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Cadeia de supermercados britânica reduz 80% de perdas e shrink com IA

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A cadeia britânica de supermercados Iceland conseguiu reduzir em 80% as perdas e o shrink em parte da sua rede de lojas através da utilização de uma plataforma de inteligência artificial (IA) desenvolvida pela SAI. A tecnologia tem sido utilizada de forma particularmente intensiva nas 100 lojas com pior desempenho em matéria de perdas.

Com mais de 1.000 lojas no Reino Unido, a Iceland implementou o sistema de monitorização baseado em IA nas caixas de self-service e assistidas, nos corredores e nas entradas dos estabelecimentos. A tecnologia permite identificar situações como falhas de leitura de produtos, pagamentos parciais e saídas sem pagamento nas caixas, mas também suspeitas de ocultação de produtos, consumo dentro da loja e furtos directamente das prateleiras.

A aposta surge num contexto de forte pressão sobre o retalho britânico devido ao aumento dos furtos. A Iceland estimou anteriormente em cerca de 20 milhões de libras anuais o custo dos furtos para a empresa.

Alertas em tempo real para os colaboradores

A plataforma da SAI utiliza a rede de câmaras já existente nas lojas, evitando a necessidade de instalar uma infraestrutura de videovigilância completamente nova. Quando é detectada e confirmada uma actividade suspeita, o sistema envia um alerta para os dispositivos móveis utilizados pelos colaboradores.

Os alertas incluem imagens e vídeo, permitindo aos funcionários identificar a pessoa envolvida e a respectiva localização dentro da loja.

Segundo a Iceland, a utilização da tecnologia permitiu também reduzir em 50% os falsos alertas, contribuindo para uma taxa de resposta dos colaboradores de 90% aos alertas de incidentes.

A redução do número de falsos positivos permite que as equipas passem menos tempo a responder a situações que não constituem efectivamente ocorrências e concentrem mais recursos na operação das lojas e no atendimento aos clientes.

Andy Edwards, responsável pela prevenção de perdas e auditoria corporativa da Iceland, explica que a empresa procurava uma abordagem mais proactiva à prevenção do furto, capaz de funcionar integrada nas operações diárias das lojas.

Foco nas 100 lojas com maiores perdas

A tecnologia tem assumido um papel particularmente relevante nas 100 lojas com maiores problemas de shrink. Segundo a Iceland, estas lojas representam aproximadamente um terço do total das perdas registadas pelo grupo.

Antes da implementação da plataforma, a cadeia tinha testado outras medidas de prevenção, incluindo prateleiras com pesos, procurando reduzir os furtos sem introduzir maior complexidade nas compras ou exigir mais recursos humanos.

A utilização de IA permite agora analisar continuamente os fluxos de vídeo e identificar comportamentos suspeitos em poucos segundos, permitindo que os colaboradores actuem enquanto a ocorrência está a decorrer.

Para a Iceland, a tecnologia não tem impacto apenas na prevenção de perdas. A empresa considera que a redução dos falsos alertas e a maior precisão da informação disponibilizada aos colaboradores também contribuem para a produtividade das equipas nas lojas.

Retalho aposta na IA contra o furto

A implementação da solução reflecte uma tendência crescente no sector do retalho: a utilização de inteligência artificial para combater o furto e reduzir perdas sem criar obstáculos adicionais aos clientes que efectuam compras de forma legítima.

Em vez de depender exclusivamente de mais elementos de segurança ou de medidas que possam aumentar o tempo das transacções, os retalhistas estão a recorrer à análise automatizada de vídeo para identificar comportamentos de risco e apoiar os funcionários no terreno.

No caso da Iceland, a tecnologia está a ser utilizada tanto na zona das caixas como no espaço de venda, permitindo detectar diferentes tipos de comportamento associados ao furto.

Próxima fase poderá incluir reconhecimento facial

A Iceland está agora a avaliar uma expansão da utilização da plataforma. Entre as possibilidades em estudo encontram-se os chamados revisit alerts, que permitiriam alertar os funcionários quando pessoas anteriormente identificadas como suspeitas regressam à loja.

Está também a ser analisada a possibilidade de criar alertas entre estabelecimentos próximos, permitindo que diferentes lojas recebam informação sobre ocorrências ou indivíduos identificados noutras unidades.

Outra possibilidade em avaliação é a utilização de tecnologia de reconhecimento facial, associada aos dados recolhidos sobre furtos nos corredores. O objectivo seria impedir a entrada de reincidentes e contribuir para a prevenção de novos incidentes.

Esta possibilidade levanta, contudo, questões relevantes relacionadas com a privacidade e a utilização proporcional de dados biométricos. A SAI afirma que a sua abordagem prevê a eliminação, em tempo real, das imagens de clientes que não estejam envolvidos em incidentes, bem como mecanismos que permitam aos clientes consultar as evidências caso lhes seja recusada a entrada.

A empresa defende ainda que eventuais medidas aplicadas devem ser proporcionais à gravidade dos incidentes anteriores.

O caso da Iceland mostra como a inteligência artificial está a passar de uma tecnologia experimental para uma ferramenta integrada na operação diária do retalho, combinando videovigilância, análise comportamental, prevenção de perdas e resposta em tempo real.

Com os resultados obtidos nas lojas com maiores níveis de shrink, a cadeia britânica está agora a avaliar como poderá alargar estas capacidades e utilizar a IA não apenas para combater o furto, mas também para tornar as operações das lojas mais eficientes e seguras.

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