A empresa Visionware comemora este ano 20 anos de actividade. A empresa de capital 100% português, credenciada pela NATO, factura cerca de cinco milhões de euros em 2024 e mantém o foco no seu crescimento nacional e internacional.
“Sermos capazes de criar uma empresa com 20 anos, mantê-la activa e com o sucesso que tem hoje tem sido um grande desafio” disse Bruno Castro, CEO da Visionware, dirigindo-se aos cerca de 60 convidados presentes.
A empresa começou em 2005 a trabalhar para a área da cibersegurança, quando pouco se falava da área. Hoje “já corremos o mundo inteiro e temos mais de 200 clientes activos em contínuo”, disse. “Hoje estamos muito melhor do que há 20 anos e continuo a ter a ambição desmedida de fazer mais e melhor”, concluiu.
Durante o evento de comemoração, Paulo Portas fez uma reflexão sobre as ameaças híbridas, ciberespaço e o papel da Europa na nova era da ciberdefesa. Durante a sessão, o responsável destacou a importância das questões da cloud, cibersegurança e digitalização das sociedades, assim como da IA. “Os temas ciber são consequência directa da digitalização das sociedades, o que tem uma consequência geopolítica”. Além disso, disse que “os temas ciber, do ponto de vista dos riscos, são muito maiores nas sociedades abertas do que nas sociedades autocratas, ou seja, grandes ou médias potências autocráticas controlam a informação e desinformação, parte das ameaças híbridas e têm controlo estatal sobre os avanços mais disruptivos da IA”.
Como afirmou, “alguns continuam a achar que é possível, por muito tempo, compatibilizar democracia e total desregulação da IA. Claro que a desregulação da IA ajuda à inovação, – e foi a desregulação nos EUA que fez nascer nos EUA com muita força o poder dos inovadores”.
“A Europa, tem tendência para regular demais e vai ter de arrepiar algum caminho nessa matéria. Como quase sempre na vida, o ponto intermédio seria o melhor”, apontou.
Segundo Paulo Portas, “há mais riscos lançados por potencias autocráticas para o interior dos estados e sociedades democráticas do que o contrário. A velocidade da inovação é superior à velocidade da regulação, o que é uma condicionante relevante da forma como se pode gerir”.
De acordo com Paulo Portas, “é possível desglobalizar em parte mas não é possível parar a digitalização”. O responsável salientou a importância de pensar a longo prazo, o que acontece na China e não acontece nos EUA ou na Europa. “As sociedades democráticas estão a perder o mínimo de sossego”.
Quanto às crises, destacou a situação das crises globais e que “quem souber prever onde estão os maiores riscos saberá onde estão as maiores oportunidades”. Face a estes desafios, sublinhou a importância do investimento na área da cibersegurança e destacou que o ramo ciber será o quarto ramos das forças armadas a ser criado. “Todo planeamento, formação e equipamento dos conflitos vai ser cada vez mais ciber”, sendo que o progresso dos orçamentos da NATO passará pela área IA e ciber.
Informação ao leitor: Informação sobre o número de clientes activos corrigida de 100 para 200.









