Cibersegurança e InfoSec

ULS de Braga investe 1,17 milhões de euros em infraestrutura de segurança e Disaster Recovery

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A Unidade Local de Saúde de Braga (ULS de Braga) está a reforçar a resiliência das suas infraestruturas tecnológicas através de um projeto de 1,17 milhões de euros destinado à implementação de uma nova infraestrutura de segurança e Disaster Recovery.

O projecto, denominado “Infraestrutura de segurança (Disaster Recovery)”, é integralmente financiado através de apoio não reembolsável do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Dos 1,17 milhões de euros atribuídos, 292,42 mil euros já foram pagos, segundo os dados disponibilizados no portal da Transparência.

Com o código de operação 03/C01-i01/2022.P29436, a iniciativa enquadra-se na dimensão Resiliência, na componente Serviço Nacional de Saúde, e no investimento “Cuidados de saúde primários com mais respostas”. O projecto teve início a 1 de Dezembro de 2025 e conclusão prevista para 30 de Junho de 2026.

Modernizar uma infraestrutura tecnológica crítica

O projecto pretende responder à obsolescência do datacenter da ULS de Braga e ao aumento dos riscos operacionais e de segurança associados às infraestruturas tecnológicas de uma organização de saúde.

A nova arquitetura foi concebida para reforçar a continuidade dos serviços e a proteção de informação clínica sensível, tendo também em consideração os requisitos decorrentes da Diretiva NIS2 e do futuro regime jurídico da cibersegurança.

Entre os principais componentes previstos encontram-se uma infraestrutura de virtualização de elevada disponibilidade, armazenamento com snapshots imutáveis, mecanismos de backup imutável com dupla autorização, soluções de Continuous Data Protection (CDP) e microsegmentação de rede.

Protecção contra ransomware e falhas

A infraestrutura deverá assegurar a continuidade de serviços essenciais de suporte aos sistemas de informação da ULS, incluindo registos clínicos, PACS, laboratório, farmácia, triagem e sistemas de suporte à vida.

A utilização de mecanismos de proteção e recuperação de dados pretende garantir que estes serviços permanecem operacionais perante diferentes tipos de incidentes, desde falhas físicas e lógicas a ciberataques.

O projeto contempla ainda medidas específicas para mitigar o risco de ransomware, dificultar a destruição maliciosa de informação e limitar movimentos laterais de ameaças dentro da infraestrutura.

RTO de duas horas e RPO de 15 minutos

A arquitetura definida estabelece requisitos concretos de continuidade de negócio, com um Recovery Time Objective (RTO) de duas horas e um Recovery Point Objective (RPO) de 15 minutos.

Na prática, estes objetivos procuram assegurar a recuperação dos serviços críticos num período máximo definido e limitar a perda de dados a uma janela de 15 minutos em caso de incidente.

O projeto inclui também um Plano Estratégico de Conformidade com a NIS2, contemplando a avaliação de lacunas, medidas de remediação, implementação de um programa de controlo e resiliência, gestão de incidentes e continuidade, bem como auditoria e certificação interna.

Entre as soluções previstas neste âmbito encontram-se ainda SOC as a Service e SIEM+MDR, complementadas por processos de formação, comunicação e auditoria contínua.

Infraestrutura preparada para novas tecnologias

Para além da componente de proteção e recuperação, o projeto pretende criar uma base tecnológica capaz de suportar a evolução digital dos serviços de saúde.

A infraestrutura deverá permitir a implementação e integração segura de tecnologias como Inteligência Artificial aplicada ao diagnóstico, modelos preditivos, medicina personalizada e soluções IoMT (Internet of Medical Things).

Segundo a descrição do projeto, a nova arquitetura deverá também facilitar a colaboração com universidades e startups, permitindo à ULS desenvolver e escalar novos projetos tecnológicos mantendo requisitos elevados de desempenho, disponibilidade e confidencialidade dos dados clínicos.

1,17 milhões de euros do PRR

A Unidade Local de Saúde de Braga, E.P.E. surge como beneficiária do projeto, com 1,17 milhões de euros de financiamento atribuído, enquanto a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS, I.P.) é identificada como beneficiária intermediária.

Com este investimento, a ULS de Braga pretende reforçar simultaneamente a cibersegurança, continuidade operacional e capacidade de recuperação das suas infraestruturas digitais, criando uma base tecnológica mais resiliente para suportar a prestação de cuidados de saúde e a proteção de informação clínica.

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