Com este artigo terminamos a série “vamos proteger…” em que nos iremos debruçar sobre a proteção dos nossos pés.
Como temos vinda a abordar, todas as partes do nosso corpo expostas aos mais variados perigos e riscos para a sua integridade física, devem, depois de esgotadas as medidas de prevenção, serem adequadamente protegidas em função, sempre, da avaliação de riscos por parte dos técnicos de segurança e saúde.
No caso do presente artigo, vamos focar-nos na proteção dos nossos pés. Muitos dos acidentes de trabalho relacionam-se com os membros inferiores e pés, nomeadamente no setor industrial, construção, logística e armazéns e agropecuário.
No que concerne à parte do corpo mais atingida, efetivamente os pés não vêm no top três (os membros superiores e as mãos continuam a ser a parte do corpo mais atingida), não obstante quando acontecem, independentemente da sua gravidade, contribuírem (porque estão na base da nossa locomoção) para quadros de desconforto anatomofisiológicos, dependência de terceiros e absentismo de longa duração.
Dito isto, reforçamos que os dispositivos de proteção individual para os pés, são essenciais para prevenir acidentes e garantir a segurança dos trabalhadores, principalmente em ambientes acima referidos, que apresentam riscos como quedas de objetos, perfurações, escorregamentos, cortes, contatos com correntes elétricas entre outros.
De referir que o calçado de segurança (botas ou sapatos) deverá obedecer à norma europeia EN ISO 20345:2011.
A eficácia de proteção é nos dada pela letra S, ou seja, o calçado S1 protege X, o S2 aumenta o grau de proteção e assim sucessivamente até ao S5.
Alguns dos principais tipos de proteção individual dos pés incluem:
• Botas de segurança:
Características: Geralmente possuem biqueira de aço ou materiais compósitos para proteger contra quedas de objetos pesados, impactos e compressões, além de terem palmilha em kevlar (resistente à perfuração), composição em PVC ou borracha para proteger contra produtos químicos ou água e sola em poliuretano de dupla densidade e rasto com relevo antiderrapante evitando escorregamentos em superfícies húmidas podendo também serem resistentes a temperaturas elevadas (sola isotérmica com rasto em nitrilo);

• Sapatos de segurança:
São semelhantes às botas, mas mais leves e menos altos (não possuem proteção da tibiotársica), sendo uma boa opção para ambientes menos perigosos e secos, mas ainda assim com necessidade de proteção.
• Ténis de segurança:
Menos pesados que as botas, mas ainda com proteção adequada para áreas de risco moderado, especialmente com biqueira reforçada.

Inspeção Regular:
• Verifique frequentemente se há danos no material, como rachaduras, desgaste excessivo, perfurações ou solado desgastado.
• Inspecione a biqueira de proteção e os solados para garantir que continuem funcionando adequadamente.
Limpeza e Higienização:
• Mantenha o calçado limpo e higienizável para evitar o acúmulo de poeiras e outras sujidades resultantes do local de trabalho ou substâncias perigosas, que podem comprometer a proteção oferecida;
• Para calçado impermeável, verifique se não há golpeamentos, fissuras ou danos nas costuras que possam permitir a entrada de água ou produtos químicos.
Substituição:
• O calçado de segurança tem vida útil, que varia de acordo com o material e a intensidade da sua utilização. Se estiverem danificados ou desgastados, substitua-os imediatamente.
É importante garantir que o calçado escolhido seja adequado às condições do local de trabalho, considerando os riscos ambientais (químicos, elétricos, mecânicos, térmicos, etc.).
Conforto e Ajuste:
• Certifique-se de que o calçado está ajustados corretamente para evitar desconforto e lesões. Um calçado de proteção mal ajustado pode causar bolhas, calos ou até problemas nos pés a médio e longo prazo;
• Deverá haver formação sopre EPI’s, nomeadamente neste caso, sobre a manutenção do calçado de segurança e respetivo uso correto do mesmo.
Não esquecer que os trabalhadores devem relatar qualquer problema (como calçado danificado) ao seu superior hierárquico e/ou ao serviço de Segurança e Saúde no Trabalho, para a respetiva substituição.
A segurança é uma atitude de autocuidado que cabe a cada um de nós preservar em primeiro lugar.
Bem hajam









