No dia 29 de Outubro de 2024, a localidade de Catarroja, em Valência, Espanha, enfrentou um episódio extremo da tempestade DANA que fez transbordar o Barranco del Poyo, provocando uma inundação que devastou ruas, habitações e comércio, deixando muitos vizinhos sem electricidade, água nem comunicação com o exterior. Infelizmente, a catástrofe também causou 25 vítimas mortais. Durante esses dias críticos, cada minuto contava, e a urgência de proteger a população tornou-se evidente. Perante esta situação, a Câmara Municipal identificou a necessidade de implementar um sistema capaz de antecipar riscos e actuar de forma coordenada, garantindo a segurança dos cidadãos e minimizando os possíveis danos.
A partir deste contexto, a Hikvision concebeu um projecto integral de segurança que transformou o alerta antecipado numa ferramenta real de protecção da população. Assim, o projecto centrou-se em três pilares fundamentais: redundância, tempo real e simplicidade de uso, assegurando que cada elemento tecnológico funcionasse em harmonia dentro de um ecossistema único. Graças à plataforma HikCentral, toda a informação gerada pelos distintos dispositivos é centralizada, permitindo que o centro de controlo gere alertas, monitorize a situação em tempo real e coordene as acções de forma imediata.
Do desafio técnico ao factor humano
O coração da solução é o centro de controlo, localizado na sala de crise da Câmara Municipal. A partir daí, os operadores têm uma visão completa em tempo real do que acontece em todo o município. Todos os sinais das câmaras, sensores e sistemas de comunicação convergem num único painel graças ao HikCentral, a plataforma que centraliza a informação e permite tomar decisões rápidas e coordenadas.
O sistema inclui câmaras que medem de forma contínua o nível da água. Se detectarem um aumento que represente risco, enviam alertas automáticos para o centro de controlo. Simultaneamente, as câmaras de contexto distribuídas pela população oferecem imagens de zonas críticas para identificar situações de perigo ou movimentos incomuns. Com a ajuda do AcuSeek, os operadores podem localizar rapidamente pessoas em risco, proporcionando um nível adicional de protecção.
Além disso, o sistema integra 64 altifalantes e megafones que permitem comunicar alertas imediatos à população, avisando vizinhos e transeuntes para que adoptem as medidas necessárias e evitando situações perigosas. As barreiras automáticas bloqueiam a passagem de veículos e peões em zonas de risco, evitando acidentes e reforçando a segurança.
A rede completa-se com o sistema AxPro em edifícios públicos, que garante que todos os acessos estejam protegidos e que a informação flua de forma coordenada, integrando controlo de acessos, câmaras e alarmes numa única solução. Desta forma, cada elemento contribui não só para a detecção de riscos, como também para a acção eficaz para proteger vidas e bens.
O que distingue este projecto de outros sistemas de segurança é que, desde o primeiro momento, o enfoque não foi meramente técnico, mas humano. Cada decisão, cada instalação e cada configuração foi pensada para proteger vidas, oferecer tranquilidade e garantir que a comunidade se sentisse segura. A tecnologia deixa de ser um conjunto de dispositivos isolados e transforma-se num ecossistema integrado ao serviço das pessoas.
“O nosso objectivo foi levar a tecnologia para o terreno humano. Estávamos habituados a fazer instalações muito técnicas, mas este caso era muito especial porque estávamos perante uma grande necessidade de proteger uma população que tinha vivido uma situação muito crítica”, destaca José Luis Macías, integrador do projecto.
Este enfoque humano também se reflecte na simplicidade de utilização do sistema. Embora a arquitectura tecnológica seja complexa, o seu design permite que os operadores geram a situação de forma clara e eficiente, reduzindo a margem de erro e aumentando a rapidez de resposta. Cada acção, desde emitir um aviso até fechar uma barreira, tem um propósito directo: salvar vidas e minimizar o impacto da catástrofe.
Em definitiva, a proposta demonstra que a tecnologia, quando é concebida com um enfoque centrado nas pessoas, pode transformar-se num verdadeiro escudo protector. Catarroja dispõe agora de uma solução que não só detecta perigos, mas também os previne e protege activamente os seus vizinhos, transformando um projecto técnico num compromisso real com a comunidade.









