O Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2025 revela que Portugal continua a ser classificado internacionalmente como um dos países mais seguros do mundo, apesar de enfrentar uma fase de acelerada mutação das ameaças globais.
Em termos estatísticos, a criminalidade geral registou um aumento de 3,1%, totalizando 365.802 participações criminais. Inversamente, a criminalidade violenta e grave diminuiu 1,6%, fixando-se em 14.149 participações, um decréscimo impulsionado sobretudo pela descida dos crimes de roubo «.
Impacto da Proatividade Policial e Tendências Criminais
Uma conclusão central do relatório é que o aumento da criminalidade geral resulta, em grande medida, do investimento na eficácia das forças de segurança em detectar ilícitos. Destacam-se as subidas acentuadas em crimes como o auxílio à imigração ilegal (+138,2%), a condução sem habilitação legal (+28,3%) e a condução com álcool (+23%). No espectro da criminalidade violenta, apesar da descida global, registaram-se aumentos preocupantes no homicídio voluntário consumado (+10,1%) e no crime de violação (+6,4%), que atingiu o valor mais alto da década.
A Revolução Digital e a Inteligência Artificial no Crime
A cibercriminalidade cresceu 13,4%, com os ataques a tornarem-se mais frequentes, complexos e sofisticados. A integração de Inteligência Artificial (IA) na metodologia ofensiva de actores hostis tornou-se uma realidade constante, facilitando ataques de ransomware, engenharia social e a criação de deepfakes. Para combater esta evolução, as autoridades portuguesas lançaram iniciativas como o Projecto Detector, focado na identificação de manipulações de dados e conteúdos falsos através da própria IA.
Ameaças Geopolíticas e Infraestruturas Críticas
O panorama securitário externo manteve-se volátil, com a guerra na Ucrânia e no Médio Oriente a gerarem efeitos em cascata na segurança nacional. Foram identificadas ameaças de sabotagem física e ciberespionagem contra infraestruturas críticas, com especial vigilância sobre os cabos submarinos estratégicos em águas portuguesas face a actividades de reconhecimento russas. Adicionalmente, Portugal consolidou-se como um ponto estratégico para o tráfico internacional de estupefacientes, enfrentando a crescente projecção de organizações criminosas transnacionais no território.
Desafios Sociais: Violência Doméstica e Sistema Prisional
A violência doméstica continua a ser o crime com maior número de registos em Portugal, com 29.644 participações, notando-se um aumento específico de 8,6% na violência contra menores. No domínio da justiça e reinserção, o país enfrenta, pela primeira vez em seis anos, uma situação de sobrelotação do sistema prisional, com uma taxa de ocupação de 103,4%. No sector rodoviário, registou-se um aumento de 3,8% no número total de acidentes, embora as vítimas mortais no local tenham descido 6,1%.
Visão Estratégica para o Futuro
Face a este cenário, as orientações estratégicas focam-se na modernização tecnológica, no reforço da cooperação internacional e na protecção dos grupos mais vulneráveis. O Governo prevê continuar o investimento em meios operacionais, como a renovação da frota de veículos e a implementação plena de novos sistemas de controlo de fronteiras inteligentes.
- Evolução das Participações Criminais
Criminalidade Geral: Verificou-se um aumento de 3,1%, totalizando 365.802 participações (mais 10.924 do que em 2024)
Criminalidade Violenta e Grave: Registou-se uma diminuição de 1,6%, com 14.149 participações. Esta queda foi impulsionada principalmente pela descida dos crimes de roubo (-7,4%), que representam a maioria (61,6%) deste tipo de criminalidade - Impacto da Proactividade Policial
O aumento da criminalidade geral é atribuído, em grande medida, ao investimento na capacidade operacional e eficácia das forças de segurança em detectar ilícitos. Destacam-se as subidas em:
Auxílio à imigração ilegal: +138,2%
Outros crimes relacionados com a imigração ilegal: +353%
Desobediência: +39,5%
Condução sem habilitação legal: +28%
Condução com álcool (TAS ≥ 1,2g/l): +23%
Detenção ou tráfico de armas proibidas: +20,6% - Crimes com Variações Relevantes
Homicídio e Violação: Em sentido contrário à descida da criminalidade violenta, o homicídio voluntário consumado aumentou 10,1% (98 casos)
O crime de violação subiu 6,4%, atingindo o valor mais alto da década
Cibercriminalidade: Continua em crescimento (+13,4% nas participações), com ataques mais sofisticados e recurso frequente a Inteligência Artificial
Criminalidade Económico-Financeira: Houve um aumento de 22% nos inquéritos, com o branqueamento de capitais a subir 42% e a corrupção ativa 17%
Incêndios: O crime de incêndio/fogo posto registou uma subida acentuada de 32,2%
Violência Doméstica: Apesar de uma ligeira descida global (-1,9%), continua a ser o crime com maior número de registos (29.644), notando-se um preocupante aumento na violência contra menores (+8,6%)
. - Criminalidade Grupal e Juvenil
A criminalidade grupal (factos praticados por três ou mais suspeitos) baixou 1,2%
A delinquência juvenil (jovens entre 12 e 16 anos) registou um decréscimo de 1,3%
No entanto, na criminalidade juvenil, destaca-se a predominância de ilícitos de natureza sexual, muitas vezes praticados em contexto escolar e com recurso a tecnologias - Novos Desafios e Ameaças Globais
Tráfico de Droga: Portugal é identificado como uma porta de entrada estratégica para a cocaína na Europa, com uma crescente projecção de organizações criminosas latino-americanas (como o Tren de Aragua e grupos brasileiros como o PCC e CV)
Segurança Rodoviária: Registou-se um aumento de 3,8% nos acidentes e de feridos graves (+2,2%), embora as vítimas mortais no local tenham diminuído 6,1%
População Prisional: Pela primeira vez em seis anos, verificou-se uma situação de sobrelotação do sistema prisional, com a taxa de ocupação a atingir os 103,4%
Geograficamente, os crimes violentos e graves diminuíram nos grandes centros como Lisboa (-3,4%) e Porto (-8,4%), mas registaram subidas significativas em distritos como Braga (+11,7%) e Leiria (+11,4%)









