Uma carta aberta dirigida a colegas, parceiros e partes interessadas do sector da aviação na Europa alerta para o aparecimento de uma nova classe de capacidades de inteligência artificial, designadas “Mythos”, capazes de identificar, encadear e explorar vulnerabilidades digitais de forma autónoma, rápida e em grande escala.
Segundo o documento, este avanço representa uma evolução significativa no panorama das ameaças cibernéticas, num contexto já marcado por riscos persistentes e por dinâmicas de guerra híbrida que afectam infraestruturas críticas, como aeroportos.
A entidade ACI EUROPE sublinha que os aeroportos operam como ecossistemas altamente complexos, envolvendo operadores aeroportuários, companhias aéreas, prestadores de serviços em terra, fornecedores de software, sistemas industriais e múltiplos parceiros tecnológicos. Neste cenário, uma vulnerabilidade introduzida em qualquer ponto da cadeia pode gerar impactos operacionais amplos e em cascata.
Defesa colectiva e novas exigências de segurança
A carta defende que a resiliência cibernética deve ser encarada como uma responsabilidade colectiva de todo o ecossistema da aviação, exigindo cooperação reforçada entre fornecedores tecnológicos, prestadores de serviços geridos e operadores.
Entre as medidas recomendadas destacam-se:
– Redução da superfície de ataque exposta;
– Reforço de princípios de identidade, segmentação e arquitetura “zero trust”;
– Gestão de vulnerabilidades baseada em risco, combinando severidade, previsibilidade de exploração e impacto no negócio;
– Reforço da segurança da cadeia de fornecimento de software, alinhada com os objetivos do futuro Cyber Resilience Act da União Europeia;
-Implementação de programas de divulgação e correção de vulnerabilidades transparentes;
-Utilização de listas de materiais de software (SBOM) e testes automatizados de segurança;
-Adopção de ferramentas de deteção e resposta baseadas em IA, incluindo sistemas “Mythos”-class, tanto em novos produtos como em infraestruturas existentes;
-Fortalecimento das capacidades de resiliência e recuperação operacional.
Um cenário de ameaça em evolução
O documento destaca que a emergência de sistemas de IA avançados capazes de automatizar cadeias completas de ataque obriga a uma mudança estrutural na forma como a cibersegurança é pensada no sector. Em vez de abordagens reactivas, é defendido um modelo preventivo, contínuo e distribuído por toda a cadeia de valor.
Apesar do alerta, a ACI EUROPE mantém uma posição de confiança na capacidade do setor aéreo de se adaptar a este novo ambiente, destacando o histórico de resiliência da aviação face a crises tecnológicas e operacionais.
“Com cooperação, transparência e responsabilidade partilhada, os aeroportos europeus poderão continuar a operar de forma segura mesmo perante esta nova geração de ameaças”, refere o documento.









