O crime organizado no retalho (ORC – Organized Retail Crime) continua a representar um desafio para os retalhistas norte-americanos, apesar da redução registada nos furtos em lojas e no furto de mercadorias entre 2024 e 2025.
Os dados constam do relatório “Impact of Retail Theft & Violence 2026”, divulgado pela National Retail Federation (NRF). Segundo o estudo, o número médio de incidentes de shoplifting diminuiu 12,4% entre 2024 e 2025, enquanto os incidentes de furto de mercadorias registaram uma redução de 8,1%.
Apesar desta evolução, a NRF alerta para a crescente sofisticação das redes de crime organizado, que actuam frequentemente em vários Estados e podem ultrapassar as capacidades de investigação de uma única empresa ou das autoridades locais.
Redes criminosas diversificam actividade
De acordo com o relatório, os retalhistas continuam particularmente preocupados com reincidentes, furtos associados ao crime organizado, furtos na cadeia de abastecimento, burlas telefónicas, fraude em programas de fidelização e fraude com cartões-presente.
A actividade destas redes também está a incorporar ferramentas e métodos associados ao cibercrime e à Inteligência Artificial, permitindo desenvolver novas formas de actuação e adaptar rapidamente os métodos utilizados.
A NRF considera que esta evolução faz com que o ORC deixe de ser encarado apenas como um problema de furto em loja. As redes podem actuar simultaneamente sobre lojas, cadeias de abastecimento e sistemas utilizados pelos retalhistas.
Investimento em segurança produz resultados
O relatório identifica, contudo, alguns sinais positivos.
Além da diminuição dos incidentes de shoplifting e de furto de mercadorias, os retalhistas têm aumentado o investimento em segurança interior e exterior, protecção de mercadorias, programas de segurança dos trabalhadores e formação.
As empresas estão também a reforçar a prevenção da violência através de formação de gestores, preparação dos trabalhadores e utilização de ferramentas de análise de risco.
O relatório aponta para uma ligeira redução da violência associada a incidentes de furto, embora tenha registado aumentos em determinados tipos de violência envolvendo clientes descontentes ou pessoas em situação de sem-abrigo.
Um problema que ultrapassa fronteiras
Para a NRF, uma das principais dificuldades no combate ao crime organizado no retalho está precisamente na sua dimensão.
As redes podem actuar em vários Estados, envolvendo estruturas criminosas que ultrapassam fronteiras estaduais e, em determinados casos, nacionais. Esta realidade dificulta a investigação quando os recursos permanecem concentrados nas autoridades locais.
Os retalhistas identificam como obstáculos importantes a limitação dos recursos das forças de segurança, a falta de coordenação entre diferentes entidades e o apoio insuficiente por parte das autoridades judiciais.
A partilha de informação entre empresas e autoridades é, por isso, considerada essencial para identificar ligações entre diferentes ocorrências e perceber a dimensão das redes criminosas.
Pressão para aprovação de legislação federal
É neste contexto que a NRF defende a aprovação de legislação federal específica para combater o ORC.
A organização considera que uma resposta nacional permitiria melhorar a partilha de informação, a coordenação das investigações e o apoio às autoridades estaduais e locais, sobretudo nos casos em que as redes actuam em diferentes jurisdições.
A Combating Organized Retail Crime Act of 2025 (CORCA) foi aprovada pela Câmara dos Representantes dos EUA em Maio de 2026, segundo a NRF, que está agora a pressionar o Senado para aprovar a legislação.
Para a federação do retalho, o objectivo não é transformar o shoplifting num crime federal, mas criar recursos e mecanismos de coordenação capazes de combater organizações criminosas que operam para além das fronteiras de uma cidade ou Estado.
O debate nos Estados Unidos evidencia assim uma mudança na abordagem ao furto no retalho: a preocupação deixa de estar apenas na ocorrência individual dentro da loja e passa a concentrar-se nas redes criminosas que actuam sobre o retalho, a cadeia de abastecimento e diferentes canais de fraude.









