Um novo relatório da Interface Systems, baseado na análise de 1,1 milhões de eventos de segurança em 9.392 localizações de 78 marcas, mostra que os principais riscos enfrentados pelos restaurantes são significativamente diferentes dos registados no retalho.
O 2026 Restaurant Security Benchmark Report conclui que os incidentes mais graves estão sobretudo relacionados com pessoas e comportamentos perturbadores, e não com o furto de mercadoria.
Os indivíduos que permanecem indevidamente nos espaços e os casos de perturbação representam, em conjunto, 74% dos incidentes de elevada prioridade. Os primeiros correspondem a 51,7% dos eventos e as perturbações a 22,3%. Já o furto e as perdas representam apenas 1,3% dos eventos analisados, contrastando com os 65,9% registados no sector do retalho.
Segundo o estudo, estes dados indicam que uma estratégia de segurança concebida para o retalho, centrada sobretudo na vigilância de produtos e nos sistemas de ponto de venda, não responde necessariamente aos principais riscos dos restaurantes.
Risco concentrado em apenas 3% dos espaços
A análise revela também uma forte concentração dos incidentes. Dos 13.486 eventos de elevada prioridade registados, apenas 3% das localizações foram responsáveis por 81% do total.
As 100 localizações com maior número de ocorrências concentraram 59% dos incidentes de elevada prioridade.
Para os operadores, os dados apontam para a necessidade de adaptar os recursos de segurança ao nível de risco de cada estabelecimento, em vez de aplicar exactamente o mesmo nível de protecção a toda uma rede.
A distribuição geográfica também apresenta diferenças significativas. A Califórnia registou 5.449 eventos, correspondentes a 40% do total, enquanto o Havai apresentou a média mais elevada, com 16,8 eventos de elevada prioridade por localização. A média nacional foi de 1,4 eventos por estabelecimento.
As 18 horas concentram mais incidentes
O período de maior risco também não corresponde necessariamente à madrugada. As 18 horas foram a hora com maior número de eventos de elevada prioridade, com 851 ocorrências.
Por outro lado, cerca de 30% dos eventos de elevada prioridade ocorreram entre as 22h00 e as 6h00. As 2h00 foram a hora com maior número de despachos relacionados com todos os tipos de eventos.
O estudo identificou ainda diferenças ao longo da semana. Aos domingos, 67% dos eventos foram alvo de despacho, contra 59% às sextas-feiras e aos sábados.
Os dados sazonais também contrariam a ideia de que o verão será necessariamente o período de maior risco. Janeiro foi o mês com mais ocorrências, com 1.514 eventos, enquanto Junho registou 943. Entre Dezembro e Fevereiro ocorreram quase 30% dos eventos anuais.
Mais de 296 mil falsos alarmes
Outro dos problemas identificados pelo relatório é o volume de falsos alarmes. Durante o período analisado foram registados 296.265 falsos alarmes, uma média de 31,5 por estabelecimento e cerca de 812 por dia.
Foram registados aproximadamente 22 falsos alarmes por cada evento de elevada prioridade considerado genuíno.
Cerca de 44% dos falsos alarmes ocorreram entre as 7h00 e as 10h00, com as 8h00 a representar 57.934 ocorrências.
De acordo com os dados apresentados, a verificação por vídeo permitiu absorver mais de 97% dos falsos alarmes antes de estes resultarem em despachos policiais.
Funcionários pediram apoio mais de 82 mil vezes
O relatório destaca ainda a utilização dos sistemas de segurança pelos próprios trabalhadores.
Durante o período analisado, os funcionários dos restaurantes efectuaram 82.248 pedidos de apoio através de monitorização em tempo real, o equivalente a cerca de 225 pedidos por dia.
Destes, 67.220 foram pedidos para monitorizar uma situação em desenvolvimento, enquanto 14.378 corresponderam a pedidos de intervenção através de comunicação por voz. Foram ainda registados 650 pedidos de acompanhamento virtual de trabalhadores, por exemplo durante deslocações para o veículo, abertura do estabelecimento ou realização de depósitos.
O relatório registou também 406 incidentes relacionados com baterias e agressões e 302 emergências médicas.
Para a indústria, estes dados reforçam a importância de considerar a segurança dos trabalhadores como parte integrante da estratégia de segurança dos restaurantes, particularmente durante períodos de menor presença de funcionários.
Uma abordagem centrada no perímetro e na intervenção
A análise da Interface Systems aponta assim para uma abordagem de segurança diferente daquela tradicionalmente utilizada no retalho.
Entre as áreas destacadas estão a protecção do perímetro, videovigilância com análise baseada em Inteligência Artificial, capacidade de intervenção remota, verificação de alarmes por vídeo e apoio aos trabalhadores em situações de risco.
O relatório defende ainda uma distribuição dos recursos baseada no risco efectivo de cada localização, tendo em conta os horários, localização geográfica e histórico de incidentes.
Os resultados pretendem fornecer aos operadores e integradores uma base de dados para definir estratégias de segurança mais ajustadas às características específicas dos restaurantes, em vez de aplicar modelos concebidos para outros sectores.









