As principais ameaças às infraestruturas críticas nacionais em 2025, de acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna, dividem-se essencialmente entre ataques no domínio cibernético, riscos de sabotagem física e tentativas de infiltração por parte do crime organizado
As ameaças identificadas estruturam-se da seguinte forma:
- Ciberameaças (Ciberespionagem e Cibersabotagem)
Atores Estatais e Híbridos: Estados hostis (como a Rússia, China, Irão e Coreia do Norte) e grupos de hacktivistas a eles associados são apontados como os principais agentes de ameaça
Estes actores realizam operações de reconhecimento de vulnerabilidades e ciberespionagem para aceder a informação classificada do Estado e de sectores estratégicos
Cibersabotagem: Existe um risco elevado de acções de cibersabotagem contra sistemas informáticos de gestão industrial e operacional de infraestruturas críticas, promovidas nomeadamente por grupos de hacktivismo nacionalista pró-russo
Ransomware e DDoS: A criminalidade organizada utiliza ataques de ransomware para comprometer a disponibilidade de infraestruturas informáticas
Além disso, registou-se um aumento de 36% nos ataques de Negação de Serviço Distribuída (DDoS), visando sobretudo a administração pública e operadores de serviços essenciais
Impacto da IA: A integração de Inteligência Artificial na metodologia ofensiva destes agentes torna os ataques mais sofisticados e difíceis de detectar ou mitigar pelas autoridades - Sabotagem Física e Espionagem
Cabos Submarinos: Portugal é um ponto estratégico de amarração e passagem de cabos submarinos, o que tornou estas infraestruturas alvos prioritários de preocupação quanto a eventuais acções de sabotagem russa
Foram detectadas actividades de reconhecimento no Mar português por navios russos para este fim
Sabotagem Industrial: Existe a ameaça de sabotagem dirigida a empresas nacionais que integram factores de inovação em material de guerra enviado para a Ucrânia - Infiltração por Organizações Criminosas
Portos e Aeroportos: Organizações de tráfico internacional de droga procuram infiltrar-se em infraestruturas portuárias (Lisboa, Sines, Setúbal e Leixões) e aeroportuárias (Lisboa e Porto)
Esta infiltração ocorre através da corrupção e recrutamento de trabalhadores de entidades gestoras ou prestadoras de serviços para facilitar a entrada de estupefacientes na Europa - Vulnerabilidades de Continuidade e Resiliência
Sectores Mais Visados: As ameaças incidem prioritariamente sobre os sectores da energia, telecomunicações, saúde, educação e finanças
Falhas de Sistema: Uma falha de energia eléctrica que afectou todo o território nacional em Abril de 2025 evidenciou a fragilidade de sectores essenciais como o abastecimento de água, centros de dados e cadeias logísticas, reforçando a necessidade de maior robustez nestas infraestruturas
Face a este cenário, Portugal transpôs a Diretiva (UE) 2022/2557 (Diretiva Resiliência das Entidades Críticas) e está a desenvolver uma Estratégia Nacional para reforçar a proteção e a continuidade do funcionamento destes serviços essenciais
Portugal está a proteger os seus cabos submarinos estratégicos através de uma combinação de vigilância operacional, coordenação institucional e cooperação internacional, num contexto em que o país é um ponto central de passagem e amarração destas infraestruturas
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As principais formas de protecção detalhadas nas fontes são:
- Vigilância e Prevenção Operacional
Monitorização Marítima: Foi adoptado um esforço conjunto de prevenção por parte de diversas autoridades nacionais, com especial atenção a actividades de reconhecimento no Mar português, particularmente as levadas a cabo por navios russos, devido ao risco de acções de sabotagem contra estas infraestruturas críticas
Sistemas de Vigilância: Embora de âmbito mais geral, sistemas como o SIVICC (Sistema Integrado de Vigilância, Comando e Controlo) permitem um conhecimento situacional permanente da orla costeira e do mar territorial, apoiando a detecção de ameaças - Enquadramento Estratégico e Legislativo
Estratégia Nacional de Resiliência: Portugal concluiu a transposição da Directiva (UE) 2022/2557, resultando num novo paradigma regulatório centrado na gestão de riscos e robustez de serviços essenciais
Foi também elaborada uma proposta de Estratégia Nacional de Resiliência das Entidades Críticas para clarificar as responsabilidades na protecção destas infraestruturas
Avaliação de Risco: A Secretaria-Geral do Sistema de Segurança Interna (SGSSI) coordenou uma Avaliação Nacional de Risco que abrange 53 serviços essenciais, fornecendo a base técnica para a priorização de medidas de mitigação e planeamento de resposta - Cooperação e Grupos de Peritos
Coordenação com a ANACOM: Portugal assegura a coordenação nacional do Grupo de Peritos sobre Infraestruturas de Cabos Submarinos da Comissão Europeia, em parceria com a ANACOM
Este trabalho foca-se no mapeamento de riscos à escala da UE, testes de esforço e na criação de uma “toolbox” de segurança
Rede da OTAN: O país está representado na qualidade de ponto de contacto (POC) estratégico na rede Critical Underwater Infrastructure da OTAN, reforçando a protecção destas estruturas no quadro da aliança atlântica
Estas medidas visam mitigar a vulnerabilidade estrutural de Portugal face a ameaças híbridas e garantir a continuidade do funcionamento de um setor vital para as telecomunicações e para a economia nacional









