Uma nova iniciativa global, liderada pela Global Initiative for Industrial Safety (GIFIS) em colaboração com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e a Universidade de Cambridge, lançou um quadro prático para acelerar a adopção de tecnologias de segurança (“safety tech”) nas indústrias. O objectivo é combater os números alarmantes de incidentes laborais e preencher a lacuna entre as soluções tecnológicas disponíveis e a sua implementação efetiva no terreno.
O Custo Humano e Económico da Insegurança
De acordo com dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) citados no documento, as mortes relacionadas com o trabalho aumentaram para cerca de 2,9 milhões por ano, o que representa 6,7% de todas as mortes mundiais na população em idade activa.
Diariamente, cerca de 8.000 pessoas morrem devido a condições de trabalho inseguras – 1.000 por acidentes e 7.000 por doenças profissionais. Além do impacto humano, estas condições custam à economia global cerca de 4,1% do PIB mundial, o equivalente a mais de 3,2 biliões de dólares anuais.
Embora existam tecnologias emergentes como IA, robótica e sensores vestíveis (“wearables”), a sua adopção tem sido lenta. O relatório identifica que muitos gestores industriais enfrentam um mercado saturado de soluções, mas carecem de visibilidade sobre os resultados reais de segurança em relação aos custos e ao esforço de implementação. Frequentemente, as empresas priorizam investimentos que geram eficiência produtiva imediata, vendo a segurança como um encargo em vez de um ganho.
O Quadro dos “4Ps”
Para resolver este impasse, o novo quadro classifica as tecnologias em quatro categorias essenciais, ajudando as empresas a avaliar a sua eficácia com base na tradicional “Hierarquia de Controlos”:
Prevenção: Focada na eliminação de perigos na fonte, como a substituição de materiais perigosos ou o uso de robótica para tarefas perigosas. É considerada a categoria mais eficaz.
Precaução: Utiliza sistemas de vigilância em tempo real e monitorização ambiental para detectar práticas inseguras antes que ocorram acidentes.
Predição: Recorre a Inteligência Artificial e análise de dados para identificar sinais precoces de risco e prever falhas de equipamento.
Protecção: Inclui equipamentos de protecção individual (EPI) avançados, que funcionam como a última linha de defesa para mitigar a gravidade das consequências após um incidente.
Caso Prático: Quedas em Altura
O relatório destaca um estudo sobre quedas em altura, uma das principais causas de morte industrial no mundo. A análise de mais de 19.000 patentes revela uma transição clara de equipamentos mecânicos tradicionais (como andaimes e escadas) para dispositivos digitais inteligentes. Tecnologias como arneses inteligentes, que monitorizam o comportamento do trabalhador e emitem alertas em tempo real, já demonstraram reduções de até 92% no risco de acidentes em projetos-piloto.
A GIFIS defende que este quadro não é apenas uma ferramenta de classificação, mas uma base para análises de Retorno sobre o Investimento (ROI), permitindo que os profissionais de segurança tomem decisões mais fundamentadas e sustentadas. O futuro da segurança industrial passará pela integração destas tecnologias de forma sistémica, garantindo que a inovação trabalhe directamente para salvar vidas no chão de fábrica









