Por António Gonçalves, Ex- Country Security Manager DHL Express Portugal e Consultor de Security e de AVSEC
Durante demasiado tempo, a segurança nas empresas foi encarada como uma função de suporte, secundária face às prioridades operacionais e comerciais. Hoje, essa visão já não faz sentido. Num contexto marcado pela instabilidade geopolítica, pela crescente sofisticação das ameaças e pela vulnerabilidade das cadeias de abastecimento, a segurança tornou-se um fator essencial para garantir continuidade, confiança e competitividade.
As organizações que continuam a olhar para a segurança apenas como uma obrigação operacional ou regulatória estão mais expostas a riscos financeiros, reputacionais e estratégicos que podem comprometer o negócio.
No setor da logística e do transporte expresso, estes desafios são particularmente evidentes. A ameaças já conhecidas, como roubo de carga e furto ambos internos e externos, terrorismo, transporte de matérias perigosas, contrabando ou a utilização indevida das redes logísticas para atividades ilícitas, juntam-se hoje novos riscos associados ao atual contexto internacional. Entre eles destacam-se o aumento das tentativas de introdução de bens de uso dual – civil e militar – nas cadeias de abastecimento e o crescimento das ameaças de cibersegurança.
Perante esta realidade, o desafio não passa por criar uma nova cultura de segurança, mas sim por garantir a sua constante adaptação. A evolução dos riscos exige processos robustos, avaliações permanentes, sistemas de monitorização eficazes e uma capacidade crescente de prevenção e resposta.
O impacto destas ameaças vai muito além da segurança propriamente dita. Qualquer incidente pode traduzir-se em interrupções operacionais, perda de confiança por parte dos clientes, danos reputacionais e custos financeiros significativos. Proteger as operações significa, por isso, proteger toda a cadeia de valor.Neste contexto, a tecnologia desempenha um papel cada vez mais relevante.
A inteligência artificial, a análise avançada de imagens, os sistemas inteligentes de videovigilância e o rastreamento em tempo real dos envios estão a transformar a forma como as empresas identificam riscos, previnem incidentes e reforçam a proteção das suas operações.
O investimento contínuo em tecnologia, formação e processos, aliado à colaboração próxima com as autoridades competentes, permite-nos responder de forma mais eficaz aos desafios de um contexto cada vez mais complexo e exigente. No entanto, nenhuma tecnologia substitui o fator humano. A construção de uma cultura de segurança sólida depende do envolvimento de toda a organização. É através da formação contínua, da consciencialização e da responsabilização individual que se criam organizações mais preparadas para enfrentar os riscos atuais e futuros. Porque, no final, a segurança continua a assentar num princípio simples: a segurança é responsabilidade de todos.









