A CISA (Agência de Cibersegurança e Infraestrutura dos EUA) publicou uma nova orientação técnica para enfrentar as barreiras que impedem a adopção de comunicações seguras em Tecnologias Operacionais (OT) em sectores de infraestrutura crítica.
O documento, intitulado “Barriers to Secure OT Communication: Why Johnny Can’t Authenticate”, baseia-se em pesquisas com proprietários de activos e fabricantes para entender por que protocolos industriais seguros ainda são pouco utilizados, apesar da alta demanda por autenticação.
Os principais pontos do resumo incluem:
- Barreiras à Implementação: A adopção é bloqueada por três factores principais: custo, complexidade e risco operacional. Os custos envolvem não apenas a aquisição de novos equipamentos e licenças, mas também a actualização de sistemas legados e o treinamento de pessoal. A complexidade reside na gestão da Infraestrutura de Chaves Públicas (PKI), que muitos operadores consideram difícil de configurar e manter sem suporte externo.
- Assinatura vs. Criptografia: A CISA esclarece que a assinatura digital (que garante integridade e autenticação) deve ser priorizada sobre a criptografia (que garante confidencialidade). Isso ocorre porque a criptografia pode introduzir latência, consumir largura de banda em redes antigas e reduzir a visibilidade para inspecção de tráfego, gerando receio de interrupções operacionais.
- Recomendações para Fabricantes: Devem focar em “segurança por design”, oferecendo produtos com cripto-agilidade (capacidade de actualizar algoritmos ao longo do tempo) e configurações seguras por padrão. Além disso, devem simplificar os fluxos de trabalho de segurança e utilizar padrões abertos para garantir a interoperabilidade.
- Recomendações para Operadores: A orientação sugere uma implementação faseada, começando pela assinatura e registro de logs antes de passar para medidas rigorosas de bloqueio de pacotes não autenticados. Áreas de alto risco, como acesso remoto e actualizações de firmware, devem ser priorizadas para a aplicação de comunicações seguras.
- Desafios Futuros: O documento também alerta para a necessidade de preparação para a criptografia pós-quântica (PQC), destacando que a agilidade criptográfica será essencial, já que a transição para PQC provavelmente ocorrerá durante a vida útil dos produtos comprados actualmente.
Em suma, embora os operadores desejem os benefícios da comunicação segura, a indústria precisa focar na usabilidade das soluções de segurança para tornar essa transição viável e reduzir a dependência de protocolos legados vulneráveis.
Nos sistemas de Tecnologia Operacional (OT), a distinção entre assinatura digital e cifra (criptografia) é fundamental para equilibrar a segurança com a continuidade operacional. De acordo com o documento, as principais diferenças residem nos seus objectivos de segurança e nos impactos que causam na rede:
- Objectivo e Definição: A assinatura foca na integridade e autenticação, garantindo que os dados não foram alterados e que a origem é legítima. Já a cifra provê confidencialidade, protegendo o conteúdo da mensagem para que não possa ser lido por terceiros.
- Priorização e Implementação: As orientações sugerem que a assinatura deve ser priorizada e pode ser implementada de forma independente da cifra. A cifra, por outro lado, geralmente inclui a assinatura, mas exige validação adequada para ser eficaz.
- Impacto na Performance (Latência e Banda): A cifra de dados operacionais pode introduzir latência e consumir largura de banda significativa, o que é uma preocupação crítica em infraestruturas legadas. A assinatura é vista como um primeiro passo menos disruptivo para redes que não suportam o overhead da criptografia total.
- Observabilidade: Um dos maiores diferenciais é que a cifra reduz a visibilidade da rede, tornando o tráfego mais difícil de inspeccionar. A assinatura permite que os dados permaneçam visíveis para ferramentas de monitorização, mantendo a capacidade de auditoria enquanto assegura que os comandos são autênticos.
- Casos de Uso Específicos:
◦ A assinatura é essencial para prevenir ataques de “actor-in-the-middle”, comandos não autorizados e actualizações de firmware maliciosas.
◦ A cifra é recomendada especificamente para proteger funções de gestão de rede, como a troca de credenciais e chaves, além de proteger dados sensíveis como actualizações de lógica e agregação de dados de campo.
Em resumo, enquanto a assinatura protege a veracidade e origem da comunicação sem esconder o seu conteúdo, a cifra foca em manter o segredo dos dados, embora traga maiores desafios de custo, complexidade e risco à disponibilidade do sistema.








