A MEO confirmou ter sido alvo de um “ataque em massa” que provocou congestionamento e degradação da sua rede internacional, afectando o acesso a serviços de Internet, aponta a Lusa. A operadora afirma ter activado medidas de mitigação e recuperação para restabelecer a estabilidade dos serviços e garante que o incidente não resultou em qualquer intrusão nem acesso a dados da MEO ou dos seus clientes.
Os problemas foram sentidos durante a tarde de 14 de Setembro, com milhares de utilizadores a reportarem dificuldades de acesso à Internet e à rede móvel. De acordo com dados do Downdetector citados pela imprensa, o número de ocorrências atingiu um pico de cerca de 6.400 queixas relativas à MEO por volta das 18h20. A operadora não revelou, até ao momento, a natureza exacta do ataque, nem quais terão sido os sistemas ou infra-estruturas especificamente visados.
O incidente está também a ser analisado à luz de dados públicos sobre o funcionamento da Internet. Análises de infra-estrutura de rede apontam para anomalias no encaminhamento de tráfego através do protocolo BGP, incluindo um possível route leak associado à Ghana Telecom. Um route leak pode provocar o encaminhamento incorrecto de grandes volumes de tráfego entre redes, resultando em congestionamento ou indisponibilidade de determinados serviços. Esta hipótese não está, contudo, confirmada como a causa do incidente registado pela MEO.
A dimensão do episódio levanta ainda outra questão: praticamente à mesma hora foram registados problemas nos serviços de outras operadoras em Portugal, nomeadamente Vodafone, NOS e DIGI. Os dados disponíveis não permitem estabelecer, nesta fase, uma relação entre essas ocorrências e o incidente comunicado pela MEO. A coincidência temporal poderá, no entanto, justificar uma análise mais aprofundada sobre a existência de eventuais causas comuns ou problemas na infra-estrutura de encaminhamento de tráfego.
Para já, a MEO mantém a classificação do episódio como um ataque em massa e garante que os mecanismos de segurança impediram qualquer acesso a informação de clientes. A confirmação da causa técnica e da origem do incidente deverá permitir perceber se esteve perante um ataque dirigido à operadora ou perante uma ocorrência de maior alcance na infra-estrutura que suporta o tráfego de Internet.









