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Corticeira Amorim transforma segurança industrial com operação centralizada e inteligente desenvolvida em parceria com a SCUDO

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Com mais de 30 unidades industriais distribuídas por Portugal e Espanha e um fluxo diário de cerca de 5000 pessoas, a Amorim Cork enfrenta uma realidade operacional marcada pela dispersão geográfica e por diferentes perfis de risco. A necessidade de ultrapassar um modelo em que os sistemas de incêndio, intrusão, videovigilância e controlo de acessos funcionavam de forma autónoma levou à criação de uma Central Receptora de Alarmes (CRA), num projecto desenvolvido pela SCUDO. Iniciada há cerca de um ano e meio, a transformação procurou centralizar a monitorização e tornar a resposta a ocorrências mais rápida e coordenada. A nova arquitectura vai além da centralização dos alarmes. A integração de IA, analítica de vídeo, termografia, controlo de acessos e sistemas de comunicação permite utilizar a tecnologia na prevenção de incêndios, segurança dos trabalhadores, manutenção preditiva, logística e apoio aos próprios processos industriais. A solução adapta-se às diferentes ameaças de cada unidade, desde os incêndios industriais aos riscos de intrusão e furto. A Security Magazine esteve em Santa Maria de Lamas, Aveiro, para conhecer o projecto, e falou com João Paulo Amorim, Director Departamento Sistemas e Infraestrutras na Amorim Cork, André Cavadas, DSI – Direcção de Sistema e Infraestruturas | Amorim Cork – Responsável Segurança no Trabalho e Jhon Merçon, project manager da SCUDO.

A Corticeira Amorim, líder mundial no sector da cortiça, apresenta uma operação industrial de elevada complexidade e grande dispersão geográfica. A organização abrange múltiplas unidades de negócio estratégicas, designadamente a Amorim Cork (focada na produção de rolhas), a Amorim Florestal (dedicada à aquisição, investigação e gestão da matéria-prima) e a Amorim Cork Solutions (que desenvolve soluções com compósitos de cortiça de alta performance, unindo inovação e sustentabilidade), distribuídas por cerca de 30 unidades industriais localizadas em Portugal e Espanha. Esta vasta presença operacional implica a gestão diária de um fluxo contínuo diário de 5000 pessoas em todas as unidades, entre colaboradores directos, terceirizados e externo, a que se somam toda a visita de clientes e fornecedores.

Perante este cenário, a empresa iniciou um projecto de transformação profunda na sua infra-estrutura de protecção patrimonial, humana e operacional com a concepção e implementação da Central Receptora de Alarmes (CRA).

O projecto da Central Receptora de Alarmes, desenvolvido pela SCUDO, representa a transição estratégica de um paradigma de segurança tradicional, passivo e fragmentado, para um modelo operacional activo, centralizado e inteligente. Ao integrar inteligência artificial e analítica avançada na gestão de riscos, a iniciativa alinha a protecção de activos e pessoas à continuidade do negócio e à eficiência operacional.

O objectivo central desta modernização, iniciada há um ano e meio, consistiu em superar a dependência de sistemas isolados por fábrica e substituir a vigilância física manual por uma plataforma tecnológica integrada de monitorização em tempo real. Esta elevada complexidade operacional e a dispersão geográfica colocaram em evidência as graves limitações do modelo de segurança tradicional até então adoptado.

Diagnóstico dos Desafios e Ineficiências do Modelo Tradicional
A análise do histórico operacional da Corticeira Amorim permitiu identificar um conjunto de problemas e ineficiências que justificavam a urgência de uma mudança estrutural. Estes desafios dividiam-se em três pilares fundamentais.

Fragmentação Tecnológica: Cada fábrica e respectiva portaria funcionavam como um “silo” autónomo. Os sistemas de detecção de incêndio, alarme de intrusão, detecção de gás, CCTV e controlo de acessos operavam de forma desconectada, impedindo a consolidação de dados e uma resposta coordenada a emergências.
Ineficiência Humana e Custos Elevados: o valor elevado associado à segurança física nas portarias, além de apresentar vulnerabilidades operacionais decorrentes de situações de fadiga os operadores ou distracções.
Assimetria Regional de Riscos: A natureza dos riscos variava criticamente em função da localização geográfica da unidade industrial.
Além das ineficiências operacionais, o diagnóstico evidenciou disparidades geográficas marcantes quanto ao tipo de ameaça enfrentada.

