnicas, não estava certificado para transporte de passageiros e não era adequado para destorcedores como os usados no Ascensor. A utilização de cabos fora das normas resultou de falhas nos processos de aquisição, aceitação e controlo interno da CCFL. Cabos semelhantes estiveram em operação durante mais de 600 dias sem incidentes, pelo que ainda não se pode afirmar se as desconformidades causaram directamente o acidente. A zona do rompimento não era inspeccionável visualmente sem desmontagem dos destorcedores.

Sobre manutenção:

A manutenção é subcontratada e, apesar de registos de cumprimento do plano, há evidências de falhas, execução não padronizada e falta de supervisão. Inspecções críticas, como a do cabo no fosso, não estavam previstas no plano e a lubrificação era esporádica. Alguns trabalhos críticos de segurança não foram testados ou registados adequadamente.

Sobre a pinha de fixação do cabo:

A pinha apresentava zonas menos densas ou vazias; o seu fabrico seguia processos empíricos, sem documentação formal nem testes de qualidade. O prestador de manutenção não tinha informação sobre o modo correcto de execução das pinhas. A zona crítica da pinha não podia ser inspeccionada sem desmontar o destorcedor.

Sobre o sistema de freios:

O sistema de detecção de rotura do cabo actuou, cortando energia e tentando accionar a frenagem de emergência, mas não foi eficaz para imobilizar as cabinas. Não havia registos de cálculos ou testes formais do sistema de freio. A segurança do sistema dependia excessivamente do cabo, sem avaliação do sistema de freios como redundância.

Sobre enquadramento legal e supervisão:

Os Ascensores da Glória e do Lavra estão excluídos da supervisão do IMT por serem considerados históricos, de interesse cultural e anteriores a 1986. A segurança era responsabilidade exclusiva da CCFL, sem supervisão independente ou regulamentação efectiva. Apesar da exclusão legal, normas técnicas equivalentes poderiam ter sido aplicadas para maior segurança.

O relatório revela múltiplas falhas combinadas: cabos inadequados, manutenção insuficiente, inspecção limitada, processos empíricos na fabricação das pinhas e ausência de supervisão externa. Estas vulnerabilidades evidenciam a necessidade urgente de revisão das normas de segurança, manutenção e certificação para infraestruturas históricas de transporte de passageiros.

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