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PrevenControl traz IA para a segurança no trabalho em Portugal

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A PrevenControl, empresa do grupo Brisa, anunciou a expansão das suas operações ibéricas, através da entrada no mercado português em Setembro de 2024. A empresa tem como foco a área de Segurança e Saúde no Trabalho. A empresa foca-se na cultura preventiva, consultoria, aprendizagem experiencial e disponibilização de um software. Além disso, a empresa organiza, por exemplo, jornadas de segurança experimentais. Um ano depois, Joaquim Ruiz Bosch, director geral da empresa, avança à Security Magazine que há na Península Ibérica uma procura crescente de fornecedores de software para gestão de segurança e saúde. “Queremos continuar a expandir as funcionalidades e já estamos a entrar na sustentabilidade”.

SECURITY MAGAZINE – Como e quando surgiu a PrevenControl? O que significa pertencer a um grupo como o Brisa e de que forma isso influenciou a estratégia da empresa?

Joaquim Ruiz Bosch – A empresa surgiu no final de 1998, devido às necessidades emergentes das empresas após a transposição em Espanha da Directiva Europeia sobre segurança e saúde dos trabalhadores. Desde o início, focámo-nos em oferecer soluções para médias e grandes empresas, como elemento diferenciador no mercado. Muitos anos depois, passámos a fazer parte do Grupo Brisa, com o qual partilhamos valores estratégicos: ética, inovação, excelência, pessoas e sustentabilidade. A nossa estratégia adaptou-se 100% ao grupo e, estrategicamente, ajuda-nos na nossa vontade de continuar a crescer.

Quais foram os principais factores que levaram a PrevenControl a entrar em Portugal?
Tínhamos muitos clientes na península que precisavam de soluções que não existiam em Portugal, ou que não havia uma empresa que pudesse fornecer todas conjuntamente. Isso representava uma oportunidade interessante para entrar no país, que se acelerou notavelmente ao nos tornarmos parte do Grupo Brisa, claro.

Como caracterizaria actualmente o posicionamento da empresa face à concorrência no país?
Somos uma empresa «jovem» no país, embora já tenhamos fechado vários contractos com grandes empresas. A nossa experiência no país vizinho e a nível internacional ajudou muito, e o facto de fazermos parte de um dos grupos portugueses de maior relevância também nos torna fortes.

Que particularidades do mercado português exigiram adaptações nos serviços ou produtos oferecidos?
Em termos de segurança e saúde, somos países muito semelhantes. O nosso software apenas precisou de pequenas adaptações no que diz respeito à gestão de fornecedores, mas, no restante, não tivemos de fazer muitas adaptações. Percebemos que há muito mais coisas que nos unem do que nos separam.

Que papel desempenha a inovação na estratégia de expansão da empresa?
Tem um papel determinante. É um dos valores do grupo e sempre foi o nosso principal factor diferenciador. Sempre dizemos que nos caracterizamos por uma forma diferente de fazer as coisas, o que implica um grande conhecimento do mercado, inovações em todas as áreas, investimento em tecnologia e desenvolvimento e, acima de tudo, a aplicação de disciplinas alheias à segurança para resolver problemas de uma forma que nunca antes tinha sido resolvida nesta disciplina, mas sim noutras. É o nosso dia a dia.

Quais são hoje os sectores mais estratégicos para a PrevenControl em Portugal?
No final, as médias e grandes empresas costumam ter problemas semelhantes em matéria de segurança e saúde.

Existe alguma diferença na forma como os clientes portugueses e de outros países percebem a prevenção e a segurança?
Existem problemas comuns em todo o lado. Em Portugal, vimos projectos que geram uma cultura de segurança muito forte, mas também sentimos falta de uma maior cultura preventiva. Normalmente, as empresas mais locais (também em Espanha) têm dificuldade em trabalhar a liderança em segurança, em fazer diagnósticos do clima preventivo, em organizar Safety Days, etc., e as empresas multinacionais (tanto portuguesas como de outros países que operam em Portugal) estão muito mais envolvidas neste tipo de acções. Estas mudanças são muito notórias.

Que soluções inovadoras estão a desenvolver?
A nossa solução estrela, com a qual já trabalhamos com empresas portuguesas, é o software integral para a gestão da segurança e saúde nas organizações SMART OSH. Este software apresenta avanços muito interessantes em termos de robotização de processos e inteligência artificial. Tudo isto, para além do «efeito WOW» da IA, focado em resolver os problemas dos responsáveis pelos departamentos de HSQE das organizações.

Desde um robô que carrega documentos em plataformas de gestão de fornecedores simulando um humano, até à validação automática de documentos de fornecedores com IA, passando pela investigação automatizada de acidentes com a metodologia que mais nos interessa, a identificação de riscos através de fotografia e vídeo, a análise de dados para prever possíveis situações de risco, etc. A verdade é que dispomos de inovações muito poderosas que facilitam muito a vida dos gestores de segurança.

Quais foram os maiores desafios na operação em Portugal?
O maior desafio é começar do zero num país, o que nunca é fácil, mas ao incorporar pessoas muito válidas e com muita experiência, que já trabalhavam connosco há anos e nos conheciam, tornou-se mais fácil. Além disso, como tínhamos clientes que nos solicitavam serviços em Portugal, tínhamos bons parceiros com quem contávamos e continuamos a trabalhar.

Quais foram os principais marcos no crescimento da PrevenControl em território português?

O principal marco foi a organização do evento Safety Leaders Lisboa, em Março deste ano. Um evento que há anos funciona muito bem em Espanha, que gera comunidade e que nos ajudou a mostrar a nossa forma de trabalhar. Sabemos que, no papel, tudo é muito fácil, mas quando vemos realmente o que os nossos clientes indicam, as coisas mudam. Este ano, queremos repetir o evento no Porto.

Que oportunidades vê para a PrevenControl nos próximos 3 a 5 anos no país? Há planos para lançar novos serviços ou entrar em novos segmentos?
Acreditamos que tanto em Portugal como em Espanha há uma procura crescente de fornecedores de software para a gestão da segurança e saúde. Em Portugal, não há um operador local forte neste sentido que possa cobrir as necessidades actuais, e é aí que entramos. Temos um software em português, criado por uma equipa híbrida (espanhola e portuguesa), e com suporte inteiramente em português. Além disso, não temos preços de multinacional de software, mas sim ofertas mais ajustadas. Queremos continuar a expandir as funcionalidades e já estamos a entrar na sustentabilidade.

Que tendências no domínio da prevenção, segurança e saúde no trabalho estão a ganhar relevância no mercado?
Gostamos muito de reforçar uma tendência que temos visto nos mercados anglo-saxónicos: o conceito de «Make Safety Easier», que adoptámos como nosso. No final, trata-se de integrar a segurança de forma natural nas actividades diárias das organizações. Esta abordagem não visa apenas cumprir as normas, mas também transformar a segurança num pilar essencial do sucesso organizacional.
Este conceito integra também o de Decluttering, que consiste em simplificar para melhorar e eliminar processos desnecessários.
E além destes conceitos principais, é claro que a Inteligência Artificial em cada um dos processos de gestão preventiva, a formação experiencial em segurança, a segurança como valor essencial dentro da organização, o que implica trabalhar a liderança em segurança e a transformação cultural, a integração do Human and Organizational Performance (HOP), abordagem que promove uma cultura de aprendizagem contínua, onde os erros são vistos como oportunidades para melhorar os sistemas e não como falhas individuais. E, finalmente, priorizar a saúde mental: o bem-estar emocional consolida-se como parte integrante da segurança.

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