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Lanaccess: “A IA é a mudança de paradigma no campo da videovigilância”

9 de Julho, 20258 Mins Read
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Fundada por um grupo de engenheiros, a Lanaccess assume-se como uma empresa focada em desenvolver ferramentas robustas e ciberseguras no campo da videovigilância. A Secuirity Magazine entrevistou Francesc Tortras, senior account manager da empresa, sobre a actividade da empresa e as principais tendências no sector para os próximos tempos. Como referiu, “temos uma sólida trajectória em Portugal de mais de duas décadas a trabalhar com infra-estruturas críticas, sobretudo instituições financeiras”.

Security Magazine – Como surgiu a Lanaccess e qual é a sua actividade principal?
Francesc Tortras – A Lanaccess foi fundada por um grupo de engenheiros comprometidos com a inovação e desenvolvimento de soluções robustas e ciberseguras no campo da videovigilância, especialmente para sectores críticos. Isso foi em 1996. Hoje, prevalece o mesmo espírito: os nossos CEOs são engenheiros, assim como a maioria dos colegas comerciais. Assim, criamos uma força de trabalho focada em compreender em profundidade as necessidades dos nossos clientes para encontrar a solução tecnológica mais adequada, seja ela padrão, personalizada, exclusivamente própria ou integrada com outros fabricantes.

Em termos de produtos e serviços, que oferta têm disponível no mercado português?
Em Portugal, há mais de duas décadas que trabalhamos com clientes que continuam a renovar as suas soluções de videovigilância connosco quando chega a altura.
Contamos com um portfólio completo de soluções de videovigilância. A nossa oferta inclui gravadores de vídeo; software de gestão do sistema CCTV (VMS); análise de vídeo avançada; sistemas de visualização (como controladores de vídeo wall); e câmaras.
No âmbito dos serviços, oferecemos formação e suporte de primeira linha tanto para utilizadores finais como para integradores. É uma parte fundamental do nosso trabalho e um dos aspetos mais valorizados pelos nossos clientes, como demonstra a entrevista com o diretor de segurança do hospital de referência em Barcelona, disponível no canal do YouTube da Lanaccess.

Na sua opinião, o que distingue a Lanaccess da sua principal concorrência, sendo este um mercado bastante competitivo?
Não conheço nenhum profissional de qualquer sector que não considere o seu mercado competitivo (risos). A Lanaccess é resiliente, não falha. Em cibersegurança, a nossa tecnologia supera os controlos mais exigentes, os do sector bancário, com testes de penetração a todos os níveis. Além disso, desenvolvemos hardware robusto, adequado para instalação em ambientes críticos e com pouca supervisão.
O nosso software, intuitivo e inteligente, incorpora inteligência artificial para análise de vídeo e pesquisa forense de pessoas e veículos. Além disso, ao desenvolver a nossa própria tecnologia, podemos adaptá-la de forma optimizada às necessidades específicas de cada projecto.

A Lanaccess define-se como uma empresa com origem em Espanha. Todos os seus produtos são fabricados na Europa? Como é organizada a sua produção e distribuição?
A Lanaccess não trabalha com distribuidores, apenas com engenheiros e instaladores. Em termos de produção, temos uma equipa própria em Barcelona que supervisiona e monta os gravadores de vídeo, utilizando placas electrónicas fabricadas em Espanha por um parceiro tecnológico com maquinaria japonesa e alemã de última geração. O firmware e o software também são desenvolvidos inteiramente em Espanha. Para outras linhas de produtos, como câmaras IP, a Lanaccess colabora com uma rede de parceiros que cumprem, entre outras, a normativa NDAA. Antes de comercializá-las, realizamos testes internos de cibersegurança e operacionalidade para garantir que cumprem os nossos padrões.

Quais são os seus principais mercados-alvo?
Estamos focados em Espanha, Portugal, França e México. Neste último país, fomos galardoados com o Reconocimiento Pyme 2025, atribuído pela Câmara de Comércio Espanhola pelo nosso contributo para o desenvolvimento de pontes económicas e estratégicas entre os dois países. Este prémio demonstra o compromisso da Lanaccess em acrescentar valor para além da venda de soluções de videovigilância e a nossa intenção de exportar essa filosofia para os mercados em que operamos.

