A Hikvision Portugal tem tido um crescimento significativo desde 2018. Impulsionada pela procura de novas oportunidades de negócio, a empresa está a diversificar o seu portfólio de produtos para além da segurança, expandindo-se para novas áreas de negócio. A IA assume-se como um pilar central na sua aposta recente e futura, a qual vem revolucionar, por exemplo, a forma de interacção com os sistemas de videovigilância. Numa entrevista à Security Magazine, Bruno Bento, Portugal Regional Sales Manager, destaca a importância das parcerias estratégias e do investimento em inovações tecnológicas e reitera o compromisso da empresa com a área da cibersegurança.
Como descreve o posicionamento da Hikvision em Portugal?
A Hikvision começou a sua actividade em Portugal, com uma equipa de duas pessoas, em Novembro de 2018. Em 2022, já com quatro pessoas, inaugurou as suas instalações em Lisboa. Entre 2018 e 2024, a Hikvision Portugal cresceu 268% em termos de volume de facturação e conta com uma equipa de 10 pessoas em Portugal. São poucos os fabricantes com uma equipa desta dimensão no mercado português.
Temos procurado ter um crescimento sustentável e prevemos que assim continue nos próximos anos. Neste momento, estamos a passar por alguns ajustes e perspectivamos a entrada de mais uma ou duas pessoas até ao final do ano. O reforço da equipa é também motivado pelo crescimento das novas áreas de negócio.
Embora a área do security seja a principal, a empresa tem alargado o seu portfólio de soluções, assim como desenvolvido outros equipamentos para entrar em novas áreas de negócio. O mercado da segurança cresce pouco, está maduro e estável. No entanto, nas outras áreas de negócio temos crescido bastante. Temos também apostado na área de IT, audiovisuais e na parte térmica. Contamos cada vez com mais soluções novas, novos produtos e novas áreas de negócio. Essa realidade acarreta maior adaptação da equipa, evolução e mais formação.
Quais são os principais segmentos de mercado em que estão mais presentes e que novos segmentos prevêem explorar?
O Retail e grande consumo é a área mais forte. Trabalhamos com a maioria dos retailers em Portugal – desde a área têxtil, electrónica, entre outros – o que representa um grande volume de facturação.
Além disso, destaco as infra-estruturas críticas, nomeadamente plantações de canábis, para as quais temos soluções específicas e adaptadas à realidade. A grande aposta passa pela saúde.
Quais são os planos de expansão da Hikvision em Portugal para os próximos dois a três anos?
A Hikvision tem uma ambição muito grande de continuar a crescer e ser uma das empresas líderes de mercado a nível mundial e também em Portugal. O factor muito importante para o nosso crescimento reside na abertura do nosso portfolio a novas soluções e mercados. O objectivo passa por continuarmos a crescer acima de dois dígitos, de forma sustentada, e explorarmos novos mercados.
Que importância dão aos vossos integradores, instaladores e distribuidores?
São importantíssimos e sem os quais não conseguiríamos crescer. Nos últimos dois anos, o mercado da distribuição mudou ligeiramente, estando marcado por aquisições de empresas e a pela existência de cada vez mais empresas espanholas a apostar no mercado português. Esta realidade levou-nos a reajustar a nossa actuação a nível ibérico. De há dois anos para cá, embora tenhamos pessoas de canal em Portugal e Espanha, organizámo-nos de forma a termos uma equipa ibérica, com uma gestão mais próxima e coordenada. Penso que esta é a realidade de vários mercados, ou seja, a aposta numa gestão ibérica e menos local, assegurando as devidas diferenças entre os dois mercados.
Estão previstas novas parcerias ao nível da distribuição?
No mercado da segurança, não. No entanto, nas outras áreas de negócio, nomeadamente nos audiovisuais, consideramos estabelecer novas parcerias e ampliar a nossa rede de distribuidores. Além disso, consideramos ter um ou dois distribuidores para algumas gamas de produtos específicas para o mercado eléctrico, mais ao nível residencial. Os nossos distribuidores profissionais de segurança não trabalham muito a parte do residencial. À medida que vamos evoluindo e abrindo novos canais, iremos ajustar a nossa operação e procurar novos parceiros.
Como está a organizada a vossa logística? Contam com armazéns na Península Ibérica?
Contamos com um centro de distribuição em Amesterdão para toda a Europa, onde também se encontra a nossa sede. O distribuidor pode optar por encomendar, através da nossa plataforma, a Amesterdão ou adquirir directamente à fábrica da China.
Que inovações tecnológicas a Hikvision tem vindo a introduzir no mercado?
A IA obrigou-nos a fazer uma reformulação e a apresentar novos produtos de segurança, ao nível de câmaras, gravadores e servidores, bem como a actualizar a nossa plataforma. Ao utilizarmos as ferramentas de IA necessitamos de hardware e soluções mais potentes. Neste momento, estamos numa fase de promoção e lançamento desses novos equipamentos e soluções.
Estamos a apostar na área de IT, nomeadamente através de equipamentos como routers, switches, APs, e na área de áudio, onde contamos com um portfolio cada vez mais abrangente e novas certificações, como a N54.
Gostaria de destacar algum produto em particular como principal novidade e desenvolvimento?
