Por António Gonçalves, Ex- Country Security Manager DHL Express Portugal e Consultor de Security e de AVSEC
25 anos depois, os atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001 que surpreenderam e chocaram o mundo inteiro em directo, provocando milhares de mortes e feridos, marcaram igualmente uma nova era na Segurança da Aviação Civil (AVSEC). De facto, sem que muitos de nós tenhamos objectivamente essa percepção, para além dos eventuais e mais perceptíveis transtornos durante o processo de viajar de avião e/ou enviar qualquer bem através de carga aérea, os atentados utilizando aviões de passageiros, demonstraram pela sua execução ( até pelo seu planeamento) falhas e fragilidades até então nunca colocadas em questão.
A partir de aqui, nasceu uma necessária preocupação e consequente regulamentação, com requisitos extremamente apertados e exigentes de modo a minimizar o risco de atentados terroristas, visando que o importante sector do transporte de passageiros e de carga aérea ultrapassasse o estigma de insegurança colocada a nu da forma mais trágica pelos atentados.
A par dessa necessária Regulamentação e sua implementação assistiu-se a um desenvolvimento tecnológico impressionante nos meios de rastreio de passageiros e da carga aérea de modo a que as ameaças sejam detectadas de forma célere e eficaz, integrando hoje, alguns deles, processos de IA.
Apesar disso recentes incidentes reativos a tentativas de provocar atentados ( especial enfoque na área da carga) demostram que, neste “jogo do gato e do rato” as vulnerabilidades são e serão exploradas uma vez encontradas exigindo esforços permanentes de formação, elevados níveis de consciencialização e adaptação face às tipologias de ameaças existentes e sobretudo às novas.
Para quem trabalhou (trabalha) em AVSEC, a análise de risco permanente, implementação de procedimentos e sua auditoria com vista a uma conformidade de processos exigente e a todo o momento, tornaram-se e são responsabilidade a todo o tempo!
Neste complexo mundo de AVSEC a gestão natural das expectativas das necessidades das pessoas e empresas, seja enquanto utilizadores como passageiros, seja como clientes para carga aérea, revela-se não só crucial como um desafio permanente do ponto de vista da comunicação e esclarecimento da necessidade de cumprimento com as regras em vigor para o
sector.
E para quem julgue que estamos a salvo de sofrer novos actos terroristas neste sector, infelizmente, tal não se pode nunca afirmar, a realidade vem comprovando que a ameaça existe e que no fundo “vivemos entre dois atentados terroristas”, o último que aconteceu e o próximo a acontecer, como referiu o filósofo francês Jean Baudrillard e que resume a necessidade de constante vigilância por parte de todos, pessoas, empresas, Estados e que caracteriza o mundo contemporâneo, especialmente após o 11 de setembro de 2001.
Que nunca o esqueçamos!