No Norte do país, o foco crítico do risco incide sobre incêndios industriais e manutenção preventiva de equipamentos de processo, sendo a intrusão ou o furto um problema de impacto reduzido. Já no Sul do país e Espanha, o problema dominante centra-se na intrusão e furto de matéria-prima (cortiça). A cortiça armazenada em parques exteriores representa um valor financeiro elevado (onde uma arroba de cortiça – três ou quatro pranchas – tem um valor comercial relevante). Adicionalmente, nestas regiões existe o risco crítico de incêndios em grandes stocks exteriores de matéria-prima. O produto furtado é introduzido no mercado paralelo. A identificação clara destes problemas e assimetrias regionais serviu de alicerce para o desenho de uma nova arquitectura tecnológica integrada e resiliente.

A Arquitectura da Solução: Central Receptora de Alarmes (CRA)
Para responder aos desafios identificados, a equipa de engenharia em Portugal projectou e desenvolveu de raiz uma solução centralizada, adaptada à realidade industrial do grupo. A Central Receptora de Alarmes (CRA) foi concebida para funcionar como o “cérebro” operacional da segurança de todas as unidades.

A infra-estrutura evoluiu de um sistema inicial de 500 câmaras para 850 câmaras activas em 18 unidades industriais, estando dimensionada para suportar entre até 2.000 dispositivos e integrar as 30 fábricas.

Para garantir a resiliência contra ciberataques e assegurar largura de banda adequada para a transmissão de vídeo de alta resolução, foi criada uma rede estruturada dedicada de fibra óptica, totalmente isolada da rede de informática corporativa da Corticeira Amorim.

A continuidade da monitorização na unidade principal assegurada por um sistema de tripla redundância de energia, estruturado em três níveis de backups (rede/gerador da fábrica, UPS da fábrica e UPS dedicada), sendo que a empresa está também a investir na redundância e sistemas de auto-suficiência dos equipamentos nas restantes unidades.

Binómio Operacional: Centralista e Rondista
A operação no terreno assenta na articulação entre o centralista e o rondista.
O Centralista: Operador localizado na central de controlo, responsável por gerir a entrada contínua de dados e alarmes (que variam em média entre 180 a 200 eventos diários). Tem o controlo remoto de portões, fechos e sistemas de intercomunicação, além de assegurar o contacto directo com forças de autoridade e meios de socorro externos (bombeiros e ambulâncias).

O Rondista: Vigilante afecto a uma unidade móvel em patrulhamento permanente. Actua como o elemento de resposta rápida (front office), deslocando-se ao local exacto da ocorrência sinalizada pelo centralista para confirmar incidentes, marcar pontos críticos em equipamentos sensíveis e prestar apoio imediato.

Esta infra-estrutura física e operacional altamente redundante forneceu o suporte necessário para a implementação de uma camada avançada de Inteligência Artificial, robótica e analítica preditiva.

A integração de Inteligência Artificial (IA), analítica de vídeo e câmaras térmicas permitiu transformar a infra-estrutura de videovigilância num sistema activo de apoio à produção, à logística e à segurança do trabalho.

O Caso Crítico do Processamento de Aglomerado Negro em Vendas Novas

Um exemplo emblemático da convergência entre safety, security e apoio à produção ocorre na fábrica da Amorim Cork Solutions em Vendas Novas. Durante o fabrico de blocos de aglomerado negro (submetidos a vapor a 700 °C), o entupimento ocasional das agulhas de arrefecimento por água provocava a retenção interna de calor. Sem manifestação externa inicial, o bloco era transportado para o armazém, onde entrava em combustão lenta interna, originando por vezes incêndios graves no parque de materiais.

