A Almas Industries está a implementar em Espanha uma solução de segurança baseada em analítica de vídeo e reconhecimento facial destinada a residências e centros de apoio a idosos, com o objectivo de reforçar a protecção de pessoas com deterioração cognitiva sem recorrer a dispositivos físicos visíveis ou restritivos.
A tecnologia utiliza câmaras instaladas em pontos estratégicos das instalações para identificar residentes previamente registados e gerar alertas automáticos sempre que uma pessoa se aproxima de zonas consideradas de risco ou tenta sair de áreas autorizadas.
Segundo a empresa, o sistema representa uma mudança significativa face aos modelos tradicionalmente utilizados no sector, baseados em pulseiras, colares, chips ou outros dispositivos de localização. De acordo com Nuño Azcona, CEO da Almas Industries, a solução pretende criar um “modelo de segurança silencioso, discreto e invisível” que permita proteger pessoas vulneráveis “sem condicionar o seu dia a dia nem limitar a sua liberdade de movimentos”.
O responsável sublinha que o desafio das residências passa hoje por garantir segurança sem criar uma sensação permanente de vigilância. “Durante anos o sector teve de escolher entre segurança ou liberdade, mas hoje a tecnologia permite unir ambas as coisas”, afirma. A empresa defende que a eliminação de elementos físicos visíveis de monitorização reduz o sentimento de estigmatização e aumenta a sensação de normalidade e autonomia dos residentes.
A solução funciona através de sistemas de reconhecimento facial associados a analítica de vídeo, capazes de identificar automaticamente pessoas registadas nas bases de dados do centro. Quando uma situação potencialmente crítica é detectada – como o acesso a zonas sensíveis ou tentativas de saída não autorizada – o sistema envia notificações em tempo real para profissionais da residência através de computadores, dispositivos móveis ou alertas visuais e sonoros.
A Almas Industries considera que este modelo permite também responder à crescente pressão operacional sobre as estruturas residenciais. Segundo a empresa, muitos centros enfrentam dificuldades relacionadas com a supervisão contínua de residentes com doenças neurodegenerativas, deterioração cognitiva ou desorientação, o que aumenta a necessidade de recursos humanos e acompanhamento permanente. A automatização da monitorização permite, segundo a empresa, reduzir tempos de resposta e melhorar a capacidade de atuação preventiva sem alterar a rotina diária dos utilizadores.
O contexto demográfico em Espanha é apontado como um dos factores que aceleram a adopção deste tipo de tecnologia. Dados da Sociedade Espanhola de Neurologia citados pela empresa indicam que entre 500 mil e 600 mil pessoas vivem actualmente com demência no país, número que deverá aumentar devido ao envelhecimento da população. A empresa acrescenta que mais de 75% das pessoas residentes em estruturas residenciais apresentam algum grau de dependência, incluindo casos associados a deterioração cognitiva.
A Almas Industries enquadra esta evolução numa tendência internacional de digitalização do sector assistencial, destacando países como o Japão, onde soluções inteligentes para apoio ao envelhecimento têm vindo a ser integradas há vários anos em residências e centros de cuidados continuados. A empresa considera que o futuro da segurança em ambientes residenciais passará por modelos “menos invasivos e mais centrados na experiência emocional das pessoas”, nos quais a tecnologia opere de forma discreta e integrada no ambiente.









