Portugal registou 225 vítimas mortais e 1.371 feridos graves entre Janeiro e Junho de 2026. Atropelamentos apresentam uma subida particularmente acentuada da mortalidade
A sinistralidade rodoviária agravou-se em Portugal no primeiro semestre de 2026, com 225 vítimas mortais, mais 23 do que no mesmo período de 2025, o que representa um aumento de 11,4%. O número de feridos graves também subiu, passando para 1.371, mais 89 vítimas e um crescimento de 6,9%.
Os dados provisórios, consolidados pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), foram divulgados esta quarta-feira, 12 de agosto, na sequência de uma reunião entre o Ministro da Administração Interna, Luís Neves, o Secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, e responsáveis da GNR, PSP e ANSR.
Entre Janeiro e Junho foram registados 17.941 acidentes com vítimas, dos quais resultaram, além das vítimas mortais e feridos graves, 20.724 feridos leves.
Apesar do agravamento da gravidade da sinistralidade, o número de acidentes com vítimas diminuiu 0,7% e os feridos leves registaram uma redução de 2,1% face ao primeiro semestre de 2025.
Zonas urbanas concentram maioria dos acidentes
As zonas urbanas continuam a concentrar a maior parte dos acidentes com vítimas. No primeiro semestre, 63,9% dos acidentes ocorreram em zonas urbanas, embora estas tenham concentrado 32,9% das vítimas mortais e 47,1% dos feridos graves.
É precisamente neste contexto que os atropelamentos assumem particular preocupação. A mortalidade associada a este tipo de acidente aumentou 121,4%, passando de 14 para 31 vítimas mortais.
O agravamento ocorreu apesar de terem sido registadas reduções de 3% no número de acidentes envolvendo atropelamentos e de 2,8% nos feridos leves. Já os feridos graves aumentaram 2,8%.
Estradas nacionais concentram 28% das mortes
Nas estradas nacionais ocorreram 18,4% dos acidentes, mas estas vias concentraram 28% das vítimas mortais registadas no período.
Nas autoestradas, por sua vez, ocorreram 6,3% dos acidentes com vítimas, correspondendo a 11,1% das vítimas mortais.
Os números levam o Ministério da Administração Interna, em articulação com a GNR, PSP e ANSR, a reforçar as medidas de prevenção e fiscalização, com objetivos quantificados e acompanhamento permanente dos resultados.
Fiscalização reforçada nos comportamentos de maior risco
Entre as medidas previstas está o reforço da fiscalização em função dos locais e horários onde se verifica maior concentração de comportamentos de risco.
A estratégia dará particular atenção a infrações consideradas críticas para a segurança rodoviária, nomeadamente excesso de velocidade, condução sob influência de álcool e utilização do telemóvel durante a condução.
Serão também reforçadas as operações conjuntas entre a GNR e a PSP, bem como as intervenções nos chamados pontos negros e nos troços rodoviários onde se verifica maior concentração de acidentes.
Plano extraordinário para prevenir atropelamentos
Perante o aumento da mortalidade por atropelamento, será implementado um plano extraordinário de fiscalização em zonas urbanas.
A estratégia prevê a identificação dos locais onde ocorre o maior número deste tipo de acidentes e a realização de intervenções consideradas urgentes.
Está igualmente previsto o reforço da iluminação, sinalização e visibilidade das passadeiras, bem como o lançamento de uma campanha de sensibilização dirigida simultaneamente a condutores e peões.
As autarquias terão um papel relevante neste processo, tendo em conta o conhecimento que possuem sobre as características e riscos específicos da rede viária nos respetivos territórios.
Segurança rodoviária exige acção conjunta
Perante a evolução dos indicadores no primeiro semestre, o Ministério da Administração Interna sublinha que a redução da sinistralidade não pode depender exclusivamente da actuação das forças de segurança.
A resposta deverá envolver o Estado, autarquias, entidades públicas e privadas e os próprios cidadãos, através de uma acção concertada de prevenção, fiscalização e intervenção sobre as condições de circulação.
As medidas anunciadas pretendem contribuir para inverter a tendência de subida das mortes e dos feridos graves nas estradas portuguesas e cumprir os objetivos nacionais e europeus de redução da sinistralidade rodoviária.








