O INEGI integra o consórcio europeu responsável pelo desenvolvimento do primeiro satélite militar europeu de muito baixa órbita (VLEO – Very Low Earth Orbit), um projeto que pretende reforçar as capacidades de observação da Terra, comunicações e resposta a crises no espaço europeu. O Instituto é uma das três entidades portuguesas envolvidas na iniciativa VLEO DEF – Very Low Earth Orbit Satellite Systems for Defence, financiada por cinco países participantes na Agência Europeia de Defesa (EDA) e composta por um consórcio de 17 parceiros internacionais, entre os quais Airbus Defence and Space, Thales Alenia Space France, DEIMOS e SENER.
Os satélites de muito baixa órbita operam mais próximos da Terra do que os satélites tradicionais, permitindo imagens com maior resolução, comunicações mais eficientes e menor dependência de infraestruturas externas, fator considerado estratégico para missões de defesa e segurança. No entanto, este tipo de operação apresenta desafios técnicos significativos, como o elevado arrasto atmosférico, a erosão provocada pelo oxigénio atómico e a necessidade de sistemas de propulsão e materiais mais resistentes.
No âmbito do projeto, o INEGI será responsável pela avaliação da viabilidade estrutural e de fabrico dos satélites, participando no desenho das estruturas e no desenvolvimento de materiais compósitos capazes de resistir ao ambiente extremo da baixa órbita. Segundo Rui Marques, responsável pelo projeto no INEGI, as órbitas muito baixas “abrem caminho para sistemas mais eficientes, com custos mais reduzidos e capacidades estratégicas reforçadas”.
O projeto dá continuidade ao programa VLEO OB, no qual o Instituto já tinha participado na definição de soluções estruturais resistentes ao ambiente espacial e na análise de viabilidade técnica para operações prolongadas em órbitas muito baixas. Os resultados obtidos permitiram demonstrar a possibilidade de operar satélites nestas condições mantendo níveis adequados de rigidez, resistência e desempenho para missões estratégicas europeias.
Além do INEGI, o consórcio integra empresas e entidades tecnológicas de vários países europeus, incluindo GEOSAT, SATLANTIS, Exotrail, GomSpace e Skylabs, num esforço conjunto para reforçar a autonomia tecnológica europeia no setor espacial e de defesa.