Destaco a área de sensing, a qual terá muito potencial de crescimento no futuro. Dentro desta área, encontram-se os sensores de queda direccionados para o segmento da saúde (lares, residências de idosos, centros de cuidados paliativos). Esta tecnologia, embora não seja um equipamento médico, facilita muito a operação de uma actividade médica. Em Espanha contamos com vários hospitais com esta solução e a sua operacionalidade e produtividade aumentou significativamente. Estes sensores permitem um controlo centralizado de tudo o que se passa em tempo real, sem recolha de imagens, garantindo a privacidade e protecção de dados. Também dentro desta área destaco a fibra óptica para intrusão que com a integração com o vídeo, áudio e a nossa plataforma, tem características muito interessantes.
Há um equipamento que, particularmente, destacaria. Trata-se de uma câmara, direccionada para a indústria petrolífera e química, que permite medir, ver e ouvir fugas de gás e identificar o mau funcionamento de determinado equipamento. Esta solução, especialmente indicada para zonas industriais, irá facilitar a detecção de uma fuga e, consequentemente, uma resposta mais rápida e eficaz.
Como está a Hikvision a integrar a Inteligência Artificial nas suas soluções?
Estamos numa fase de forte mudança a nível tecnológico com a entrada da IA. Estamos a apostar nessa área e lançamos recentemente a nossa IA – a Guanlan. Esta será a nossa aposta nos próximos anos. O Guanlan e a IA estão a ser desenvolvidas para abranger todos os mercados verticais pois são soluções muito versáteis.
Nos últimos anos, os grandes desafios têm assentado na evolução das analíticas e em equipamentos que possam dar muito mais informações e permitam fazer muito mais coisas além das funções tradicionais, nomeadamente em termos operativos.
Lançámos várias características na nossa IA, quer nos equipamentos, quer numa versão em larga escala. Recentemente também lançámos o Acuseek, que nos permite fazer pesquisas nas gravações por textos – o que permitirá ao cliente final reduzir de forma considerável o tempo das pesquisas de informação de determinado evento.
Quando usamos a IA podemos criar as nossas próprias analíticas e inteligência dentro dos equipamentos, -o conjunto de tudo isso irá revolucionar a operação do cliente final. A capacidade de ter novas analíticas, redução de falsos alarmes e uma procura muito mais rápida e diferente dos métodos tradicionais.
O mercado nacional está maduro o suficiente para implementar este tipo de soluções?
Creio que sim. Estamos a falar de uma solução de IA fechada, realizada nos próprios equipamentos (on-premise), o que dá uma maior confiança ao cliente. Pelos testes realizados, verificamos que os clientes estão a aceitar muito bem esta mudança, até porque percebem as vantagens da sua utilização. Uma pesquisa de determinado evento que levava 30 minutos, actualmente leva 10 segundos, além de permitir o acesso a muito mais informação sobre esse evento.
De 2018 para 2025, considera que há uma grande diferença no mercado a nível tecnológico? Que papel teve a Hikvision nessas mudanças?
Sim, nestes quase sete anos, tudo mudou. A Hikvision é uma empresa de referência a nível mundial e pioneira em muitos aspectos tecnológicos e teve um papel importante nessa revolução. Porém, o próprio mercado tem evoluído, de forma transversal, muito rapidamente em muito pouco tempo. Há 15 anos ainda falávamos do analógico e hoje já falamos de IA nos sistemas de segurança. É uma evolução que irá continuar, seguramente.
Como garantem que os vossos equipamentos são ciberseguros?
Desde o momento que iniciamos o desenvolvimento de um novo equipamento até ao seu fim de vida existem vários processos de cibersegurança que são assegurados. A segurança é pensada desde o início, ou seja, o chamado security by design. Além disso, lançamos regulamente patches de segurança, através do firmware, que os parceiros podem descarregar e instalar no equipamento. Como os ataques vão evoluindo, procuramos acompanhar permanentemente essa evolução.
Cumprimos com todas as normas mundiais e temos quase todas as certificações mundiais dos nossos equipamentos, que poderão ser consultadas no nosso website. Contamos com uma equipa de cibersegurança com pessoas reconhecidas a nível mundial, sendo o principal responsável norte-americano. A nível europeu contamos também com um departamento dedicado a esta área.
Há uma preocupação muito grande da empresa com estas questões. A nível europeu, a NIS2 irá levar a muitas mudanças no mercado. Toda a cadeia de fornecimento terá de cumprir determinados requisitos e, nesse sentido, procuramos antecipar-nos a essas exigências.
Recentemente, a Hikvision Portugal recebeu o selo de maturidade digital (bronze), na sequência de um processo de certificação realizado com a APCER, tornando-se na primeira empresa do grupo com uma certificação local e a primeira empresa desta área em Portugal. Fomos auditados a nível técnico e da organização. A auditoria foi validada pelo Centro Nacional de Cibersegurança, tendo sido emitido o selo pela INCM.
Como encara o segundo semestre deste ano e que novidades estão previstas?
Será alinhado com o que esperávamos, ou seja, com um crescimento a dois dígitos, acima dos 20%. Embora o negócio da segurança continue a representar a maior fatia da facturação, os novos negócios, oportunidades e tecnologias irão ajudar-nos a crescer.
Este crescimento e sucesso é fruto, em grande parte, do trabalho da equipa e daquilo que esta realiza no seu dia-a-dia. Modéstia à parte e com respeito por todos os meus colegas dos outros fabricantes, considero que tenho a melhor equipa em Portugal, a qual tem sido muito importante para o nosso crescimento.









