A NACEX inaugurou hoje o seu novo centro operacional no Montijo, um investimento que reforça significativamente a capacidade logística da empresa em Portugal e que incorpora uma forte componente tecnológica e de segurança. Com capacidade para processar até 6.500 encomendas por hora, a nova infra-estrutura assume-se como o principal hub da operação nacional da transportadora expresso do grupo Logista em Portugal.
As novas instalações substituem o Centro de Distribuição de Alcochete e reforçam a capacidade de classificação de mercadorias da NACEX, que agora supera os 6.500 envios por hora, optimizando o serviço prestado na área da Grande Lisboa. A plataforma do Montijo, construída para a NACEX, com um armazém de 3.300m 2 e um edifício de escritórios de 1.000m 2 , está equipada com a mais recente tecnologia em matéria de classificação e rastreabilidade. As novas instalações duplicaram a sua capacidade de carga e descarga, passando de 21 para 43 cais.
Para João Jales, country manager da NACEX Portugal, a conclusão do projecto representa um marco importante para a empresa. “É um motivo de grande orgulho, sobretudo porque estamos a trabalhar neste projecto desde antes da pandemia. Já passaram mais de seis anos desde o momento em que obtivemos a aprovação da Logista para avançar com este investimento. Não foi um processo fácil. (…) Acabámos por encontrar esta solução com o apoio da Câmara Municipal do Montijo, e acreditamos que foi a escolha certa. Temos uma localização privilegiada, com excelentes acessibilidades e proximidade aos principais eixos rodoviários, algo que foi ainda mais valorizado pelas recentes melhorias realizadas na zona envolvente.”
O novo centro surge como resposta ao crescimento da operação e à necessidade de aumentar a eficiência dos processos logísticos. Segundo João Jales, “este investimento representa um reforço muito significativo da nossa capacidade operacional. Permite-nos aumentar a capacidade de triagem, acelerar os processos e reduzir substancialmente a margem de erro. Todo o sistema está altamente automatizado, recorrendo à leitura de códigos e à identificação automática dos destinos das encomendas. Quanto menor for a taxa de erro, maior é a qualidade e a fiabilidade do serviço que prestamos aos nossos clientes.”
Operação B2B e B2C
A plataforma processa encomendas dos segmentos B2B e B2C. A atividade está essencialmente dividida entre os segmentos B2B e B2C. No B2C, trabalha directamente para o consumidor final, assegurando entregas ao domicílio, em escritórios ou através da nossa rede de pontos de conveniência. Estes pontos incluem lockers, lojas da rede NACEX Shop e outros pontos de recolha distribuídos pelo território. No segmento B2B, serve empresas, lojas, grandes superfícies comerciais, hospitais, centros de saúde, clínicas e consultórios médicos
A rede nacional da empresa integra cerca de 900 pontos NACEX Shop, complementados por seis hubs principais e aproximadamente 30 centros de distribuição em Portugal. Considerando a operação ibérica, a infraestrutura ultrapassa os 300 centros e plataformas logísticas.
Segurança integrada desde a concepção
A segurança foi uma das áreas consideradas desde o desenho inicial da instalação. Sérgio Gonçalves, Security e Safety Manager da Logista em Portugal, destaca que a estratégia seguida assenta numa análise de risco contínua e numa visão de longo prazo.
“Na Logista temos vindo, ao longo dos anos, a desenvolver um trabalho consistente de uniformização dos sistemas de segurança em todas as empresas do grupo. Naturalmente, o nível de protecção varia em função dos riscos associados a cada actividade. Existem operações que lidam com produtos de elevado valor e que exigem medidas mais robustas. No caso da NACEX, embora o risco seja diferente, também transportamos mercadorias que requerem níveis elevados de protecção.”
Segundo o responsável, a definição dos sistemas de protecção resulta de uma avaliação detalhada das ameaças associadas às operações. “O nosso ponto de partida é sempre a análise de risco. Avaliamos as ameaças associadas ao transporte, à operação logística e às instalações e, em função disso, definimos os sistemas e os equipamentos necessários. Procuramos ter uma visão de longo prazo, antecipando riscos futuros e não apenas respondendo às ameaças actuais.”
O novo centro integra sistemas de videovigilância, controlo de acessos, detecção de intrusão e tecnologias de inteligência artificial aplicadas à segurança.
“Neste centro operacional implementámos sistemas de videovigilância (CCTV), controlo de acessos, detecção de intrusão e diferentes níveis de protecção para áreas específicas. Adicionalmente, já utilizamos tecnologias baseadas em inteligência artificial e analíticas de vídeo, que nos permitem aumentar a capacidade de detecção e resposta a situações potencialmente críticas.”
