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INEGI está a criar sistema para monitorizar qualidade do ar na indústria cerâmica

8 de Abril, 20263 Mins Read
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O INEGI está a contribuir para a criação de um novo sistema para monitorizar em tempo real a qualidade do ar na indústria cerâmica, respondendo a um problema de longa data do sector: a elevada exposição profissional a poeiras com sílica cristalina, compostos orgânicos voláteis e outros poluentes com riscos significativos para a saúde.

Este sistema, que será testado na Vista Alegre e na MOTA II, emite alertas quando os níveis de agentes químicos excedem os valores recomendados, permitindo uma rápida resposta a eventos de risco, a implementação de estratégias de mitigação mais eficazes e o aumento da segurança no trabalho.

“Os trabalhadores do sector cerâmico estão expostos a poeiras finas e outros agentes químicos. É o caso da sílica cristalina, cuja exposição pode aumentar significativamente o risco de desenvolvimento de doenças graves como a silicose e o cancro do pulmão. Em etapas específicas do processo produtivo – como o acabamento – podem ainda libertar-se compostos orgânicos voláteis prejudiciais à saúde”, explica Marta Gabriel, responsável pelo projecto no INEGI, no site do mesmo.

Até agora, a avaliação destes riscos e da qualidade do ar baseava-se sobretudo em medições pontuais, pouco representativas destes ambientes industriais. Era, por isso, necessária uma abordagem contínua, que permita uma resposta rápida a eventos de risco.

O INEGI está a trabalhar para colmatar esta necessidade, apostando num novo sistema capaz de identificar, de forma célere, picos de exposição e permitir uma gestão de riscos ocupacionais contínua e baseada em dados.

A solução em estudo substitui modelos reactivos por uma abordagem contínua, digital e proactiva, totalmente alinhada com os princípios de Indústria 5.0.

Além do aumento da segurança no trabalho, a tecnologia poderá apoiar processos de descarbonização e de transição energética, garantindo que a adopção de novos equipamentos ou métodos não compromete a saúde dos trabalhadores.

“O nosso objectivo é contribuir para uma melhor monitorização da qualidade do ar, impulsionando ambientes de trabalho mais seguros, produtivos, sustentáveis e preparados para os desafios actuais da indústria”, afirma Marta Gabriel.

Todo este trabalho está a ser desenvolvido no âmbito da Agenda ECP – Ecocerâmica e Cristalaria de Portugal, financiada pelo Programa de Recuperação e Resiliência. Tem como parceiros o Instituto de Soldadura e Qualidade, o Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro, a Microprocessador – Sistemas Digitais, a Vista Alegre e a MOTA II.

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