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RAPID-X desenvolve embarcação não tripulada para vigilância e monitorização da plataforma continental

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Portugal poderá vir a contar com uma nova geração de embarcações não tripuladas de superfície (USV) para missões de vigilância, monitorização e segurança marítima. O projecto RAPID-X, promovido pela Scalesocean, pretende desenvolver uma plataforma de superfície de fabrico rápido, com aplicações na defesa marítima, segurança costeira e economia azul.

Designado “RAPID-X: USV de vigilância e monitorização da Plataforma Continental para Fabrico e Lançamento rápido”, o projecto aposta no desenvolvimento de embarcações não tripuladas construídas com materiais termoplásticos recicláveis e compósitos de matriz termoplástica.

A iniciativa combina diferentes tecnologias de fabrico, nomeadamente fabrico aditivo, rotomoldagem e deposição de compósitos, procurando criar estruturas com características adequadas à operação no ambiente marítimo e, simultaneamente, reduzir a complexidade e os tempos associados à sua produção.

Uma das componentes diferenciadoras do RAPID-X é o desenvolvimento de um sistema “Rapid Launch”, concebido para permitir o lançamento rápido das embarcações não tripuladas a partir de um navio-mãe.

Esta capacidade poderá ser relevante em operações que exijam a colocação rápida de meios de vigilância ou monitorização numa determinada área marítima. Depois de lançados, os USV poderão ser utilizados em missões sem a necessidade de colocar directamente tripulações humanas nas zonas a monitorizar.

O projecto prevê ainda uma inovação no próprio processo de fabrico. A equipa pretende integrar injecção de azoto em estado supercrítico (SCF) na cabeça de extrusão utilizada no fabrico aditivo. Esta tecnologia permitirá produzir estruturas microcelulares, procurando combinar baixo peso com elevada resistência mecânica.

A redução do peso das embarcações poderá assumir particular importância em plataformas não tripuladas, contribuindo para melhorar a eficiência e as características operacionais dos veículos.

Embora o RAPID-X tenha uma forte componente tecnológica e industrial, a sua aplicação está directamente relacionada com a vigilância e segurança do espaço marítimo português.

Os USV poderão ser utilizados para missões de vigilância da plataforma continental, monitorização ambiental e apoio à segurança costeira. A tecnologia poderá também encontrar aplicações em áreas como a energia offshore, onde existe uma necessidade crescente de monitorizar infra-estruturas e espaços marítimos.

A possibilidade de utilizar plataformas não tripuladas permite complementar os meios convencionais de vigilância, aumentando a capacidade de recolha de informação sem exigir a presença permanente de meios tripulados.

O projecto assume, por isso, uma natureza dual-use, com potencial para responder simultaneamente a necessidades civis e de defesa e segurança. A mesma plataforma tecnológica poderá ser adaptada a diferentes missões, consoante os sensores, sistemas e equipamentos instalados.

Outro dos objectivos passa pelo desenvolvimento de processos de fabrico mais rápidos e flexíveis. A aposta em materiais termoplásticos e em tecnologias como o fabrico aditivo poderá facilitar a produção e eventual adaptação das embarcações a diferentes requisitos operacionais.

Com uma duração prevista de dois anos, entre 1 de Junho de 2026 e 31 de Maio de 2028, o RAPID-X está enquadrado na dimensão Resiliência do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), na componente Investimento e inovação e no investimento dedicado à Inovação empresarial.

O projecto é promovido pela SCALESOCEANS – LDA e está integrado na Linha para a Economia de Defesa e Segurança, procurando contribuir para o desenvolvimento de competências e tecnologias nacionais aplicáveis à vigilância e protecção do espaço marítimo.

O investimento previsto ascende a 1,57 milhões de euros, com financiamento não reembolsável. Até à informação disponibilizada no portal da Transparência, tinham sido pagos 470,64 mil euros.

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