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“A Aritech é um exemplo clássico de uma marca channel-driven”

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Com mais de três décadas de experiência no sector da segurança electrónica, Nuno Barge, area manager da Aritech em Portugal, faz um balanço do seu percurso profissional e da evolução da marca no mercado nacional, sublinhando o papel central das pessoas, da adaptação às dinâmicas globais e da proximidade aos parceiros como factores determinantes para a consolidação da Aritech enquanto referência no segmento profissional. Nesta entrevista à Security Magazine, aborda ainda os principais desafios da liderança, a estratégia da empresa para os próximos anos e as grandes tendências tecnológicas que irão marcar o futuro da segurança electrónica em Portugal.

Security Magazine – Pode partilhar um pouco do seu percurso profissional e o que o trouxe até à liderança da Aritech em Portugal?
Nuno Barge – O meu percurso iniciou-se em 1992 na Garland Segurança Lda, uma empresa de instalação com presença nacional, que tinha uma boa penetração no sector de instalação, assistência e manutenção de equipamentos. No início dos anos 2000, passei a estar ligado ao mundo da distribuição de equipamentos a parceiros integradores, ingressei na C&K Systems, Ademco Sontrix. Desde 2005 iniciei a jornada que se mantém até hoje.
Creio que o grande valore de crescimento é, sem dúvida, as pessoas. A ligação de respeito e o investimento em conhecimento são pilares do crescimento pessoal, assim como a transmissão de confiança a todos os intervenientes ao longo do tempo.

Há alguma experiência específica na sua carreira que o tenha marcado particularmente nesta área?
Sem dúvida que os profissionais de qualquer área de negócio, em empresas internacionais que atravessam processos frequentes de aquisições ou fusões, acabam por desenvolver uma competência essencial: a capacidade de adaptação a novas ideias, modelos de gestão e métodos de trabalho.
O top management em empresas internacionais, como a Aritech, acrescentam sempre visões e exigências distintas. No meu caso, grande parte das transformações ao longo da minha carreira, são oriundas de mentalidade e ideias norte-americanas, numa perspectiva mais macro, e a adaptação e resiliência ao nível local, numa perspectiva micro. Esta realidade é, sem dúvida, enriquecedora e exige experiência de adaptação.

Quais foram os maiores desafios que enfrentou ao assumir esta função e como os superou?
No sector das vendas em empresas internacionais, os desafios são constantes e não se medem pela sua dimensão, – são apenas marcos que têm de ser atingidos. O sucesso depende, acima de tudo, de uma estratégia clara e bem definida, sustentada pelo verdadeiro trabalho de equipa e capacidade de enfrentar, de forma conjunta, dificuldades que se renovam continuamente. Se não existir esse trabalho de equipa com transparência e respeito, tudo se torna difícil e sem conexão. É uma batalha constante, mas muito compensatória.

Como caracterizaria a presença e a evolução da Aritech no mercado português de segurança electrónica?
A Aritech tem tido uma presença histórica, sólida e bastante consistente no mercado português de segurança electrónica, sobretudo, no segmento profissional e institucional. A sua evolução acompanha bem as transformações tecnológicas e estruturais do sector em Portugal.
A Aritech entrou cedo no mercado português pela década de 80 e, rapidamente, posicionou-se como uma marca de referência para instaladores profissionais, passou a integrar estruturas multinacionais como a GE Security, UTC Fire & Security, e mais tarde, a Carrier Fire & Security.
Somos uma marca histórica, tecnológica e confiável, com forte presença no mercado, que evoluiu de fabricante de hardware para fornecedor de soluções integradas, mantendo relevância apesar da crescente pressão de soluções mais simplistas.

Quais são hoje os principais segmentos de negócio da Aritech em Portugal?
No mercado português de segurança electrónica, os principais segmentos de negócio associados à Aritech (como marca histórica) concentram-se em áreas profissionais e integradas para clientes corporativos e institucionais, com forte presença no retail, indústria, obras públicas, banca, hospitais etc. Segmentos representados através de integradores e distribuidores que comercializam e instalam as nossas soluções.

A Aritech tem planos de expansão da sua oferta ou rede de parceiros em Portugal para os próximos anos? Se sim, em que áreas?
Nos segmentos onde nos inserimos e com os parceiros de longa data que nos representam, tanto no segmento de distribuição como integradores profissionais, a nossa carteira é solida e sem grandes alterações previstas para futuro. A existir alguma área de expansão, a mesma terá de passar sempre pelos nossos parceiros.

Quais são os principais factores que têm influenciado a adopção de soluções da Aritech pelas empresas portuguesas e integradores de sistemas?
O grande factor, além da histórica reputação, fiabilidade e robustez técnica/electrónica dos produtos e profissionalismo dos profissionais da Aritech, é, sem dúvida, a possibilidade de cobertura de soluções integradas (hardware + software) em todas as áreas da segurança electrónica. Deixaria uma menção também à adequação a projectos de média e grande dimensão, modernização tecnológica das soluções (com cloud, API, app mobile etc.) e uma rede de distribuição especializada com formação técnica e acompanhamento comercial constante.

Como descreve o portefólio de soluções que a Aritech oferece actualmente no país? Quais os produtos ou segmentos que têm maior procura?
O portefólio da Aritech é visto como maduro, técnico e claramente orientado ao mercado profissional, com foco em soluções on-premise, integráveis e certificadas (por exemplo NFA2P para cibersegurança), mais do que em produtos plug & play para o consumidor final. Os segmentos mais procurados são os sistemas de detecção de intrusão que primam por serem modulares e com integração de sistemas de controlo de acessos. Quanto à vídeovigilância conseguimos cobrir 80% das necessidades comuns do mercado, obviamente mencionando que o software integra todas as soluções.

