A Polícia Judiciária Militar (PJM) projectou uma nova capacidade tecnológica para apoiar a investigação criminal e as operações de vigilância através da utilização de drones profissionais equipados com sistemas avançados de captação e análise de informação.
O projecto, denominado “Exame ao Local do Crime e Vigilâncias Aéreas”, pretende aplicar meios aéreos não tripulados à recolha de evidências, procura de vestígios e vigilância de áreas de interesse operacional, permitindo aos investigadores obter informação detalhada sem necessidade de exposição directa a determinados ambientes.
A solução prevista assenta num drone equipado com câmaras de alta resolução, sensores de mapeamento 3D e sistemas de imagem térmica e infravermelha, permitindo obter diferentes tipos de informação sobre o local em análise. O equipamento deverá ainda dispor de um sistema de navegação adequado às operações previstas.
Um dos principais elementos do projecto é a capacidade de transmissão de dados e imagens em tempo real. A informação captada pelo drone seria enviada para um posto móvel, onde poderia ser analisada pelos operacionais, permitindo acompanhar uma ocorrência, identificar possíveis evidências e apoiar a tomada de decisão operacional.
A utilização destes meios poderá assumir particular relevância no exame de locais de crime. A observação aérea permite recolher imagens de áreas de maior dimensão e produzir informação tridimensional do cenário, contribuindo para a documentação e análise posterior dos locais.
O projecto prevê igualmente a utilização dos drones em operações de vigilância e procura de vestígios, possibilitando a monitorização de determinados espaços sem a presença física imediata dos investigadores. Esta abordagem poderá reduzir o risco de contaminação ou alteração do cenário durante a recolha de informação.
Maior segurança em operações de risco
Além da componente de investigação, a solução foi pensada para situações em que a entrada de elementos da PJM no local possa representar riscos acrescidos. O recurso à monitorização aérea poderá ser particularmente útil em ambientes associados a explosivos ou riscos NRBQ (nucleares, radiológicos, biológicos e químicos).
Nestas situações, a capacidade de obter imagens e informação à distância poderá permitir uma avaliação inicial do cenário antes da aproximação dos operacionais, contribuindo para uma intervenção mais segura.
A mesma lógica poderá ser aplicada em situações de confronto directo com alvos, permitindo efectuar a observação de determinadas áreas remotamente e disponibilizar aos investigadores uma visão operacional do terreno.
A arquitectura prevista combina, assim, drone, sensores especializados, transmissão de dados e posto móvel de análise, criando uma ferramenta destinada a apoiar diferentes fases de uma operação, desde a avaliação inicial do local até à recolha e análise de informação.
O projecto enquadra-se na dimensão Transição Digital do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), na componente Administração pública digital, e no investimento dedicado à reformulação dos serviços públicos e consulares. A iniciativa teve um valor total previsto de 31 mil euros, com financiamento não reembolsável, e um período de execução definido entre Setembro de 2024 e Março de 2026.
A iniciativa representa uma aposta na utilização de tecnologias aéreas, inteligência de imagem e transmissão de informação em tempo real como ferramentas de apoio à actividade da Polícia Judiciária Militar, aproximando os processos de investigação e vigilância das novas capacidades proporcionadas pelos sistemas autónomos e remotamente operados.









