Uma nova análise do sector de cibersegurança rodoviária chamou a atenção esta semana para potenciais vulnerabilidades em veículos conectados, incluindo autocarros modernos utilizados em frotas urbanas. Embora não tenha identificado ataques reais contra veículos Yutong, o relatório sublinha que fabricantes que integram sistemas telemáticos avançados – como é o caso da empresa chinesa . precisam de adoptar medidas robustas para evitar que criminosos possam, teoricamente, interferir no controlo dos veículos.
O escândalo começou fora de Portugal: na Noruega e Dinamarca foram descobertas potenciais vulnerabilidades em autocarros eléctricos da Yutong. Nessas investigações, apontou-se que os autocarros têm um cartão SIM que permite actualizações “over-the-air” (OTA) e acesso remoto para diagnóstico. Em teoria, esse acesso poderia ser usado para desactivar ou controlar “partes críticas” do veículo (como sistemas de energia ou bateria), segundo alguns dos relatos.
Os especialistas explicam que autocarros equipados com funcionalidades como gestão remota da frota, diagnósticos online e actualizações de software via internet exigem uma protecção reforçada. Em cenários extremos, falhas de segurança poderiam permitir que atacantes tentassem manipular parâmetros do veículo, bloquear sistemas ou interromper operações.
A Yutong afirmou que trabalha continuamente para mitigar riscos, reforçando protocolos de encriptação, mecanismos de autenticação e monitorização em tempo real. A empresa implementou recentemente um centro dedicado de cibersegurança, responsável por avaliar vulnerabilidades e responder a incidentes.
“Não há qualquer registo de controlo remoto indevido dos nossos autocarros,” afirmou um porta-voz. “Mas levamos a sério a necessidade de garantir que tal cenário nunca venha a acontecer, investindo em tecnologias de proteção e em auditorias independentes.”
Especialistas sublinham que o risco não se limita a uma marca específica, mas ao avanço geral da mobilidade conectada. À medida que cidades adoptam frotas inteligentes e electrificadas, cresce também a necessidade de garantir que os sistemas digitais que suportam a operação estão protegidos contra interferências externas.
O relatório conclui que a colaboração entre fabricantes, operadores de transporte e autoridades é essencial para impedir que criminosos possam, no futuro, tentar assumir controlo de veículos conectados – um risco que, embora actualmente teórico, exige atenção contínua.
O que já foi feito em Portugal relativamente à cibersegurança dos autocarros Yutong
Averiguação da Guimabus – A operadora Guimabus, em Guimarães, abriu um processo para investigar se alguns dos seus autocarros Yutong têm um cartão SIM oculto que envia dados para a fabricante, após os testes na Noruega que identificaram potencial para controlo remoto.
Exigências no contracto de Braga (TUB)– No concurso público para a compra de 35 autocarros elétricos Yutong pelos Transportes Urbanos de Braga (TUB), o município incluiu cláusulas fortes de segurança tecnológica. Especifica “regras rigorosas que impedem qualquer forma de acesso remoto não autorizado às viaturas”. Também exige que todos os dados recolhidos (como os da “caixa negra” dos autocarros) sejam propriedade exclusiva da entidade adjudicante (ou seja, do município / operadora), o que limita o controle externo. Ainda no mesmo contrato, há obrigação de cumprir o RGPD (proteção de dados) e a limitação da tecnologia embarcada ao mínimo “necessário para a operação” (diagnóstico, CCTV, informação ao passageiro, etc.).
Garantias da Yutong
A Yutong, em comunicado, garantiu que ninguém pode aceder ilegalmente aos dados dos autocarros sem autorização dos clientes (operadoras / frotas). Afirma que os dados são armazenados na UE (mais precisamente, num data center da AWS em Frankfurt) para reforçar a proteção e a soberania dos dados.
Reitera que, nos veículos que operam na Europa, não há controlo remoto da aceleração, direção ou travagem: segundo a Yutong, só existe controlo remoto para funções “não críticas”, como ligar o ar condicionado. Diz também que cumpre normas internacionais de cibersegurança, nomeadamente a UN R155 (cibersegurança veicular) e UN R156 (atualizações de software), além de certificações ISO para gestão da segurança da informação.
Pressão mediática e política
O alerta sobre possíveis riscos em autocarros Yutong veio de testes internacionais (Noruega, Dinamarca), o que está a gerar debate em Portugal.









