A Jerónimo Martins identificou um conjunto de riscos estratégicos e operacionais que marcaram a sua atividade ao longo de 2025, num contexto internacional caracterizado pela persistência de tensões geopolíticas, incerteza associada a processos eleitorais em diversas geografias relevantes e elevada complexidade legislativa e regulamentar na Europa.
Segundo a empresa, a evolução dos padrões de consumo e do poder de compra, os impactos das alterações climáticas e a crescente relevância da tecnologia e da digitalização dos modelos de negócio, incluindo a adoção de soluções baseadas em Inteligência Artificial e os desafios associados à cibersegurança, condicionaram igualmente a atividade das suas companhias.
Perante este cenário, o Grupo refere que implementou diversas medidas para antecipar e mitigar os impactos mais relevantes na execução dos seus objetivos estratégicos.
Ao nível dos riscos estratégicos, a gestão centra-se na monitorização de fatores como a qualidade dos produtos e das matérias-primas, a sustentabilidade ambiental, as tendências sociais, políticas e macroeconómicas, a evolução demográfica, a escassez de recursos humanos com competências específicas, o poder de compra, a dinâmica dos mercados financeiros, de trabalho, de recursos naturais e energéticos, a situação geopolítica, a inovação tecnológica, as alterações legais e regulamentares e o escrutínio social e reputacional.
No âmbito operacional, a empresa destaca riscos relacionados com a gestão de recursos humanos, categorias e sourcing, gestão de stocks, logística e cadeia de abastecimento, eficiência e segurança na utilização de recursos e ativos, bem como riscos associados ao comportamento da concorrência, dos parceiros comerciais e dos consumidores. A avaliação inclui ainda riscos de fraude, branqueamento de capitais e corrupção.
Na área da segurança alimentar, a Jerónimo Martins afirma que procura assegurar elevados padrões de qualidade e segurança através de auditorias a fornecedores, monitorização dos produtos ao longo da cadeia logística, análises periódicas em laboratórios acreditados, deteção de fraudes alimentares com recurso a um laboratório próprio de Biologia Molecular e formação contínua, incluindo simulacros e ações de sensibilização.
Em matéria ambiental, o Grupo realiza avaliações regulares dos riscos e oportunidades associados às alterações climáticas, utilização da água, biodiversidade, embalagens, desperdício alimentar, desflorestação e conservação das espécies de pescado, bem como auditorias internas e externas. Entre os principais riscos identificados encontram-se riscos de transição, físicos e reputacionais.
A Direção de Segurança é responsável pela proteção de colaboradores, clientes, fornecedores, acionistas e património físico e imaterial, desenvolvendo atividades como definição de normas, formação, auditorias, avaliações de risco, colaboração em simulacros de emergência e implementação de soluções tecnológicas adequadas às ameaças identificadas.
No domínio tecnológico, a empresa refere que os riscos são analisados nas vertentes de planeamento, desenvolvimento, inovação, gestão de operações, segurança da informação e continuidade. A segurança da informação é assegurada por uma direção dedicada, responsável pela implementação e manutenção de um Sistema de Gestão de Segurança da Informação destinado a garantir a confidencialidade, integridade e disponibilidade da informação crítica para o negócio, bem como a monitorização, gestão e recuperação de incidentes.
Relativamente aos riscos regulamentares, a Jerónimo Martins indica que o cumprimento da legislação é assegurado pelos departamentos jurídicos das diferentes companhias, com coordenação da Direção de Assuntos Jurídicos e Compliance da holding, em colaboração com outras áreas, incluindo Segurança de Informação, Auditoria Interna e Recursos Humanos. O Grupo dispõe ainda de Encarregados de Proteção de Dados nas principais empresas em Portugal e na Polónia.
No plano financeiro, a empresa refere estar exposta a riscos de taxa de juro, cambial, crédito, liquidez, inflação, risco político e fiscal, procurando minimizar os seus efeitos através de políticas específicas de gestão de risco e, quando aplicável, da utilização de instrumentos financeiros derivados.
Jerónimo Martins assenta gestão de risco em modelo de três linhas e reforça cultura de prevenção
A Jerónimo Martins afirma que a gestão de risco constitui uma componente fundamental da sua estratégia, cultura e processo de criação de valor, contando com um enquadramento definido na Política de Gestão de Risco do Grupo. Segundo a empresa, o Conselho de Administração dedica especial atenção aos riscos que podem afetar o negócio e os seus objetivos, assegurando que a gestão do risco faz parte integrante da governação da organização.
De acordo com o Grupo, o sistema de gestão de risco não tem como objetivo eliminar totalmente os riscos inerentes à atividade, mas garantir que estes são geridos de forma adequada, maximizando oportunidades e minimizando os seus potenciais impactos negativos.
A política prevê uma abordagem estruturada para identificar e avaliar os riscos de forma abrangente, considerando as interdependências entre as diferentes áreas de risco e promovendo uma atuação consistente em toda a organização. O modelo inclui ainda procedimentos de reporte destinados a assegurar a monitorização contínua e o acompanhamento das medidas de mitigação e controlo.
A empresa destaca que, devido à dimensão e dispersão geográfica das suas operações, uma gestão de risco eficaz depende da participação ativa de todos os colaboradores, especialmente daqueles diretamente envolvidos na identificação, reporte e mitigação dos riscos associados às respetivas áreas de responsabilidade. Neste contexto, o Grupo refere também que investe na formação e sensibilização dos colaboradores sobre os princípios da gestão de risco, os critérios definidos na Política de Gestão de Risco e as responsabilidades individuais nesta matéria.
O modelo de governo da gestão de risco da Jerónimo Martins segue o Modelo das Três Linhas. A primeira linha corresponde às operações de negócio, responsáveis pela gestão quotidiana dos riscos. A segunda linha integra as funções de supervisão e compliance, incluindo áreas como controlo financeiro, segurança física, segurança da informação, privacidade de dados, prevenção da corrupção, qualidade e segurança alimentar, entre outras. A terceira linha é assegurada pela auditoria interna e externa, responsável por avaliar a eficácia dos mecanismos de governo, gestão de risco e controlo interno.
No que respeita à distribuição de responsabilidades, o Conselho de Administração define a estratégia e a Política de Gestão de Risco, estabelece os limites de exposição ao risco e os objetivos em matéria de assunção de riscos, bem como os sistemas de controlo necessários. A Comissão de Auditoria acompanha a execução dos planos de gestão de risco, avalia a eficácia dos sistemas de controlo interno e auditoria e procede à revisão dos principais riscos do Grupo, propondo ajustamentos à política sempre que necessário.
A implementação da estratégia é assegurada pelo Administrador-Delegado, com o apoio da Direção Executiva, que promove uma cultura organizacional orientada para a gestão do risco. O Comité de Risco, composto por representantes de diversas direções funcionais e por um elemento certificado em gestão de risco, presta apoio na avaliação e monitorização das medidas de mitigação e na manutenção de uma estrutura eficaz de gestão de risco.
A Direção de Estratégia e Inovação coordena a implementação da estrutura de gestão de risco e as atividades de análise e reporte, apoiando a identificação de riscos que possam comprometer os objetivos estratégicos do Grupo e promovendo a adoção de boas práticas e requisitos de compliance. Ao nível das diferentes companhias, os Gestores de Risco das Unidades de Negócio asseguram a implementação das iniciativas de gestão de risco e apoiam os respetivos Responsáveis pelo Risco, enquanto o Departamento de Auditoria Interna centra a sua atividade nos riscos considerados mais significativos, avaliando a eficácia dos controlos implementados e apoiando o processo de gestão de risco.









