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Como Gerir o Stress Ocupacional em Trabalhadores de Atividades de Risco?

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Ao abordamos a temática do stress em meio ocupacional, temos de ter em conta uma maior sensibilidade no que concerne ao grupo de trabalhadores que desempenham atividades particularmente perigosas, insalubres, penosas e tóxicas, cuja tensão permanente além da pressão laboral, podem influir nos índices de concentração, memorização e atenção desejáveis à prevenção e
cuidado dessas mesmas atividades.

Relembrando o conceito, designamos de episódio de stress, a resposta natural do organismo perante uma determinada situação que o coloca “fora da caixa de conforto” e que, vai por essa via, condicionar um reajustamento a determinado contexto, seja ele físico ou de origem psicossocial.

Também temos a noção que o stress não se caracteriza sempre por ser algo de mau para o indivíduo. Situações existem em que ele é positivo, aumentando os estímulos cerebrais, a motivação, a alegria no trabalho, as relações humanas positivas e o estado de alerta, preparando o trabalhador para enfrentar os desafios e os objetivos de uma forma mais saudável e eficaz. Porém, se os níveis de stress aumentarem de intensidade e por conseguinte elevarem a pressão de uma forma mais permanente, sem coexistirem em simultâneo mecanismos de compensação e de apoio socio emocional, sem pausas, sem reforço energético entre outros, o estado inicialmente motivacional vai dar lugar a episódios de frustração, alterações neurocognitivas, desinteresse, desvinculação emocional, esgotamento (nas formas de depressão profissional e de burnout), etc, aumentando a probabilidade de quadros de absentismo, comorbilidades, incidentes e acidentes laborais.

Ora bem, se na “minha” organização tenho trabalhadores a desempenharem as tais funções caracterizadas como críticas em termos de perigosidade por exemplo, o aumento dos níveis de stress poderão contribuir biologicamente para a descarga de hormonas que vão acelerar o ritmo cardíaco, a pressão arterial, a dilatação das vias respiratórias e contração dos grupos musculares, além da libertação de corticoides que vão aumentar os níveis e açúcar fornecendo mais energia. Ou seja, por outras palavras, temos uma “bomba-relógio” com potencial de dano, pois o trabalhador em stress permanente, vai comprometer o equilíbrio, a racionalidade, a destreza e a psicomotricidade e consequentemente estará em situação privilegiada para ter probabilidade de se sinistrar como acima referimos.

Cabe então à nós, técnicos de prevenção laboral, e em articulação com outros profissionais pluridisciplinares, tentarmos fazer o nosso trabalho de casa, ou seja, gerir as várias situações (caso-a-caso, e daí a importância das chefias intermédias, coordenadores e encarregados conhecerem razoavelmente os seus colaboradores diretos), de stress, reconhecendo os sinais e percepcionando os sintomas, e procurar desenvolver com a tal ajuda diferenciada, as melhores estratégias de regulação desses estados transitórios mas também (e a formação e sensibilização têm aqui um papel importante) os próprios trabalhadores terem as competências básicas para elaborarem o seu autodiagnóstico, a sua autorregulação e o autocuidado, preservando os níveis de desempenho em segurança, higiene e saúde, nomeadamente nas atividades mais críticas e nos momentos de maior exigência ocupacional de carga laboral, seja esta de origem física e mecânica, seja de origem psicossocial.

Diríamos em a talhe de foice, que a pressão existe e existirá sempre, temos é que autorregular os mecanismos de resposta nos mais variados contextos sociolaborais, reconhecer as nossas vulnerabilidades, querer ser ajudado e não ter receio ou vergonha de solicitar esse apoio, seja institucional ou informal.

O pior mal é aquele ao qual nos habituamos (Sartre).

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