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Schindler: “Se aumentarmos a confiança, aumentamos a segurança”

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Com cerca de 70.000 colaboradores em 100 países, a Schindler coloca a segurança no centro dos seus valores. Carlos Latorre, vice-presidente e head global safety do Schindler Group, esteve na conferência “Safety Leaders”, organizada pela PrevenControl, em Lisboa, e abordou a estratégia da organização ao nível da segurança e questionou algumas das estratégias adoptadas amplamente ao nível da segurança. A Security Magazine assistiu à conferência.

Carlos Latorre falou sobre a importância da simplificação operacional na segurança, salientando que dentro das organizações, as pessoas, muitas vezes, sentem-se seguras mas, na realidade, não estão seguras. Esta situação ocorre devido à existência de demasiados procedimentos operacionais.
A Schindler tem desenvolvido várias simplificações internas, nomeadamente através da passagem para um manual totalmente gráfico para os operadores no terreno, assim como pela redução do sistema de gestão de segurança de 1046 páginas para menos de 200. “Menos é sempre mais e isso também se aplica na segurança”, disse. De forma a simplificar ainda mais a informação, a empresa extraiu também as dez coisas que podem causar a morte do colaborador. “Esta simplificação gera confiança porque o trabalhador vê que a administração cuida dele”.
A somar a esta estratégia, a empresa faz visitas aos colaboradores que estão no terreno, tendo por base quatro elementos principais – excelência, qualidade, segurança e inspecção do lugar. “Estamos a utilizar o conceito de 3W – Work, Worker e Workplace, o que nos permite juntar todas as visitas que fazíamos separadamente numa só visita”, referiu. Esta aposta é “algo completamente novo”.
Carlos Latorre criticou ainda o ciclo da culpa existente na segurança tradicional, ou seja, quando há um erro humano existem sanções, gera-se a redução da confiança e da comunicação. O responsável considera que gestores menos conscientes das reais condições do campo, levam a que as fraquezas permaneçam e o ciclo vicioso continue. “Falar é algo muito importante” quando o tema é segurança. A frase clássica de “siga as regras ou será punido” deverá ser repensada. Neste sentido, na Schindler, foi adoptada a política do “siga as regras e, se não pode segui-las, diga-nos porquê e fale”.

“Parem de falar safety first”
Algo também criticado pelo responsável é o conceito de Safety First. “Parem de falar Safety First”, disse. “Porque o safety é o primeiro? Alguém pode dizer-me qual é o segundo? São as pessoas, o profit, o cliente?”, perguntou à audiência. “Safety não é o primeiro”, sublinhou, acrescentando que “Safety é um valor e não uma prioridade”. Como destacou, “as prioridades nas empresas mudam a cada trimestre ou a cada ano. Não quero que a segurança seja uma prioridade, mas, sim, um valor intrínseco”.
Carlos Latorre criticou ainda a ideia de que se nas empresas não se falar de segurança, não existe segurança. “Isso não é verdade”, referiu, destacando que a frase adequada para si seria “se não falarmos do trabalho diário não temos segurança”, ou seja, “temos de gerar conversas com as pessoas que estão a trabalhar e isso, sim, gera segurança”.

Repensar sanções
Dentro da segurança, o factor humano e as sanções associadas ao erro humano são factor muito sensíveis. A pensar nesta situação, a Schindler passou de um sistema de sanções directas para um sistema baseado na avaliação do nível de intencionalidade. Neste sentido, foi criado um sistema baseado em cinco níveis de intencionalidade diferentes que vão do vermelho ao verde, sendo o vermelho aplicado a situações associadas a comportamentos intencionais dos colaboradores (ex.: sabotagem) e o verde quando há um erro humano, não intencional. “Quanto mais nos movemos para o vermelho maior será a responsabilidade do individuo. Quanto mais nos movemos para verde, maior será a responsabilidade da administração. Uma organização com muitos verdes demonstra que a administração tem a responsabilidade”, explicou. Além disso destacou que “os erros humanos são como a gravidade, ou seja, vão existir sempre. No entanto, o erro humano não é a raiz mas, sim, um sintoma”.

Importância da confiança
A confiança e o ciclo do medo foram temas também abordados por Carlos Latorre. Como apontou “se aumentarmos a confiança aumentamos a segurança”. Esta criança poderá ser criada através da aprendizagem operacional; linguagem utilizada; cultura justa; sistemas simplificados e compromisso dos gestores. “Estes cinco elementos geram confiança e é neles que estamos a trabalhar a nível global”, disse.
O responsável destacou que a implementação destas medidas, a nível global, requer o envolvimento de toda a organização, nomeadamente responsáveis de segurança, RH e operação. A Schindler está a aplicar várias ferramentas nos países onde opera, nomeadamente, relacionadas com aprendizagem, simplificação, factor humano, KPI, novos sistemas de treino, entre outros. “É um processo que vai levar anos. Esta mudança que estamos a realizar na organização e a mudança de mentalidades irá levar entre cinco a dez anos”.

Foto: PrevenControl

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