A solução passou pela instalação de duas câmaras térmicas na saída do túnel de arrefecimento. O sistema faz a leitura individual da temperatura de cada bloco; se o limite de segurança for excedido, acciona automaticamente um alarme sonoro e luminoso no local, instruindo o operador a isolar o bloco afectado antes do seu armazenamento. Desta forma é reduzido o número de princípios de incêndio na fábrica.

Logística Interna Inteligente e Controlo Dinâmico de Acessos
A digitalização estendeu-se à gestão do fluxo logístico e à segurança. A empresa está a apostar na logística inteligente das suas unidades, sendo que o sistema faz a interligação com os robots de transporte de mercadorias. As câmaras comunicam directamente com robôs móveis autónomos. Ao detectarem empilhadores em manobra ou veículos nos corredores, as câmaras transmitem instruções em tempo real aos robots para ajustarem a rota ou pararem, evitando colisões e paragens.

A integração com o sistema SOS Link automatizou o acesso de prestadores de serviços externos. Associando o reconhecimento facial e leitores matrículas (License Plate Recognition) existe uma Autorização de Trabalho Especial, o sistema gera um código QR temporário. Assim que o período de manutenção termina, o acesso às zonas técnicas (como coberturas com painéis fotovoltaicos) é automaticamente revogado.

A eficácia técnica demonstrada nestes casos práticos transformou a percepção da tecnologia, convertendo o investimento num factor inequívoco de rentabilidade e apoio à gestão.

Impactos Quantitativos e Qualitativos
O projecto contou com um investimento inicial de 500.000 € (one shot em infra-estrutura, servidores e câmaras) gerou uma poupança anual directa de 500.000 € (resultante da redução e reafectação de 22 vigilantes/porteiros nas 16 portarias, permitindo alcançar o payback integral do projecto em apenas 1 ano).

O projecto permite manter a gravação e retenção legal de imagens por 30 dias para quase 1.000 dispositivos, garantindo o cumprimento normativo sem ultrapassar o orçamento estipulado. O histórico de 30 dias de gravação simplifica a investigação de incidentes industriais e furtos, permitindo reconstituir a sequência exacta dos acontecimentos com rigor.
A percepção interna dos directores fabris alterou-se significativamente. Se numa fase inicial existia cepticismo quanto ao controlo centralizado, as chefias industriais passaram a solicitar activamente a expansão do sistema e a instalação de novas câmaras térmicas e de processo para apoio à operação.

O sucesso demonstrado pelos indicadores financeiros e operacionais abriu caminho para a consolidação e expansão contínua do sistema em toda a organização.

O projecto é vivo e está em constante expansão e desenvolvimento. O grupo está a ser testar um piloto de implementação de um sistema de detecção de EPI’s, que já está parcialmente a funcionar, cujo objectivo é detectar automaticamente, em tempo real, a não utilização de EPI’s, nomeadamente colete ou capacete. O sistema dispara um alerta imediato no ecrã do centralista.

Está também em fase experimental e expansão da detecção de objectos abandonados, detecção de violência e detecção de quedas.
Até ao final do ano, a empresa irá ainda expandir o projecto aos inversores dos painéis termovoltaicos. Até ao final será instalado em todos os inversores câmaras termográficas que possibilitarão medir a temperatura em cada um deles.
Ao nível da logística, a empresa prevê automatizar a pesagem dos camiões mediante as suas rotas, integrando essa valência com o sistema.

A transformação da segurança industrial na Corticeira Amorim demonstra como a convergência entre engenharia de segurança, inteligência artificial e conectividade pode converter um centro de custos tradicional num motor de eficiência operacional, logística e prevenção de perdas. A transição de um modelo reactivo para uma abordagem preditiva assegurou uma maior protecção dos activos biológicos e industriais do grupo, garantindo a continuidade do negócio.

Na foto (da esquerda para a direita): Jhon Merçon, project manager da SCUDO, André Cavadas, DSI – Direcção de Sistema e Infraestruturas | Amorim Cork – Responsável Segurança no Trabalho, e João Paulo Amorim, Director Departamento Sistemas e Infraestrutras na Amorim Cork

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