O Klinikum Dortmund registou mais de 200 situações em que a presença visível de câmaras corporais terá contribuído para travar comportamentos agressivos antes da intervenção da segurança. Mais de 90% dos profissionais abrangidos pelo projecto aderiram voluntariamente à utilização dos equipamentos.
O Klinikum Dortmund, na Alemanha, decidiu prolongar um projeto-piloto de utilização de câmaras corporais (bodycams) nos serviços de urgência, depois de os primeiros meses terem revelado resultados positivos na prevenção e desescalada de situações de agressividade contra profissionais de saúde.
A iniciativa, desenvolvida em parceria com a Motorola Solutions, utiliza câmaras corporais V200 e o software VideoManager como parte de uma estratégia mais abrangente de segurança hospitalar.
Durante a fase inicial do projecto, os profissionais registaram mais de 200 situações em que a presença visível das câmaras e os avisos verbais contribuíram para desescalar comportamentos agressivos, evitando, nesses casos, a necessidade de intervenção da equipa de segurança.
Outro indicador destacado pelo hospital é a adesão dos profissionais: mais de 90% dos trabalhadores das áreas de receção das urgências abrangidas pelo piloto optaram voluntariamente por utilizar as câmaras.
Segundo Michael Kötzing, director de recursos humanos e administrador do Klinikum Dortmund, a agressividade dirigida aos profissionais de saúde está frequentemente relacionada com situações de espera prolongada e com o estado emocional dos doentes e acompanhantes.
A experiência dos últimos meses, afirma, demonstra que “a presença visível das câmaras corporais, por si só, tem um efeito de desescalada em muitas situações”, contribuindo também para aumentar a percepção de segurança dos trabalhadores.
Bodycams integradas numa estratégia de segurança
Actualmente, os equipamentos são utilizados sobretudo nas zonas de recepção dos serviços de urgência dos hospitais Mitte e North, bem como nas urgências do Hospital Pediátrico e da Cirurgia Pediátrica.
O hospital está agora a avaliar a possibilidade de alargar a utilização das bodycams a outros departamentos considerados de maior risco ou pressão operacional.
A tecnologia não funciona, contudo, de forma isolada. O projecto está integrado numa estratégia de segurança que inclui equipas de segurança permanentes 24 horas por dia, sistemas de controlo de acessos e formação dos profissionais em técnicas de desescalada.
A utilização de câmaras corporais pretende, assim, acrescentar uma ferramenta preventiva a um conjunto de medidas destinadas a proteger profissionais e pacientes.
Privacidade como requisito
A utilização de câmaras num ambiente hospitalar coloca desafios particulares relacionados com a protecção de dados e a privacidade dos doentes. Por esse motivo, o projecto foi desenhado com regras específicas para limitar a gravação e o acesso às imagens.
As câmaras têm de ser activadas pelo próprio utilizador e permanecem desligadas durante consultas médicas confidenciais e tratamentos de rotina. Quando existe gravação, as imagens são encriptadas e armazenadas através do software VideoManager, integrado na infraestrutura informática do hospital.
O acesso às gravações está limitado a pessoal autorizado e as imagens são eliminadas após um período de retenção definido, salvo quando uma gravação é sinalizada no âmbito de um incidente formal que possa exigir investigação pelas autoridades.
A própria câmara dispõe ainda de um indicador luminoso que permite sinalizar quando a gravação está ativa.
Um possível modelo para a segurança hospitalar
A experiência de Dortmund surge num contexto de crescente preocupação com a violência contra profissionais de saúde na Alemanha e noutros países europeus.
Segundo um estudo do German Hospital Institute citado no âmbito do projeto, quase três quartos dos representantes de hospitais inquiridos afirmaram ter registado um aumento de agressões físicas ou verbais contra profissionais nos cinco anos anteriores. Cerca de 20% apontaram para um aumento significativo e 53% para um crescimento moderado.
O caso de Dortmund coloca assim as bodycams como mais uma ferramenta possível para a prevenção e gestão de comportamentos agressivos em ambientes hospitalares, particularmente em zonas como as urgências, onde a pressão, os tempos de espera e a carga emocional podem aumentar o risco de conflito.
Para além da função de documentação de incidentes, a experiência do hospital sugere que a própria visibilidade da câmara poderá funcionar como elemento dissuasor, permitindo intervir numa situação antes que esta evolua para violência física.
Com a extensão do projeto-piloto, o Klinikum Dortmund pretende agora avaliar se os resultados obtidos nas urgências podem ser replicados noutros contextos hospitalares.