Na sua opinião, como é que a IA está a mudar o mercado da segurança? Quais são as suas vantagens e os seus maiores perigos?
A IA é a mudança de paradigma no campo da videovigilância. A ambição dos sistemas de vigilância sempre foi ir além do armazenamento e gestão de vídeo. Agora, a IA detecta atitudes, previne eventos indesejados e permite pesquisas forenses avançadas. Além disso, a IA agrega valor às soluções de segurança de vídeo, com dados que melhoram a operação e a produtividade das organizações.

Considero que a IA não representa qualquer perigo. No entanto, factores de risco são a formação inadequada, o abuso por parte de forças políticas ou a falta de alinhamento da tecnologia com as nossas leis europeias e nacionais de protecção de dados. Por isso, insistimos que as empresas e administrações públicas contratem tecnologia de fontes confiáveis e com experiência e reputação impecáveis.

Que tendências acredita que irão influenciar o mercado da segurança electrónica, em particular a videovigilância, num futuro próximo?
Num futuro próximo, iremos comunicar com o software numa linguagem natural através de modelos de linguagem em grande escala (conhecidos pela sigla em inglês LLM). A Lanaccess irá implementar esta tecnologia nos novos modelos.
As câmaras serão cada vez mais potentes, não só em termos de resolução, mas também em capacidade de processamento. Isso permitirá que as funções analíticas implementadas em servidores centralizados sejam realizadas directamente no dispositivo. Por outro lado, as soluções na nuvem continuarão a ganhar terreno graças à sua flexibilidade, escalabilidade e capacidade de centralização. Podemos corroborar isso pelo crescente interesse na nossa solução Cloud Vision.

Quais novidades a Lanaccess lançou recentemente ou prevê lançar até 2025 no mercado nacional?
Como empresa tecnológica, continuamos a inovar em todas as áreas da videovigilância: desde novos gravadores mais potentes e câmaras com melhores prestações — com IA incorporada — até algoritmos de inteligência artificial aplicados tanto à segurança como ao negócio. Além disso, incorporamos novas funcionalidades no nosso VMS totalmente web, com o objectivo de facilitar ao máximo a utilização dos sistemas.
Alguns exemplos concretos de novos desenvolvimentos são a análise de detecção de saída com carrinho de compras e a análise de desfocagem de objectos em segundo plano. Também somos capazes de reconhecer matrículas em tempo real, comparar essa matrícula com a base de dados do cliente e lançar eventos como alarmes, se necessário. Esta solução é muito útil em edifícios corporativos, parques de estacionamento privados e vias públicas e autoestradas, onde os veículos podem atingir os 120 km/h.

Qual é a importância e o peso do mercado português para a Lanaccess e por onde passa o seu crescimento e desenvolvimento neste mercado? Quais são as perspectivas de crescimento e novos investimentos?
Temos uma sólida trajectória em Portugal de mais de duas décadas a trabalhar com infra-estruturas críticas, sobretudo instituições financeiras. Esta experiência abre-nos as portas para crescer noutros sectores em que podemos agregar grande valor graças a soluções já implementadas noutros países, como o sector ferroviário, o retalho, os centros de saúde, a energia ou as telecomunicações.

A nível nacional, a Lanaccess conta com distribuidores locais? Como é que esta aposta tem evoluído?
Em Portugal, contamos com a confiança de parceiros tecnológicos locais, como a Geralseg, com décadas de experiência no sector e grandes especialistas na nossa tecnologia, o que nos permite chegar ao mercado de forma sólida e próxima.
Por nosso lado, também contribuímos com décadas de experiência no desenvolvimento de tecnologia própria, o que cria uma combinação ideal: proximidade, fiabilidade e uma solução de videovigilância de alto nível.

Como está a correr o ano de 2025 em termos de novos negócios e projectos?
Em Portugal, estamos a desenvolver vários projectos-piloto com IA aplicada em sectores críticos, industriais e de retalho, com grande potencial para reforçar a nossa presença no domínio da videovigilância no país.

Francesc Tortras (Barcelona, 1964) desenvolveu toda a sua actividade profissional na Lanaccess. Há mais de 25 anos, trabalha principalmente com instituições financeiras, supermercados e empresas de transporte ferroviário. A sua especialidade são ambientes complexos e técnicos. O seu trabalho centra-se em analisar as necessidades do cliente para construir em conjunto o âmbito do projecto, adaptando não só a proposta tecnológica, mas também as capacidades do sistema. Francesc também fornece acompanhamento contínuo ao cliente para garantir que a tecnologia instalada se adapte às suas necessidades em constante mudança.

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