• Início
  • Notícias
  • Fábrica de Nelas da Forvia adopta Realidade Aumentada para eliminar falhas de qualidade no sector automóvel
Notícias

Fábrica de Nelas da Forvia adopta Realidade Aumentada para eliminar falhas de qualidade no sector automóvel

8 de Julho, 20263 Mins Read
566

A fábrica da EDA (Estofagem de Assentos), uma unidade de produção e subsidiária da multinacional FORVIA localizada em Nelas, está a testar uma tecnologia pioneira de realidade aumentada industrial que promete transformar o chão de fábrica. A iniciativa surge integrada na Agenda Drivolution, um consórcio focado em modernizar a indústria automóvel nacional através do desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços. O projecto em teste combina a tecnologia de software desenvolvida pela SkillAugment, através da solução KIT-AR, com a validação científica e investigação do INESC TEC.

O grande objectivo desta inovação é responder a um desafio real e crítico na cadeia de produção: os defeitos de qualidade que escapam à inspecção visual e acabam por chegar ao cliente final. De acordo com Roberto Pinheiro, engenheiro de processo na Fábrica de Nelas, estas falhas aconteciam porque, muitas vezes, o operador não realizou o controlo de forma adequada, dada a complexidade e exigência da tarefa. Sendo a FORVIA uma especialista em bancos de automóveis que prima pela digitalização, a integração neste projecto foi vista como um passo natural. Rui Sousa, director de produção da unidade de Nelas, sublinha que a meta é trazer benefícios directos aos operadores, facilitando o controlo destes pontos críticos, elevando a qualidade final dos assentos e eliminando por completo as reclamações dos clientes.

Na prática, a solução funciona através da utilização de óculos de realidade aumentada por parte dos operadores durante o controlo final do encosto e do assento. Segundo Manuel Oliveira, CEO da SkillAugment, a grande inovação do software reside na criação dinâmica e contextualizada das instruções de trabalho. Dependendo do produto que dá entrada na estação, o sistema gera automaticamente no campo de visão do operador as indicações exactas do que precisa de fazer, quais as ferramentas a utilizar e para que ponto específico deve olhar. O trabalhador consegue ver o desenho técnico de referência sobreposto ao banco real e efectuar “checks” digitais para confirmar a conclusão de cada tarefa. No final, todo o processo fica registado de forma automática, eliminando a perda de tempo com documentação em papel ou deslocações a terminais informáticos, servindo como uma ferramenta digital de suporte à filosofia “lean”.

Para garantir que a tecnologia serve as pessoas e não o oposto, uma equipa de investigação do INESC TEC, constituída por Ana Simões e Filipa Ramalho, tem estado a acompanhar o piloto directamente no terreno em Nelas. O trabalho do instituto passa por avaliar a adopção da tecnologia sob uma perspectiva centrada no ser humano, identificando barreiras e analisando o impacto antes e depois da implementação. Através de observação de campo e entrevistas aos operadores, as investigadoras estudam o ajustamento físico aos óculos, a ergonomia e a carga cognitiva associada à operação. O objectivo deste acompanhamento minucioso é recolher dados que permitam afinar progressivamente a solução, garantindo não só o aumento da eficiência e competitividade da fábrica, mas também uma melhoria real na qualidade de vida e no bem-estar dos operadores nos seus postos de trabalho.

Notícias relacionadas