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Sul da Europa liderou ameaças contra sistemas industriais no segundo trimestre

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O Sul da Europa registou, no segundo trimestre de 2026, alguns dos níveis mais elevados de exposição a ameaças dirigidas a sistemas de automação industrial. Os dados, divulgados pela Kaspersky ICS CERT, destacam a utilização de email, scripts maliciosos, páginas de phishing e documentos maliciosos como alguns dos principais vectores de ataque contra ambientes industriais.

De acordo com a análise, 8,76% dos computadores ICS no Sul da Europa registaram bloqueios de scripts maliciosos e páginas de phishing, o valor mais elevado entre todas as regiões analisadas. Também as ameaças provenientes de clientes de email atingiram um máximo regional, com 6,45% dos computadores ICS a registarem bloqueios deste tipo.

Estes conteúdos podem ser utilizados pelos atacantes para recolher informação, redirecionar utilizadores para páginas maliciosas ou descarregar diferentes tipos de malware, incluindo spyware e ransomware.

Documentos maliciosos ganham terreno

Os documentos maliciosos constituem outra preocupação relevante para os ambientes industriais da região. No segundo trimestre, 3,63% dos computadores ICS do Sul da Europa tiveram documentos maliciosos bloqueados, colocando novamente a região no primeiro lugar entre as analisadas.

Em Portugal, o indicador atingiu 4,40% dos computadores ICS, um valor superior ao registado para a região. No conjunto do Sul da Europa, o valor representa um aumento de 0,48 pontos percentuais face ao trimestre anterior, depois de a região ter registado, no primeiro trimestre, o valor mais baixo dos últimos três anos.

Estes documentos são frequentemente utilizados como vector de infecção inicial e podem conter exploits, macros maliciosas ou ligações destinadas ao descarregamento de malware. O email continua a ser uma das principais vias de distribuição, reforçando a necessidade de conjugar a protecção dos sistemas industriais com a segurança do correio electrónico e a sensibilização dos utilizadores.

“Os dados do segundo trimestre demonstram que o email continua a representar um importante vector de risco para os ambientes industriais. Uma mensagem de phishing, um documento malicioso ou um script comprometido podem constituir o primeiro passo de uma cadeia de ataque que, posteriormente, conduz à instalação de malware mais sofisticado”, afirma Evgeny Goncharov, responsável pela Kaspersky ICS CERT.

Segundo o responsável, nos ambientes OT, onde uma interrupção pode ter consequências directas na continuidade das operações, é fundamental combinar mecanismos de prevenção, detecção e resposta com processos robustos de segurança.

Biometria entre os setores mais expostos

A análise por setores revela uma exposição particularmente elevada nos sistemas de biometria. No Sul da Europa, 33,28% dos computadores ICS utilizados neste setor registaram bloqueios de objetos maliciosos, o valor mais elevado entre todas as regiões analisadas.

A nível global, a biometria foi igualmente o setor mais visado, com uma média de 26,44%.

A utilização intensiva de Internet e email e, em alguns casos, a existência de controlos de cibersegurança reduzidos são apontadas como fatores que ajudam a explicar esta exposição. No Sul da Europa, 20,72% dos computadores ICS de biometria tiveram scripts maliciosos e páginas de phishing bloqueados, enquanto 11,48% registaram bloqueios de documentos maliciosos.

As ameaças provenientes de email assumiram igualmente uma dimensão significativa: 19,14% dos computadores ICS de biometria na região registaram bloqueios deste tipo, o valor mais elevado entre os setores e regiões analisados. A biometria foi seguida pela automação de edifícios, também no Sul da Europa, com 12,49%.

O risco começa fora do ambiente OT

Os dados do relatório mostram que as diferentes categorias de ameaça estão interligadas. Um ataque pode começar com uma mensagem de phishing ou um documento malicioso e evoluir posteriormente para o descarregamento de malware, recolha de informação e preparação de novas fases da intrusão, incluindo a implementação de ransomware.

Para as organizações industriais, esta realidade significa que a protecção não pode ficar limitada aos sistemas OT. Os canais utilizados para obter o acesso inicial, como o email, os navegadores e os equipamentos utilizados pelos colaboradores, fazem igualmente parte da superfície de ataque.

A combinação de mecanismos de prevenção, deteção e resposta, segurança do correio eletrónico e sensibilização dos utilizadores torna-se, assim, essencial para reduzir o risco de uma ameaça inicialmente dirigida a um utilizador acabar por alcançar o ambiente industrial.

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