Que novidades foram introduzidas recentemente no mercado?
A Aritech lançou no final de 2025 o primeiro controlador Axon2600 para a área de controlo de acessos. Até aqui a solução exigia a utilização de um painel integrado de intrusão e controlo de acessos (Everon), agora dispomos de uma solução totalmente autónoma, modular e escalável, um só Axon2600 pode gerir até 102 portas em modo estendido. Sem dúvida que este é o início de uma nova era da Aritech.
Ainda este ano mais novidade aparecerão em soluções de controlo de acessos, vídeo (com nova linha NDAA e novo VMS) incluindo a inovadora plataforma Fusion.

De que forma as soluções da Aritech se diferenciam no mercado?
Distinguem-se, em particular no contexto profissional, por um conjunto de características estratégicas, técnicas e de posicionamento que não se encontram da mesma forma em outras soluções de mercado.
Diferenciamo-nos no mercado pela orientação ao consumidor final e por estarmos direccionados para soluções profissionais fisicamente integradas, robustas e tecnicamente exigentes, com especial foco em fiabilidade, escalabilidade e integração de sistemas, em vez de funcionalidades puramente orientadas a apps ou modelos plug & play.
Digamos que oferecemos soluções integradas onde acrescente valor a uma solução completa e unificada.

Que papel têm as parcerias com instaladores e distribuidores no sucesso da Aritech no mercado português?
As parcerias com instaladores e distribuidores não são apenas importantes, são absolutamente fulcrais para o sucesso no nosso mercado. Podemos mesmo dizer que a Aritech é um exemplo clássico de uma marca channel-driven.
Nas várias vertentes do mercado, nem sempre o cliente final tem o poder total de decisão. O apoio e influência do integrador profissional, com toda a sua experiência, domina a decisão e aqui o integrador tem uma palavra-chave no sucesso da Aritech. Além disso, os distribuidores podem dar uma garantia ao vasto parque instalado do legado Aritech, o qual tem mais de 40 anos em Portugal. O facto de terem stock local, entregas rápidas e apoio técnico/formação é sem dúvida uma proximidade importante.
A Aritech construiu o seu sucesso no mercado português através de uma relação de longo prazo com instaladores e distribuidores, baseada em confiança, formação, continuidade no sales office e suporte local, tornando os seus parceiros o principal motor de prescrição, implementação e fidelização da marca.

Qual é a sua visão para o papel da Aritech no mercado português de segurança neste novo ano?
Continuará a crescer com novas soluções e projectos e será sempre reconhecida como uma marca âncora no mercado português, uma referência silenciosa para projectos profissionais, institucionais e corporativos (obras publicas, indústria, logística, cadeias de retalho, etc.).
Apostaremos na actualização de soluções existentes e na sua expansão (solução Everon), upgrade tecnológico na vídeovigilância (Vision), novos lançamentos para novas soluções de controlo de acessos (Axon), integração com novos sistemas e soluções (Fusion).
A Aritech é uma marca-chave do mundo da segurança profissional, com crescimento moderado, mas sustentável, fortemente suportado pelas suas soluções e confiança dos integradores/distribuidores.

Quais são, na sua perspectiva, as principais tendências tecnológicas no sector da segurança electrónica nos próximos 3 a 5 anos?
Muito para dizer… de forma simplificada, acredito que estamos num momento tecnológico de transformação. A recente introdução de IA no quotidiano digital marca outro catapultar na indústria, como aconteceu com a “era” covid. A IA, com o tempo, trará análise diferente a dados recolhidos, evitará falsos alarmes e simplificará acções de resposta a uma série de situações. Por outro lado, exigirá que o mercado se regule e inicie a consciencialização para a cibersegurança (por ex a NIS2).
A fragmentação tecnológica será cada vez menos aceitável. Os sistemas de videovigilância, intrusão, controlo de acessos, sensores IoT e até automação serão integrados em plataformas unificadas (software) com dados cruzados, melhorando eficiência e visibilidade.
As clouds não vão substituir totalmente os sistemas locais, mas modelos híbridos ganharão força combinando escalabilidade e análise remota com gestão e controlo local. Há muito para falar.

Como tem evoluído a adopção de tecnologias inteligentes pelos clientes em Portugal?
A adopção já vai longa. O mercado nacional tem vindo a evoluir de forma progressiva, mas ainda não transversal. Impulsionada por factores de desenvolvimento tecnológico e operacional, e a crescente integração com IoT e conectividade cloud, tanto no mercado empresarial como no público, ainda não está no seu máximo potencial, mas vai no caminho certo.
Os grandes integradores têm apostado em centros de operação inteligente (iSOC), o que é o reflexo de adopção tecnológica e as pressões de mercado assim o exigem. A procura por soluções ciberseguras também começa a crescer, o que indica uma evolução constante. Portugal vai no caminho certo.

Existem áreas ainda pouco exploradas ou com potencial de crescimento que a Aritech pretende focar em Portugal?
Sim, existem claramente áreas ainda pouco exploradas em Portugal, onde a Aritech tem potencial real de crescimento. Por exemplo, a modernização de sistemas antigos, onde existem muitos painéis com mais de 20 anos. Este é um nicho de mercado a aproveitar. Também existe oportunidade de actualização dos inúmeros softwares de gestão, como já mencionamos, a integração IoT e a crescente procura por equipamento ciberseguros, onde a Aritech é pioneira e reconhecida. Serviços e after market também são uma oportunidade de crescimento, sempre associado a serviços cloud.

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