Cibersegurança e InfoSec

Startup portuguesa vence competição internacional de cibersegurança

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A startup portuguesa Opnova, com centro de engenharia e investigação no Porto, venceu a final mundial do Startup Spotlight, uma competição integrada na Black Hat, uma das principais conferências internacionais de cibersegurança, realizada em Las Vegas.

Com apenas dois anos, a empresa desenvolveu uma tecnologia de inteligência artificial que permite automatizar a gestão de acessos a sistemas informáticos, incluindo plataformas antigas utilizadas por grandes bancos.

IA que utiliza sistemas como um humano

A solução da Opnova utiliza agentes de IA capazes de operar aplicações informáticas da mesma forma que uma pessoa: observam o ecrã e utilizam o teclado e o rato para executar tarefas.

Esta capacidade permite trabalhar com sistemas antigos que não possuem APIs ou formas simples de ligação a outras plataformas. Em vez de criar novas integrações, a IA aprende como um funcionário executa determinada tarefa e passa depois a realizá-la autonomamente.

Por exemplo, quando um novo colaborador entra para um banco, podem ser necessárias alterações de acessos em dezenas de aplicações. Muitos destes processos ainda são realizados manualmente por equipas de IT, podendo demorar semanas ou até meses.

Segundo a Opnova, basta um funcionário demonstrar uma tarefa através de um vídeo para que o agente possa aprender o procedimento e executá-lo posteriormente.

Menos erros e custos

A empresa desenvolveu ainda uma arquitectura denominada Reflexive Memory, que permite ao agente memorizar os procedimentos que já conhece.

Quando encontra novamente o mesmo ecrã, o sistema pode executar directamente as acções previamente aprendidas, sem necessidade de recorrer constantemente ao modelo de IA. Segundo a empresa, esta abordagem reduz em 85% os custos de processamento e torna a execução mais previsível.

Se surgir uma situação inesperada, como uma mensagem de erro ou uma alteração na interface, o agente recorre novamente à inteligência artificial para interpretar o problema e adaptar o procedimento.

A Opnova afirma ainda que os processos são executados dentro do ambiente informático do próprio banco, mantendo os dados sensíveis sob controlo da instituição.

80% dos clientes são bancos

Apesar de ter operações comerciais nos Estados Unidos, a Opnova mantém no Porto o seu principal centro de engenharia, IA e investigação.

Cerca de 80% dos seus clientes são bancos regulados nos EUA, incluindo um dos 40 maiores bancos norte-americanos. Segundo a empresa, a sua tecnologia poderá permitir a este cliente poupar mais de 11.500 horas de trabalho manual de IT por ano.

A startup conta actualmente com cerca de 20 colaboradores e já angariou 5 milhões de dólares numa ronda de financiamento pre-seed.

A vitória na Black Hat coloca a Opnova entre as startups de cibersegurança que estão a explorar uma nova utilização da inteligência artificial: automatizar tarefas críticas de segurança e gestão de acessos, incluindo em sistemas antigos que continuam a ser utilizados por grandes organizações.

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