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“Um dia em segurança” decorreu na passada semana em Lisboa

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A 19ª edição da conferência “Um dia em segurança” reuniu profissionais de diversas áreas da segurança num debate sobre alguns dos eixos mais críticos da construção contemporânea, nomeadamente no que toca à Segurança Contra Incêndios em Edifícios, e sobre a continuidade de negócio e gestão de emergência. A conferência decorreu em Lisboa, no passado dia 16 de Abril, numa organização da Cedros, ET, P2i e Sinalux.

Durante a sessão da manhã, focada na “Integração entre design e segurança”, os profissionais abordaram a evolução da SCIE face às novas tendências, com soluções flexíveis, responsáveis e alinhadas com o futuro. O painel contou com a presença de João Almeida (LNEC), Diogo Teixeira (A400), José Laranjeira (Lisboa SRU), Pedro Mendonça (Mundicenter) e Tiago Sallas (S+A). Um debate moderado por Ricardo Moreira, da Sinalux|Everlux, e Paula Carvalho, da P2i – Sistemas de Protecção Contra incêndios, Lda

A Security Magazine acompanhou debate durante a manhã, onde foi sublinhada a transição necessária na mentalidade do sector, reforçando que a segurança não deve ser encarada como uma medida reactiva ou um “acessório” imposto pela lei, mas como um pilar estruturante da concepção, integrado na linguagem arquitectónica desde a fase conceptual. A segurança contra incêndios deve ser considerada desde o primeiro risco do projecto de arquitectura e não como algo que se “cola” ao edifício no final. A integração precoce elimina cerca de 90% dos problemas de compatibilização que surgem posteriormente. O regulamento actual é considerado, pelos especialistas, como 99,9% prescritivo, o que é visto como castrador para a inovação e para edifícios complexos. Concluiu-se que é urgente adoptar o Projecto Baseado no Desempenho (Performance-Based Design), permitindo soluções de engenharia adaptadas à realidade de cada edifício através de simulações, em vez da aplicação cega de regras genéricas.

O painel de especialistas foi unânime quanto à necessidade urgente de mais formação académica especializada em Engenharia de Incêndio em Portugal. A segurança não pode continuar a ser um exercício de “conformidade documental” para aprovação de projectos, mas sim uma simbiose constante entre arquitectos, engenheiros, promotores e autoridades. Defendeu-se a criação de cursos de especialização em dinâmica de incêndio e evacuação para que os projectistas e revisores tenham competências técnicas reais e não apenas conhecimentos do regulamento.

Para além dos equipamentos, foi referido que é crucial desenvolver uma literacia de risco na sociedade. Concluiu-se que as medidas de autoprotecção e os simulacros não devem ser vistos como uma “chatice legal”, mas como uma preparação vital para garantir que, em caso de emergência, os ocupantes saibam como reagir.

A transição para uma segurança de desempenho real exige que a disciplina saia da sua “bolha” técnica e se assuma como uma ferramenta de valorização do edificado. Afinal, a segurança é a garantia de preservação do próprio objecto arquitectónico: sem uma estratégia de protecção eficaz, o edifício deixa de existir, e com ele perde-se a estética, o património e, fundamentalmente, a vida.

Os participantes destacaram também a dificuldade de comunicação com os técnicos da Protecção Civil, cujas decisões são muitas vezes vistas como “arbitrárias e sem homogeneidade”. Os oradores concluíram que a ANEPC deveria actuar como um parceiro pedagógico e não apenas como uma entidade punitiva ou burocrática.

Inovação e Sustentabilidade: Novos Desafios
Foi destacado que as novas tendências de construção trazem riscos que o regulamento actual, baseado em conceitos das décadas de 80 e 90, não consegue acompanhar totalmente.
Materiais Sustentáveis: O uso de madeira em altura e isolamentos térmicos combustíveis (como os que contribuíram para a tragédia de Grenfell) cria conflitos entre as exigências de eficiência térmica e segurança ao fogo
Fachadas Verdes: Estas representam um desafio complexo de carga de incêndio e radiação que não está explicitamente detalhado na lei
Mobilidade Eléctrica: O carregamento de veículos eléctricos em parques de estacionamento fechados introduz riscos de incêndios que não podem ser extintos pelos meios tradicionais, exigindo novas estratégias de contenção e ventilação

Tecnologia como Aliada: BIM e IA
O uso da metodologia BIM (Building Information Modeling) foi apontado pelos especialistas como fundamental para a gestão técnica e coordenação de especialidades, permitindo, por exemplo, o cálculo automático e preciso de selagens corta-fogo em atravessamentos de instalações. Paralelamente, a Inteligência Artificial começa a ser explorada para simulações de evacuação e como ferramenta de apoio à decisão e consulta técnica em gabinetes de projecto.

Durante a tarde decorreu o Painel II sobre Continuidade do Negócio, Gestão da Emergência e Segurança Ambiental: preparação, resiliência e estratégia num contexto cada vez mais exigente, o qual contou com a presença de André Morais (Protecção Civil do Montijo), António Tavares (CM de Cascais), José Goulão Marques (Centro de Estudos de Intervenção em Protecção Civil) e Marco Santos (EPAL). Um debate moderado por Luís Coelho, da Cedros Lda, e Tiago Eiras, da ET – Segurança Industrial.

Enquanto evento de referência nas áreas da Prevenção e Segurança, o “Um Dia em Segurança” reforça, uma vez mais, o seu compromisso com a partilha de conhecimento e a promoção de networking, através de conferências, mesas-redondas e uma área de exposição que aproxima profissionais, especialistas e empresas do sector.

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