A infraestrutura recorre ainda a tecnologia de videovigilância da Axis Communications, incluindo equipamentos de gama avançada concebidos para ambientes logísticos de elevada exigência. Entre as soluções implementadas encontram-se câmaras multissensor e modelos multissensor com funcionalidade PTZ (Pan-Tilt-Zoom), que combinam várias lentes num único dispositivo, permitindo uma cobertura alargada dos espaços e uma monitorização mais eficiente das operações.
Segundo Sérgio Gonçalves, estas soluções destacam-se pela versatilidade em ambientes interiores de grande dimensão, conjugando monitorização permanente com capacidades avançadas de zoom e acompanhamento de ocorrências. Integradas com analíticas de vídeo e inteligência artificial, permitem automatizar processos de detecção, apoiar os operadores na identificação de eventos e reforçar a capacidade de resposta perante situações de risco. O sistema inclui ainda câmaras mini dome e outras soluções de vídeo adaptadas às diferentes áreas da instalação.
Embora a operação assente num modelo de cross-docking, onde as mercadorias permanecem pouco tempo nas instalações, os riscos continuam a existir.
“É verdade que a mercadoria permanece aqui durante períodos relativamente curtos, mas isso não significa que os riscos desapareçam. Pelo contrário. Em determinados momentos de maior actividade, os armazéns podem tornar-se mais vulneráveis”, refere Sérgio Gonçalves. O responsável aponta riscos associados a furtos, intrusões e incidentes durante os períodos de maior movimentação de encomendas. Além disso, destaca a crescente convergência entre segurança física e digital.
“Existe ainda uma preocupação crescente com ameaças híbridas, onde a segurança física e a segurança digital se cruzam.”
Segurança física e cibersegurança cada vez mais próximas
Para Sérgio Gonçalves, a protecção das instalações é hoje um elemento essencial da estratégia global de protecção das organizações. “Muitas organizações concentram-se na protecção contra ataques remotos, mas existe uma realidade cada vez mais presente: os ataques que começam fisicamente dentro das instalações.”
O responsável sublinha que o controlo de acessos, a gestão de fornecedores e a protecção dos espaços desempenham um papel fundamental na mitigação de riscos. “A segurança física e a segurança digital já não podem ser vistas como áreas separadas.” Esta preocupação estende-se igualmente à gestão das equipas de vigilância. “Uma das práticas que implementámos há vários anos é entrevistar pessoalmente todos os vigilantes que passam a integrar as nossas equipas. Queremos garantir que compreendem a cultura da organização, o nível de exigência e os procedimentos que seguimos.”
Centro de controlo centralizado
Todos os sistemas de segurança da instalação estão ligados a um centro de controlo próprio da Logista, responsável pela monitorização das várias operações do grupo.
“Através desta central conseguimos supervisionar remotamente sistemas de videovigilância, controlo de acessos, alarmes, cofres electrónicos, chaveiros inteligentes e diversos outros equipamentos de segurança. A utilização de inteligência artificial e analíticas avançadas permite-nos adoptar uma postura cada vez mais proactiva na detecção de incidentes.”
Além da protecção das instalações, a tecnologia desempenha também um papel relevante na rastreabilidade das encomendas. “Dispomos de um sistema desenvolvido especificamente para a operação da NACEX que permite acompanhar cada encomenda desde a entrada até à saída das instalações.” A solução permite identificar rapidamente a localização e o estado das encomendas ao longo do processo logístico, reforçando a transparência e a capacidade de resposta perante eventuais reclamações dos clientes.
O desafio continua a ser a última milha
Apesar dos investimentos em automação, tecnologia e infraestruturas, João Jales considera que o principal desafio do sector permanece inalterado. “O grande desafio continua a ser a chamada ‘última milha’, ou seja, o momento final da entrega ao destinatário. É precisamente nesta fase que se concentra a maior parte dos custos operacionais e das dificuldades de gestão.”
Segundo o responsável, a forte dependência de recursos humanos e a necessidade de garantir elevados níveis de eficiência tornam esta etapa particularmente exigente. Ainda assim, acredita que investimentos como o realizado no Montijo contribuem decisivamente para melhorar a qualidade e a fiabilidade do serviço.
“A tecnologia, a segurança e a transparência são hoje elementos essenciais para construir confiança e fidelizar clientes. E acreditamos que esse tem sido um dos factores que contribuem para o sucesso da operação da NACEX.”









