No World Port Center, foi assinado um acordo de cooperação entre a Autoridade Portuária de Roterdão e a VOTOB, Associação das empresas neerlandesas de armazenagem em tanques, com o objectivo de dar continuidade e reforçar a task force dedicada ao combate à fraude conhecida como storage spoofing.
Com este acordo, as duas entidades enviam um sinal claro aos grupos internacionais de fraude que têm como alvo o porto de Roterdão e outros portos marítimos através desta forma persistente de burla. A task force integra igualmente a organização The Commodity Traders e a Polícia, nomeadamente o distrito policial portuário, incluindo a equipa de especialização digital.
O acordo foi assinado por representantes das entidades envolvidas, entre os quais Marijn van Schoote, director da Ferm Seaports, Willem-Henk Streekstra, director da VOTOB, e Ronald Backers, consultor de Business Intelligence da Autoridade Portuária de Roterdão.
O chamado storage spoofing, ou tank storage spoofing, é o termo utilizado em Roterdão para designar todas as formas de venda fraudulenta de capacidade de armazenagem e de inventários de matérias-primas e produtos que, na realidade, não existem nos terminais, sobretudo na área do porto de Roterdão.
Neste tipo de fraude online, os criminosos criam websites falsos que imitam empresas reconhecidas de armazenagem em tanques e oferecem mercadorias inexistentes. As vítimas são, por um lado, operadores e traders internacionais que são enganados e perdem somas significativas de dinheiro em negócios fictícios e, por outro, empresas legítimas da zona portuária, cujos nomes e dados são utilizados de forma indevida. Em alguns casos, chegaram mesmo a deslocar-se camiões-cisterna a terminais para recolher produtos que não existiam.
Os prejuízos anuais para os traders são estimados em, pelo menos, 10 milhões de euros, valor considerado conservador, uma vez que se baseia apenas nos montantes efectivamente conhecidos. Em 2025, foram reportados à task force negócios fraudulentos com um valor total anunciado de 2,5 mil milhões de euros. Para além das perdas financeiras, existem ainda danos significativos para as empresas cujas identidades são utilizadas indevidamente, bem como prejuízos reputacionais para os próprios portos.
Segundo Willem-Henk Streekstra, director da VOTOB, várias empresas associadas lidam com este problema há vários anos. O responsável sublinha que esta cooperação permite disponibilizar apoio profissional para reduzir este tipo de fraude e considera essencial o trabalho conjunto com a Autoridade Portuária e os restantes parceiros. Para o dirigente, continua a ser extremamente frustrante ver o nome de uma empresa utilizado em esquemas fraudulentos e pessoas a perderem grandes quantias de dinheiro.
Os primeiros casos deste tipo de burla remontam a cerca de 15 anos. Há aproximadamente uma década, o número de incidentes começou a aumentar, o que levou à criação de uma task force em 2017, então sob a designação de Ferm Rotterdam, actualmente Ferm Seaports. Entre as primeiras iniciativas estiveram campanhas de sensibilização que estiveram na base da estrutura actualmente existente.
Ao longo dos anos, a task force desenvolveu entrevistas, artigos de enquadramento e ferramentas de apoio online, bem como uma blacklist de websites não fiáveis e uma whitelist de páginas consideradas seguras para a realização de negócios. A lista de sites fraudulentos inclui actualmente mais de 1.250 domínios e continua a ser actualizada de forma permanente.
A task force é composta pela Ferm, pela Autoridade Portuária de Roterdão, pela Polícia Portuária e por vários membros da VOTOB. Em 2020 foi estabelecida uma cooperação com a fundação neerlandesa de registo de domínios de Internet, SIDN, que apoia a remoção de websites fraudulentos com domínio .nl. Em 2024 foi ainda iniciada uma parceria com a The Commodity Traders, que apoia a análise de fiabilidade de negócios e documentos apresentados e contribui para a identificação de novos websites a integrar na blacklist. Segundo as entidades envolvidas, são prevenidos casos de fraude diariamente.
No âmbito desta nova fase de cooperação, a plataforma anteriormente alojada no endereço ferm-rotterdam.nl/storage-spoofing passou a estar disponível em www.storagespoofing.nl
, um novo portal conjunto da Autoridade Portuária de Roterdão, da VOTOB, da The Commodity Traders e da Polícia Portuária. Vários terminais do porto de Roterdão, associados da VOTOB, participam igualmente nesta iniciativa.
De acordo com Marijn van Schoote, director da Ferm Seaports, esta entidade funciona como uma plataforma nacional dedicada à resiliência e robustez cibernética dos portos marítimos de importância nacional. Para o responsável, o storage spoofing é uma forma de criminalidade digital que afecta directamente a economia, a integridade dos portos e também as pessoas que neles trabalham, considerando por isso muito positiva a criação desta nova cooperação.
Os principais instrumentos utilizados pelos burlões são websites falsos, mensagens de correio electrónico e outros meios de contacto digital baseados na confiança e na utilização de documentos forjados. Uma grande parte da informação sobre empresas está publicamente disponível, através de websites, registos comerciais ou plataformas como o Google Maps, podendo ser facilmente copiada. Este contexto tem levado à proliferação de páginas fraudulentas cada vez mais difíceis de distinguir de sites legítimos.
A task force mantém, assim, um trabalho activo de identificação, bloqueio e remoção destes websites, procurando reduzir de forma contínua o impacto desta forma de fraude no porto de Roterdão e no sector portuário em geral.









