Cibersegurança e InfoSec

Utilização de IA está a transformar de forma acelerada panorama das ameaças digitais

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O mais recente Cyber Security Report 2026, divulgado pela Check Point Software Technologies, revela níveis históricos de ciberataques a nível global, num contexto em que a utilização crescente de inteligência artificial está a transformar de forma acelerada o panorama das ameaças digitais.

De acordo com a 14.ª edição do relatório anual da empresa, em 2025 as organizações em todo o mundo registaram, em média, 1.968 ciberataques por semana, o que representa um aumento de 70 por cento face a 2023. A análise indica que os atacantes estão a recorrer cada vez mais à automação e à inteligência artificial para acelerar operações, escalar campanhas com maior facilidade e explorar, em simultâneo, múltiplas superfícies de ataque.

O estudo sublinha que a inteligência artificial está a impulsionar uma das maiores transformações alguma vez observadas no sector da cibersegurança, obrigando as organizações a rever pressupostos tradicionais sobre a forma como os ataques são lançados, se propagam e são mitigados. Capacidades que anteriormente estavam limitadas a grupos altamente especializados passaram a estar amplamente disponíveis, permitindo ataques mais personalizados, coordenados e de grande escala contra organizações de todas as dimensões.

Segundo Lotem Finkelstein, vice-presidente de investigação da Check Point Software, a inteligência artificial está a alterar a própria mecânica dos ciberataques e não apenas o seu volume. O responsável destaca que o sector está a assistir a uma transição de operações predominantemente manuais para níveis crescentes de automação, surgindo já os primeiros sinais de técnicas autónomas. Defrontar este novo cenário exige, segundo a empresa, uma reavaliação profunda dos fundamentos da segurança na era da inteligência artificial e uma abordagem orientada para a prevenção.

Entre as principais conclusões do Cyber Security Report 2026 está a consolidação de campanhas de ataque integradas e multicanal, que combinam engenharia social com automação à velocidade das máquinas. A Check Point refere que a inteligência artificial está a ser integrada em todo o ciclo de ataque, desde a recolha de informação até à tomada de decisões operacionais. Num período de três meses, 89 por cento das organizações analisadas enfrentaram interacções com prompts de IA considerados de risco, sendo que cerca de um em cada 41 foi classificado como de alto risco, revelando novas vulnerabilidades à medida que a IA passa a fazer parte dos fluxos de trabalho empresariais.

O relatório mostra ainda que as operações de ransomware continuam a fragmentar-se e a escalar. O ecossistema passou a estar mais descentralizado, composto por grupos mais pequenos e especializados, o que contribuiu para um aumento anual de 53 por cento no número de vítimas extorquidas e para um crescimento de 50 por cento no número de novos grupos que operam em modelo ransomware as a service. A inteligência artificial está igualmente a ser utilizada para acelerar a selecção de alvos, os processos de negociação e a eficiência operacional destes grupos.

A engenharia social surge como outro dos vectores em rápida evolução. As campanhas deixaram de se limitar ao email e passaram a combinar múltiplos canais, como web, telefone e plataformas de colaboração. As técnicas conhecidas como ClickFix registaram um crescimento de 500 por cento, recorrendo a falsos alertas técnicos para manipular utilizadores. Em paralelo, a personificação através de chamadas telefónicas evoluiu para tentativas mais estruturadas de intrusão em ambientes empresariais. Com a integração crescente de inteligência artificial em browsers, plataformas SaaS e ferramentas colaborativas, o espaço de trabalho digital passa a ser identificado como uma nova e crítica camada de confiança a explorar.

O estudo alerta igualmente para o aumento da exposição associada a fragilidades no edge e na infraestrutura. Dispositivos edge não monitorizados, equipamentos VPN e sistemas IoT estão a ser cada vez mais utilizados como pontos de apoio operacional por parte dos atacantes, misturando-se com tráfego legítimo de rede.

Paralelamente, começam a surgir novos riscos na própria infraestrutura de inteligência artificial. Uma análise realizada pela Lakera, empresa do grupo Check Point, identificou fragilidades de segurança em 40 por cento dos dez mil servidores Model Context Protocol analisados, evidenciando um aumento da superfície de ataque à medida que sistemas, modelos e agentes de IA são integrados nos ambientes empresariais.

Face a este cenário, a Check Point recomenda que as organizações repensem a forma como concebem e aplicam a segurança. Entre as principais orientações estão a revalidação dos controlos de segurança em redes, endpoints, cloud, email e ambientes SASE para travar ataques coordenados numa fase inicial, a adopção segura da inteligência artificial com mecanismos de governação e visibilidade, e a protecção reforçada do espaço de trabalho digital, que passa a concentrar email, browsers, aplicações SaaS, ferramentas colaborativas e canais de voz.

O relatório defende ainda o reforço da segurança no edge e na infraestrutura, através de inventários activos e políticas de protecção para dispositivos VPN, IoT e outros activos frequentemente explorados, bem como a adopção de uma abordagem centrada na prevenção e na unificação da visibilidade em ambientes híbridos, com o objectivo de reduzir pontos cegos, simplificar a operação e aumentar a resiliência global das organizações.

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